Peter Siemsen, do Fluminense, e Patrícia Amorim, do Flamengo, explicam os motivos dos clubes terem vivido turbulências após título

Diante das muitas semelhanças entre os primeiros semestres de Flamengo e Fluminense logo após as conquistas dos respectivos títulos brasileiros de 2009 e 2010, o iG consultou os presidentes de ambos os clubes e as respostas foram similares. Patrícia Amorim e Peter Siemsen enxergam na troca de filosofia da administração a principal causa para as crises que seguiram a conquista das taças, agravada, na Gávea, pela imprevisível acusação de assassinato ao capitão do time, o goleiro Bruno, logo após a chegada de Zico para assumir o comando do departamento de futebol.

No Fluminense , Peter Siemsen admitiu que a implantação de uma nova linha de trabalho foi decisiva para a crise no primeiro semestre. “O descontrole e a má gestão do clube não podem ser encobertos pelo titulo, sob pena de afetar os resultados a médio e longo prazo. No caso do Fluminense , a situação se agrava em decorrência da situação financeira e de falta de infra-estrutura. A maior parte das receitas de 2011 já tinham sido adiantadas, os percentuais sobre direitos econômicos dos atletas são reduzidíssimos e a gestão não contava com nenhum instrumento de controle de gastos e de procedimento. Portanto, a mudança da cultura do clube foi muito radical, o que afetou diversos relacionamentos comerciais e técnicos do clube", disse o presidente, acrescentando que os prejudicados pelas mudanças aproveitaram o momento para tumultuar.

"Obviamente, quem saiu perdendo passou a usar a fácil exposição pública do clube para criar um suposto ambiente de turbulência. Mas como o Fluminense é conhecido como “time de guerreiros”, os desafios, por mais difícil que sejam, nunca são impossíveis de superar”, completou.

Para superar o mau momento e ressurgir com força ainda em 2011, Siemsen aposta em planejamento e afirma que o clube não está morto na briga pelo Brasileiro deste ano. “Internamente, dentro do grupo do futebol o clima é de estabilidade e trabalho. A aparência de grandes turbulências só serão reduzidas com o tempo e com bons resultados do futebol. Estamos avançando muito no controle de gastos, no investimento em infraestrutura e em um novo planejamento para 2012. Ainda estamos na briga no Brasileiro de 2011. Somos conhecidos pelas missões impossíveis. Vamos lutar muito para superar mais essa batalha”, afirmou.

Amorim frisou que alguns dos aspectos da crise no primeiro semestre de 2010 eram impossíveis de ser evitados e aproveitou para colher os louros do sucesso em 2011, com o time invicto no Brasileiro e campeão estadual também sem derrotas. “Ninguém, nem em seu pior pesadelo, poderia imaginar que teríamos o capitão da nossa equipe, líder do grupo, envolvido em um suposto assassinato. A tristeza era generalizada. Nem o torcedor tinha vontade de ir ao estádio torcer, e para completar o time não vencia em campo, talvez também envolvido por esse clima de tristeza geral. Então não adianta comparar. Agora estamos colhendo os frutos de tudo o que trabalhamos em 2010", disse.

Esses "frutos" são, para a presidente, o pagamento em dia de salários, a contratação de Vanderlei Luxemburgo e a renovação dos contratos de promessas da base. "Conseguimos renovar os contratos dos principais jogadores da base e eles hoje são do Flamengo . Os salários estão em dia há 18 meses, pago os impostos, a Gávea está praticamente toda em obras, as pessoas que trabalham comigo costumam dizer que parece o PAC (Patrícia arrumando a casa) da Patrícia. Trouxemos um treinador forte, com a cara do Flamengo , reforços para o time, hoje o Centro de Treinamento já é uma realidade. Enfim, tudo isso faz parte da gestão, de um planejamento que foi traçado e está sendo cumprido. Não é sorte e sim trabalho”, disse.

Amorim ainda aproveitou para rasgar elogios a Ronaldinho Gaúcho, que assumiu o lugar de Adriano como estrela da companhia. “Em 2011, conseguimos virar a página. Começamos o ano vencendo a Copinha (Copa São Paulo de Juniores) e depois a chegada do Ronaldinho trouxe a alegria de volta. Ele sem dúvida foi determinante para a virada. Ele diz que Flamengo é Flamengo e eu digo que Ronaldinho é Ronaldinho!”.

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