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Preparador físico da seleção da Líbia diz que voltaria ao país

Helvécio Pessoa, que já trabalhou no Fla, lamenta perda de contato com amigos e lembra sufoco para sair do país

Renan Rodrigues e Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Entre as muitas personalidades presentes ao lançamento dos campos de grama sintética com a assinatura de Zico, no clube do ex-jogador, o CFZ, um rosto pouco conhecido observava a movimentação de craques com quem trabalhou no passado.

O preparador físico Helvécio Pessoa, campeão brasileiro com o Flamengo em 1992, cuidava, até fevereiro, da forma física dos atletas comandados por Marcos Paquetá na seleção da Líbia. Ele conseguiu retornar ao país em segurança, no que disse ter sido o último voo comercial a deixar Tripoli, e agora tenta reaver o contato com os amigos que deixou para trás em um país onde protestos contra a ditadura de Muammar Al Kadhafi ameaçam a segurança dos cidadãos.

“Eu estava num lugar relativamente calmo. Complicado estava em Benghazi. O nosso projeto era até 2014, ainda temos contrato. Espero que melhore a situação. Deixamos muitos amigos líbios com quem perdemos contato. Lá não tem Facebook, Twitter, o pessoal não acessa e-mail. Ficamos pensando: como eles estão? E as suas famílias”, disse.

Vicente Seda
Preparador físico da seleção da Líbia relatou a dificuldade para conseguir deixar o país


Helvécio contou que o maior sufoco que passou foi justamente na hora de embarcar rumo a Roma, na Itália, o único destino que conseguiu encontrar com auxílio da embaixada brasileira na Líbia. No aeroporto, disse que mais de cem mil pessoas aguardavam do lado de fora uma chance de voltar para casa, enquanto outra milhares se aglomeravam dentro das instalações tentando chegar ao check in. Chegando ao balcão, a informação passada era de que não havia nenhuma garantia de que a bagagem chegaria ao destino, pois, segundo Helvécio, praticamente não havia funcionários no local.

“A gente deixou a Líbia no dia 23 de fevereiro, uma terça-feira. A maior preocupação por lá é na sexta, porque as pessoas se reúnem nas mesquitas, não trabalham. O pior para a gente foi entrar no aeroporto. Eram mais de cem mil do lado de fora e só conseguimos entrar porque fomos com um motorista da embaixada, que conseguiu chegar em uma área onde pudemos ter acesso ao saguão. Pior mesmo era para os parentes aqui no Brasil, pois todos estavam muito preocupados. Levei duas horas para chegar ao check in, quase não havia funcionários, e logo fui informado que não havia nenhuma garantia de que a bagagem chegasse ao destino, que no caso foi Roma. Mas chegou tudo”, contou.

O preparador lembrou ter ouvido muitos tiros na véspera e alguns helicópteros sobrevoando Tripoli, mas, apesar de ter conseguido acompanhar os noticiários de canais brasileiros, não observou a violência que estava sendo relatada, inclusive com ataques militares com armas pesadas contra manifestantes.

“Na véspera da volta para o Brasil, estava falando com o meu filho que mora nos Estados Unidos (Bruno, de 19 anos) pelo Skype (programa de chamadas telefônicas via internet) e de repente ouvi tiros. Ele começou a perguntar que barulho era aquele, eu disfarcei, disse que não era nada, umas pessoas fazendo bagunça na rua, mas aí a conexão caiu. Ele ficou desesperado. Só consegui falar com ele quando cheguei ao Brasil”, lembrou.

Ele teve contato com o filho de Kadhafi, a quem se referia como doutor Muhammad. Afirmou que em algumas ocasiões os brasileiros que trabalhavam com a seleção (eram 14) jogavam futebol com o filho do ditador que, por sua vez, não gostava muito do esporte. “Nunca conheci o Kadhafi, ele não gostava muito de futebol, mas o filho dele sempre nos procurava, era muito educado e sempre pareceu muito tranquilo. Ouvimos muitas histórias, mas com a gente sempre foi cordial”, disse.

Apesar de todos os problemas, Helvécio garantiu que não se importaria de voltar para a Líbia caso a situação do país voltasse a ser de tranqüilidade. Após trabalhar em países como Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes, ele afirmou que não recusaria um novo convite para o exterior.

“A primeira vez que trabalhei fora foi nos Emirados, com o Evaristo de Macedo. Temos de trabalhar, o leite está caro aqui no Rio. Não vejo muito problema em voltar para a Líbia se tudo se tranqüilizar. Tínhamos uma situação muito boa lá. Morávamos em um ótimo condomínio, com quadra de tênis, praia particular, cada um tinha um carro, tínhamos conforto. Os salários eram pagos em dia, o bicho (premiação por partida) também. Voltaria sem problemas”, concluiu.

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