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Futebol
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Possível unificação de títulos brasileiros pela CBF divide ex-jogadores

Campeões se dividem entre os que consideram todos os títulos, e os que consideram a Taça Brasil similar a Copa do Brasil

Renan Rodrigues, iG Rio de Janeiro |

A suposta decisão da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) de unificar os títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, conhecido como Taça de Prata, com o Campeonato Brasileiro, criado em 1971, causou reações diversas nos ex-jogadores que participaram das conquistas. Do sentimento de justiça ao desacordo com a mudança na classificação dos campeonatos, grandes craques falaram com exclusividade ao iG sobre como receberam a notícia.

Campeão da Taça Brasil de 61 a 65, e da Taça de Prata de 68 pelo Santos, o ex-ponta esquerdo Pepe não mostrou euforia com a novidade. Para o canhão da Vila, os jogadores daquela época já se sentiam campeões.

Eu participei das seis conquistas. Eu fico envaidecido, mas não muda nada para mim, eu já me considerava campeão brasileiro. Na época não havia o Campeonato Brasileiro, e nós considerávamos essas competições dessa forma. Não que o Santos encarasse de maneira especial, pois queríamos ganhar todos os títulos naquela época. Era um time ganhador, disse Pepe.

Já Carlos Alberto Torres, campeão da Taça Brasil de 1965 e da Taça de Prata de 1968 com o Santos, não concorda totalmente com a medida adotada pela CBF. O Robertão eu concordo, porque ele reunia equipes de todo país. Foi uma ampliação do Torneio Rio-São Paulo e as equipes jogavam mais entre si. A Taça Brasil eu não concordo. Era um torneio curto, que só reunia os campeões estaduais. Era mais parecida com a Copa do Brasil, declarou o capitão da seleção brasileira na conquista do tricampeonato mundial, em 1970.

Campeão nesta temporada, o Fluminense ganhou outro presente de Natal. Pelo menos é o que garante o goleiro Félix, campeão da Taça de Prata de 1970. A CBF não fez mais do que a sua obrigação de reconhecer nossa conquista dentro de campo. Era um campeonato igual ao de 1971, com apenas o nome diferente e com a presença de todos os campeões mundiais em 1970 no México. Por isso, nada mais justo do que reconhecer essa conquista. Fico muito feliz e recebi essa notícia com um presentão de Natal. Fomos duas vezes campeões brasileiros em apenas uma temporada", comemorou.

Para o vice-presidente de futebol do Fluminense, Alcides Antunes, a fórmula de disputa da Taça de Prata era similar ao Campeonato Brasileiro. Foi uma decisão mais do que justa, pois o campeonato de 1970 tinha a mesma fórmula de 1971 e contava com todos os grandes times do país. Era uma decisão que já deveria ter sido tomada faz tempo, mas nunca é tarde para se fazer justiça. O importante é que o torcedor do Flumimense começou 2010 como campeão brasileiro e vai virar o ano como tricampeão. Ganhamos um título dentro de campo e recuperamos outro fora dele, declarou o dirigente.

Derrotado pelo Santos na final da Taça Brasil de 1964, o treinador e ex-atacante do Flamengo, Evaristo de Macedo, acredita que os verdadeiros campeões brasileiros vieram a partir de 1971. Perdemos uma final da Taça Brasil para o Santos, empatando no Rio e sofrendo uma derrota de 4 a 1 em São Paulo. Era como a Copa do Brasil. Você poderia dar sorte e pegar adversários mais fracos até chegar à decisão. Campeões mesmo são o Fluminense, o Flamengo, o São Paulo. Se na época o que valia era isso, tem que respeitar. Mas os grandes campeões são mesmo aqueles a partir de 1971, quando foi feito realmente o Campeonato Brasileiro. Antes, eram torneios de mata-mata, diferente do que é hoje, afirmou Evaristo.
 
Um dos maiores jogadores da história do Palmeiras, Ademir da Guia também comemorou o reconhecimento dos títulos da equipe paulista, que passa a ser a maior campeã ao lado do Santos, com oito títulos. Estavamos aguardando isso faz tempo. Ganhamos no campo, com dificuldades parecidas com as de hoje. Tanto que fizemos a maioria das decisões e jogos importantes com equipes que são campeãs atualmente. Não é o formato que define a importância de uma conquista. Fico feliz, quem sabe os jogadores daquela época recebam até uma medalha do clube, já que essa conquista fica para o time. Os jogadores comemoraram e festejaram, mas para o clube é importante, declarou Ademir da Guia.

Pensamento semelhante tem o ex-volante Carlos Roberto, campeão da Taça Brasil de 1968 com o Botafogo. Para o atual treinador, a dificuldade da Taça Brasil credencia a ser igualada ao Campeonato Brasileiro. "O formato era diferente, mas era como era proposto na época. Para disputar você já tinha que ser campeão, então não era fácil. E mesmo com poucas partidas, eram jogos muito difíceis. Partidas longe dos grandes centros, campos ruins. Acho que a justiça foi feita", declarou.

*Colaboraram Danilo Lavieri, Marcello Pires, Thales Soares e Samir Carvalho

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