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Futebol
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Por poder, investidores gerenciam carreiras e compram clubes

Decisão sobre a venda dos atletas só acontece com a permissão do jogador e da equipe que ele tem contrato

Paulo Passos, iG São Paulo* |

Para que um investidor lucre com a compra de direitos econômicos de um jogador é preciso que ele seja negociado no futuro. A decisão sobre isso depende da vontade do clube, do atleta e, é claro, do pagamento da multa prevista em contrato. Para aumentar sua influência na decisão, as principais empresas que investem no futebol estão trabalhando cada vez mais na gestão de carreira dos seus jogadores.

“Há dois anos passamos a nos especializar nisso. Hoje, a gente só compra participação de um jogador se tivermos a gestão da carreira dele. É o caso do Paulo Henrique Ganso, por exemplo. Investimos na carreira dele, com curso de inglês e media training”, afirma Thiago Ferro, da DIS, empresa do Grupo Sonda.

AE
Grupo Sonda administra a carreira de Paulo Henrique Ganso
O caso do camisa 10 do Santos é um exemplo do aumento do poder dos investidores no futebol brasileiro. A DIS administra os direitos de imagem do meia e de outros nove atletas, incluindo Breno, ex-São Paulo, Tinga e Gabriel Silva, do Palmeiras, e Bruno César, do Corinthians.

Em outubro, o Santos tentou negociar com Ganso a aquisição de 30% do seu direito de imagem. Em troca, ofereceu aumento de salário e plano de carreira, semelhante ao que foi negociado com Neymar. O jogador não aceitou a proposta e preferiu seguir com a administração que é feita pela DIS.

Diferentemente do Grupo Sonda, o BMG, que possui participação em direitos econômicos de mais de 50 atletas, não trabalha com a gestão de carreira de seus jogadores. Já a Traffic deve voltar a investir nesse segmento.

“Clubes fantasmas”

Para aumentar o seu poder e diminuir os riscos, Traffic e BMG adotam outra medida. Os dois grupos contam com clubes próprios, onde registram os seus atletas que, posteriormente, são emprestados para as grandes equipes. As empresas detêm os direitos econômicos e federativos dos jogadores. Assim, os investidores não dependem dos clubes para decidir o momento de vender os atletas.

Futura Press
Traffic usa Desportivo Brasil para registrar seus jogadores
É uma forma de ter o poder de decisão na hora da venda. Além disso, eles incluem uma cláusula no contrato de empréstimo para as equipes grandes, dizendo que se o time não quiser vender o jogador no momento que houver uma oferta, terá que ressarcir o investidor com a quantia que foi oferecida”, afirma Luiz Felipe Santoro, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo.

A Traffic é dona do Desportivo Brasil, que fica na cidade de Porto Feliz, em São Paulo, e disputada campeonatos de categoria de base. Foi na equipe que a empresa vinculou jogadores como Keirisson, Henrique e Cleiton Xavier, emprestados ao Palmeiras e depois vendidos para clubes da Europa.

Já o BMG comprou em 2009 o Coimbra, pequeno clube de Itaúna, no interior de Minas Gerais. A equipe disputa a segunda divisão do Campeonato Mineiro e é usada pelo o grupo para registrar seus jogadores. O presidente do clube é o diretor jurídico do banco, Marcus Vinícius Fernandes Vieira.

* colaborou Marcel Rizzo, iG São Paulo

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