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Polícia acusa Somália de mentir sobre sequestro e vai indiciá-lo

Imagens de circuito interno filmaram o jogador no prédio na hora em que ele disse ter sido assaltado

Renan Rodrigues, iG Rio de Janeiro |

nullO volante Somália, do Botafogo, passou de vítima para acusado em apenas um dia. Ele teria inventado um sequestro-relâmpago na última quarta-feira, dia de reapresentação do clube carioca no estádio Engenhão. O jogador será chamado na 16ª DP, localizado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, por falsa comunicação de crime, com pena prevista de um a seis meses de prisão, ou multa. Como o crime é de menor potencial, será encaminhado para o Jecrim (Juizados Especiais Criminais).

Imagens do circuito interno do prédio, onde mora o jogador, teriam mostrado Somália chegando às 3h56 da madrugada,  portando todos os objetos que afirmou terem sido roubados: um cordão e o relógio. Ele também disse em depoimento que foram levados R$ 1000. Pouco depois das 9h, Somália aparece nas imagens novamente descendo o elevador, já sem o cordão e o relógio. A reapresentação da equipe começou exatamente às 9h. O jogador disse em depoimento que ficou em poder do bandido por duas horas.

A delegada titular da 16ª DP, Juliana Domingues, comentou sobre a desconfiança causada pelo depoimento do jogador. "Nós desconfiamos porque a vítima caia a todo momento em contradição, com a cor de camisa do sequestrador, com o percurso. Assim que ele narrou o ocorrido, requisitamos imagens do prédio, do percurso que ele fez. No próprio prédio, vimos que ele saiu às 9h07 e que os dados não batiam", declarou a delegada ao programa RJTV.

O jogador chegou na delegacia por volta de 9h30 para registrar o crime. O advogado do Botafogo, doutor Aníbal Rouxinou, chegou a ir para a 16ª DP para ajudar o volante na realização do boletim de ocorrência. Liberado do treino de quarta-feira, Somália dormiu na sede de General Severiano na noite do crime, segundo ele para 'esquecer' o ocorrido. No dia seguinte, treinou normalmente em General Severiano e comentou sobre o caso. "Chorava e pensava muito na minha filha. Não desejo isso para ninguém. É uma coisa que traumatiza mesmo".

Por meio de uma nota oficial, o Botafogo informou que não disponibilizará um advogado para o jogador e que uma possível punição só acontecerá após os esclarecimentos com a polícia. Confira a nota na íntegra.

O Departamento de Futebol do Botafogo FR, ao tomar conhecimento de que não seria verídica a justificativa do atleta Paulo Rogério Reis da Silva, conhecido como Somália, para sua ausência na reapresentação da equipe, na última quarta-feira, dia 5 de janeiro, delibera:

1. Que qualquer decisão administrativa referente a uma possível punição em relação à conduta do atleta será definida após esclarecimentos das partes.
2. Que a questão criminal será tratada exclusivamente por um especialista, que deverá ser contratado pelo próprio atleta.

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