Novo estatuto do clube prevê diminuição do poderio do presidente, e permitirá apenas uma reeleição

Antes do jogo entre Santos e Botafogo neste sábado, às 18h30 (de Brasília), na Vila Belmiro, o associado do clube que possui no mínimo três anos de associação e seja maior de 18 anos, poderá participar da eleição que aprovará ou não o novo estatuto do Santos, na Vila, das 10h às 18h. Apesar de apresentar artigos modernos, o novo modelo de gestão do clube também gera polêmicas entre os conselheiros.

A principal discussão é a criação de um Conselho Administrativo, que acaba com o regime presidencialista do clube e deixa as decisões a cargo de um colegiado. O grupo será formado por nove pessoas (sete membros do conselho, o presidente e o vice). O novo estatuto oficializará o que já acontece informalmente na administração do clube, que é gerenciado pelo Grupo Guia (Gestão Unificada de Inteligência e Apoio ao Santos Futebol Clube) e pelo presidente do clube, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro.

“O conselho de administração só pode tomar decisões com presença de, no mínimo, cinco membros, e por maioria simples de votos”, cita o artigo 62 do novo estatuto, que explica a diminuição de poder do presidente.

O conselheiro e ex-diretor jurídico do Santos, Mario Mello, prometeu fazer um discurso neste sábado, no salão de mármore da Vila Belmiro, onde será realizada a votação, para explicar alguns artigos polêmicos do estatuto, já que o advogado acredita que os associados votaram sem a oportunidade de conhecerem os artigos.

“O que vale é o que acontece na assembléia. Temos o direito de discutir o artigo entre os companheiros. Porém, eles querem fazer uma cédula aprovado ou não aprovado. Eu analise esse estatuto e vi uma série de coisas absurdas. Reuni-me com o pessoal que fez esse estatuto, apresentei os erros, e eles concordaram com tudo, mas disseram que não dá mais tempo de mexer, pois foi votado no Conselho Deliberativo”, protestou Mario Mello.

Outro fator que preocupa principalmente a oposição do clube é a criação das Embaixadas, que são sub-sedes colocadas em outras regiões. Conselheiros do clube temem problemas de fraudes nas próximas eleições do clube, devido a votação por distância.

Por outro lado, o estatuto tem artigos favoráveis, como a prevenção ao continuísmo, fato que aconteceu com ex-presidente Marcelo Teixeira, que comandou o clube durante dez anos. No novo estatuto será permitida apenas uma reeleição.

O novo estatuto já foi aprovado pelos conselheiros do clube antes de ser votado pelos associados. A atual cúpula acredita que será impossível a não aprovação do documento, pois a oposição de Marcelo Teixeira está sem força no clube. O ex-presidente, inclusive, está viajando e não participará da eleição.

Confira mais mudanças do novo estatuto

Os dirigentes do Santos não poderão emprestar dinheiro ao clube.

Se decidido pelo Conselho, as eleições também poderão ser realizadas por correio ou internet.

O Santos terá definido o uniforme branco como o principal da equipe. O estatuto atual não define nenhum uniforme como o principal.

O órgão executivo do clube será o Comitê de Gestão, formado por um presidente e um vice, eleitos em Assembleia Geral. Eles escolherão sete pessoas, que atuarão no Comitê como diretores.

Os cargos de membros do Conselho serão decididos por proporcionalidade. Isso significa que a porcentagem alcançada por uma chapa na votação será a mesma que ela terá direito dentro do Conselho.

A Vila Belmiro terá o endereço "Rua Princesa Isabel, s/nº" em vez de possuir o número "77", adotado na administração anterior

Haverá as embaixadas do Santos, representações dos sócios do clube com, no mínimo, 100 integrantes, em qualquer local. Nelas, serão realizadas campanhas sociais, captação de novos associados, entre outros.

Para adiantar receita da próxima administração, o presidente deverá pedir autorização para o Conselho Deliberativo. Hoje não há impedimento.

O mandato do Comitê de Gestão e do Conselho Deliberativo será de três anos e só será possível uma reeleição.

A sede do clube não poderá ser alterada de Santos. No estatuto atual, ela pode ser transferida.

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