Presidente da Fifa ficou irritado com questionamentos sobre os escândalos na entidade e deu respostas evasivas

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, se mostrou irritado com as insistentes perguntas de jornalistas sobre as denúncias de corrupção na entidade e venda de votos para escolha de sede da Copa do Mundo de 2022, que será no Catar. Em um primeiro momento, as perguntas sobre o tema não foram permitidas pelo diretor de comunicação da entidade, Nicolas Maingot, alegando que naquele momento só seriam aceitos questionamentos sobre o sorteio das eliminatórias e posteriormente abriria a entrevista para temas que não envolvessem a Copa de 2014 no Brasil.

Porém, as perguntas não foram refeitas, visto que só era permitida uma por vez a cada profissional, e as respostas foram evasivas. Sobre a interrupção das primeiras perguntas a respeito das denúncias de corrupção, a assessoria da Fifa informou depois que o seu protocolo em eventos sempre é feito da mesma maneira, com as primeiras questões direcionadas ao evento que se apresenta e as finais para temas em aberto.

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As primeiras perguntas sobre os escândalos na entidade foram respondidas desta forma por Blatter: “Não gosto quando numa conferência de imprensa vocês só falam de corrupção, prefiro questões claras, mas em relação à confiança na Fifa, ela continua não apenas para 2014, mas para 2018 e 2022. Nossos parceiros confiam na Fifa, confiam no jogo e especificamente confiam na Copa do Mundo”, disse, já dando claros sinais de irritação.

No fim, Blatter foi indagado sobre as declarações do ex-jogador alemão Karl-Heinz Rummenigge, presidente da Associação de Clubes Europeus, que pediu maior poder aos clubes e atacou um “processo diário de corrupção” na entidade. “Antes de mais nada, ele não está dizendo que devem ter mais poderes por causa da corrupção, querem mais influência no calendário dos jogos”, afirmou Blatter, antes de responder à segunda pergunta, indagando porque, se o alto escalão do futebol está perdendo sua confiança na Fifa, o restante das pessoas deveria continuar acreditando. “Pergunte a ele (Rummenigge), não vou comentar essa matéria. Perguntem ao Rummenigge porque 186 federações votaram em mim. Aproveitem o Rio, Copacabana, o futebol e a vida”, disse o suíço, encerrando a entrevista.

Jospeh Blatter (esquerda) e Nicolas Maingot, chefe do departamento de comunicação da Fifa
Futura Press
Jospeh Blatter (esquerda) e Nicolas Maingot, chefe do departamento de comunicação da Fifa

Ética
As indagações sobre corrupção dominaram boa parte da coletiva concedida na estrutura armada para o sorteio das eliminatórias, que acontecerá sábado, na Marina da Glória, no Rio. Questionado sobre a independência do comitê de ética da Fifa, que tem seus membros indicados pela própria entidade, e a decisão de arquivar a investigação contra a presidência, Blatter novamente respondeu sobre outros assuntos.

“Eu não farei nenhum comentário sobre o que aconteceu na decisão tomada pelo comitê de ética e o acompanhamento feito depois pela mídia. Peço que vocês deixem a Fifa trabalhar e que a imprensa respeite o cronograma que estabelecemos. Falando de confiança, não estou sozinho, não sou um ditador como já foi dito. Na Fifa, temos mais de 300 milhões de pessoas direta ou indiretamente ligadas ao futebol, nem todas são impecáveis. Temos de trabalhar não apenas na corrupção, mas no doping, racismo, compra de resultados, no qual a Interpol já está atuando”, afirmou.

O suíço, porém, apesar de não responder às contestações sobre a credibilidade do comitê de ética atual, disse que a criação de um órgão novo, e independente, está a caminho. “Nós também já começamos a rever a questão do comitê de ética, para criar um novo órgão que será encarregado das investigações totalmente independente da secretaria geral da Fifa. Um relatório será apresentado nos dias 20 e 21 de outubro neste ano, quando o comitê executivo se reunirá. Os relatórios dos nossos auditores estão publicados no nosso site”.

Quando ouviu perguntas sobre a transparência financeira da entidade, mais uma vez jogou para frente. “Estamos indo passo a passo. Talvez tenhamos de olhar nesses estatutos e ver se há algo a mudar. Peço a compreensão de todos, muito trabalho está nas nossas mesas, temos de contatar todas as organizações também trabalhando na transparência, sistemas anticorrupção, como por exemplo há na ONU. Daremos mais informações depois de 21 de outubro, na reunião do comitê executivo”.

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