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Perfil de atletas atrapalha Carpegiani na busca por time vibrante

São-paulinos negam falta de vontade, mas discurso mostra atitude ainda longe da desejada pelo técnico

Levi Guimarães, iG São Paulo |

O técnico Paulo César Carpegiani já deixou claro um dos pontos negativos que vê no São Paulo neste início de temporada: a falta de vibração da equipe dentro de campo. Para o treinador, a postura “desligada” do time em alguns momentos foi em grande parte responsável pelas derrotas contra Ponte Preta, Santos e Botafogo-SP. Além de momentos difíceis mesmo em vitórias, como contra o São Bernardo e o Linense.

Carpegiani, inclusive, pediu esforços à diretoria são-paulina pela contratação do volante Guiñazu, do Internacional, já que o argentino tem as características consideradas ideais pelo treinador para “acordar” o São Paulo. E, enquanto a negociação se arrasta, ele continua tentando incentivar os jogadores atuais a jogarem com a atitude desejada, embora alguns admitam que não têm o perfil, como é o caso de Rodrigo Souto.

“Ele deixou bastante claro lá em Cotia que quer mais vibração”, diz o volante, em referência a um treino em que Carpegiani chegou a se exaltar com alguns jogadores. “Mas não é muito a minha característica ficar gritando, gesticulando. Eu me entrego correndo, ajudando meus companheiros em campo. Se for em favor do grupo, vamos tentar ajudar da melhor forma possível”, completou.

Divulgação
Durante treino do São Paulo, Carpegiani orienta Alex Silva, principal candidato a "xerifão" do time

O lateral-esquerdo Juan, que sempre foi considerado um dos mais “raçudos” enquanto defendia o Flamengo, minimiza a suposta falta de vontade do São Paulo. “Isso acontece com muitos times. Tem vontade, tem vibração, mas às vezes deixa as coisas acontecerem um pouco e vai ter que correr atrás depois que toma o gol. Mas, quando se une, é um time muito forte, que consegue fazer boas partidas”, disse.

Para o atacante Fernandinho, outro que vem sendo titular neste começo de ano, como Souto e Juan, “é só impressão” a falta de vibração do São Paulo. Ele destaca a determinação dos jogadores, principalmente nos trabalhos físicos, e diz que “o grupo está fechado para colher os frutos em campo”.

Apesar da ligeira insatisfação, Carpegiani faz questão de ressaltar que já está contente com o grupo que tem em mãos. Em breve, ele ainda vai receber os reforços dos jogadores que estão com a seleção brasileira sub-20 disputando o Sul-Americano da categoria no Peru, e afirma que vai encontrar uma maneira de fazer a equipe jogar como ele quer.

“Tenho o Lucas, que estava fazendo o lado direito muito bem, espero que ele retorne do mesmo jeito. É um jogador vibrante. O grupo é bom e nós vamos tornar esse time competitivo. Eu vou conseguir deixar essa equipe vibrante e competitiva, nem que tenha que ir trocando e trocando até encontrar [a formação ideal]”, afirmou o treinador após a vitória sobre o Linense na semana passada.

Quem é o “xerifão”?

Para Carpegiani, Guiñazu seria o nome ideal para o São Paulo por ser um jogador de meio de campo, posição de onde teria maior facilidade para “empurrar” todo o time. Mas o fato é que o clube do Morumbi há muito tempo não tem um jogador desta posição com essa característica. Mesmo na recente fase vitoriosa, entre 2005 e 2008, os volantes e meias sempre foram atletas discretos.

Nas campanhas dos títulos da Copa Libertadores e do Mundial em 2005 e dos Campeonatos Brasileiros de 2006, 2007 e 2008, o setor foi ocupado por jogadores como Mineiro, Josué, Danilo, Souza, Richarlyson, Hernanes, Jean e Jorge Wagner. Desses, talvez o mais vibrante fosse Richarlyson, que acabou tendo como um dos motivos para sair do São Paulo justamente o grande número de cartões amarelos e expulsões.

Assim, as grandes lideranças do time nos últimos anos têm sido jogadores de defesa. Nos títulos de 2005, um dos principais destaques da “raça” exigida por Carpegiani e pelos torcedores com certeza foi o zagueiro uruguaio Lugano, ao lado do goleiro e capitão Rogério Ceni. E nos anos seguintes, Rogério assumiu o posto na maior parte das vezes praticamente sozinho.

Atualmente, além do camisa 1, o jogador que mais agrada à torcida pela vontade é o zagueiro Alex Silva. Depois de desfalcar a equipe nas últimas três rodadas do Paulistão, o camisa 3 volta a ficar à disposição de Carpegiani. E em seu perfil no Twitter, ele deu diversas declarações que podem encher o treinador de esperanças por ver um time mais vibrante em campo no próximo domingo, contra a Portuguesa.

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