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Um mês após cirurgia, lateral faz exame nesta segunda para revelar chances de retornar antes de previsão de 60 dias

Fábio Santos observa Chicão cobrando faltas. Lateral-esquerdo já marcou um gol de falta no ano.
Bruno Winckler
Fábio Santos observa Chicão cobrando faltas. Lateral-esquerdo já marcou um gol de falta no ano.

O lateral-esquerdo titular do Corinthians está perto de voltar. Fábio Santos completou um mês da cirurgia para reparação da clavícula esquerda, sofrida em 10 de agosto, contra o Santos , e faz nesta segunda um exame que pode confirmar o que os médicos do Corinthians já sentem. Os 60 dias de recuperação podem ser reduzidos com Fábio Santos voltando a jogar dentro de 20 dias.

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“O pessoal falou em 60 dias e isso dá (a volta) no jogo com o Atlético Goianiense (dia 9/10), só que a esperança é voltar o quanto antes. Até o jogo contra o Vasco (uma semana antes, dia 2) não quero deixar passar, não. Dependendo desse exame, posso até voltar aos jogos mais cedo”, disse Fábio Santos, na sexta-feira, em entrevista exclusiva ao iG .

Veja a ficha técnica do iG para Fábio Santos

Titular em 14 jogos da campanha corintiana, Fábio Santos é "pe-quente": perdeu apenas uma partida, contra o Avaí, e disse que está sofrendo por não poder entrar em campo. “Nem assisto mais aos jogos”, contou.

Leia a entrevista de Fábio Santos abaixo. Ele fala da entrada de Ramon no seu lugar, da “maior dor” que já sentiu na carreira, do apoio da família, da frustração de não estar apto a ser convocado para a seleção brasileira de “locais, de Adriano e da renovação com o Corinthians. Seu contrato se encerra em dezembro.

iG: Você já está treinando no campo, correndo. Acha que dá para antecipar a volta?
Fábio Santos: A princípio sim, já consigo fazer quase todos os movimentos. Lá dentro, na fisioterapia eu já estou batendo lateral com bola de quatro, cinco quilos. O que complica ainda é o contato físico que não pode ter. Cruzamento, finalização, falta, dá pra fazer tudo, só o que pega é o joguinho, o ombro a ombro, que demora um pouco mais pra pegar confiança. Mas vamos ver, se der tudo certo, ou se estiver faltando pouquinha coisa para calcificarjá dá para adiantar todo tipo de trabalho. Os doutores acham que é cedo para estar calcificado, mas a gente está otimista para que na segunda tenha retorno positivo do exame. 

iG: Você já olhou a tabela para ver quando volta?
Fábio Santos: Já olhei bastante. Quando machuquei foi a primeira coisa que fiz (risos). O pessoal falou em 60 dias e dá no jogo com o Atlético-GO (dia 9/10), só que a esperança é voltar o quanto antes. Até o jogo contra o Vasco (uma semana antes, dia 2) não quero deixar passar, não. Depende desse exame, pode até voltar em jogos mais cedo.

iG: Foi a maior lesão da sua carreira?
Fábio Santos: Eu tive outras desse mesmo período, de dois meses, que eu fiz cirurgia no pé. Mas esta está sendo a mais dolorosa por tudo. Pelo momento, enfim, por tudo, está sendo bem difícil ficar de fora.

iG: Estava indo bem no time, por isso dói mais?
Fábio Santos: A gente sabe que aqui no Corinthians a visibilidade é maior. Meus dois últimos anos no Grêmio foram muito bons, principalmente no ano passado, no segundo turno, pela arrancada boa, mas aqui a sequência estava sendo muito legal, o time estava numa confiança boa pelo entrosamento, a equipe estava crescendo em produção, então eu fiquei mais chateado por isso. Pelo momento da equipe e o meu momento. Até estava animado com essa seleção de jogadores só daqui do Brasil. Tinha uma perspectiva boa de estar nela. Mas não adianta ficar lamentando. O pior já passou, já completou um mês, passou rapidinho, e logo estou voltando.

iG: Foi a maior dor que sentiu na vida?
Fábio Santos: Não tem coisa igual. No vestiário (da Vila Belmiro) tomei injeção de Voltaren (antiinflamatório), rasgaram minha camisa. Fui para o pronto socorro e o pessoal me medicou lá também e só fui desamarrar a chuteira depois do jogo, de tanta dor que estava sentindo. E a viagem de lá (Santos) para cá foi terrível, o ônibus balançando, e trânsito. Liguei para o doutor às 5 horas da manhã daquele dia. Não estava aguentando e no outro dia já internei. Tinha a possibilidade de só na sexta fazer a cirurgia, mas já fui tomar remédio para dor na veia porque eu já não aguentava. Na respiração já doía e eu só pedia uma injeção, um remédio na veia porque a dor é muito grande.

iG: Você foi aos últimos jogos?
Fábio Santos: Fui a todos, menos contra o Flamengo. Parei de assistir contra o Grêmio. Fui lá (ao Pacaembu), mas não aguentei e saí no intervalo. Fui para casa e nem vi o final do jogo. Só avisei minha mulher para me contar quanto foi depois. Contra o Coritiba eu nem assisti, ficava vendo os outros jogos e quando pintava a bolinha eu mudava de canal para não saber quanto é que estava. Contra o Flamengo eu liguei só aos 40 minutos do primeiro tempo e aí eu vi o segundo gol do Liedson . Eu já avisei o pessoal (do time), me desculpem, mas (risos)... Eu nunca fiquei assim. Sempre assisti tranquilo, mas agora não sei o que está acontecendo. Fico nervoso demais.

Veja as imagens de Santos 0 x 0 Corinthians, quando Fábio Santos quebrou a clavícula

iG: O Ramon demorou, mas tem feito bons jogos ultimamente. O que tem achado do rendimento dele?
Fábio Santos: Era natural ele demorar um pouco para entrosar. Isso ocorreu com o Emerson, que levou um tempo para se adaptar ao clube, ao Alex, comigo, quando cheguei no começo do ano. Você pega o jeito do time jogar só depois de uma sequência de jogos e isso ele está tendo agora. Todos sabem da capacidade dele, todo mundo confia muito nele. O pior período nosso foi quando ele também machucou (ficou fora de dois jogos) e não tinha um jogador da posição, não tinha reserva. Mas agora com essa sequencia sem dúvida nenhuma ele está fazendo um ótimo trabalho.

iG: Com você o time perdeu só um jogo. Foram quatro gols sofridos naqueles 10 primeiros jogos. Daí você saiu, o Welder, que estava bem saiu, e o time passou a sofrer muitos gols (são 23 no Brasileirão). Entrosamento pesa muito no rendimento da defesa?
Fábio Santos: Pode ser. Acho que entrosamento conta bastante, mas o principal fator positivo nosso no começo do campeonato é que dificilmente a gente jogava de quarta e domingo. O Corinthians é um time que coloca muita intensidade no jogo e conforme os jogos foram acontecendo um em cima do outro a gente caiu. O que fazia diferença para o nosso time, que era marcar pressão, jogar o jogo inteiro naquela intensidade, acabou diminuindo um pouco. Mas sem dúvida nenhuma, a equipe que está acostumada a jogar atrás numa linha de quatro em que todo mundo se conhece joga melhor. Quando tem uma mudança assim, não só atrás, mas em qualquer posição do campo a equipe toda sente um pouco. Teve troca de goleiro, depois o Alessandro voltou e eu saí na esquerda, o Chicão ficou fora de alguns jogos, o Liedson operou. Todas essas mudanças alteram. O Liedson é um cara que marcava muito na frente, e sem ele o time acabou sentindo também. A gente não queria passar por essas mudanças, mas soubemos passar bem por esses momentos difíceis e o mais importante de tudo continuar na liderança.

iG: O que acha dos questionamentos e da pressão da torcida sobre o Tite?
Fábio Santos: Não tem muito que contestar na verdade. O trabalho todo mundo vê que está sendo bem feito e tem de aproveitar esses confrontos agora, como foi o Flamengo, para ganhar pontos dessas equipes como no primeiro turno, quando ganhamos pontos de concorrentes ao título junto com a gente. Então é continuar nessa batida, o trabalho está sendo muito bem feito e agora é tentar permanecer o máximo possível lá na frente.

Fábio Santos observa Chicão cobrando faltas. Lateral-esquerdo já marcou um gol de falta no ano.
Bruno Winckler
Fábio Santos observa Chicão cobrando faltas. Lateral-esquerdo já marcou um gol de falta no ano.
iG: Nesse tempo de recuperação você ficou muito tempo com o Adriano na fisioterapia. Acha que dá para vocês voltarem juntos?
Fábio Santos: A gente tem essa esperança de vê-lo logo. Ele estaria ajudando muito a gente. Ele está muito motivado. Estamos acompanhado o dia a dia, quando ele teve a lesão no tendão muitos não acreditavam que ele ia voltar, mas é um cara que está dando uma lição aí para gente. Pelo currículo que tem, pelo histórico que tem, tentando dar a volta por cima. Estou podendo ter um contato maior com ele ali na fisioterapia. A gente sabe que a lesão dele foi bem complicada. Mas ele está voltando. E bastante motivado. O tratamento está evoluindo e quem sabe a gente pode voltar junto aí.

iG: Você é de São Paulo e tem toda a família em sua volta. Quão importante é o apoio da família para você se motivar para antecipar sua volta?
Fábio Santos: Ajuda bastante. O que mais atrapalha recuperar da lesão é ler notícia, ler matérias, assistir futebol e não poder estar junto. Então por isso dei uma cortada, estou assistindo o mínimo possível de esporte. E tendo coisa para fazer bem melhor. Tenho meus pais, irmãs, tios, minha esposa, minha filha. Então procuro ocupar o tempo assim, passando o final de semana com eles, que como todo jogador, fazia tempos que não passava com eles. Então está sendo bom para ter esses momentos e aproveitar o apoio que eles dão para voltar o quanto antes.

iG: É como se fossem umas férias?
Fábio Santos: Férias? Quem me dera. É de segunda a sábado, dois períodos, o dia inteiro. Faz tempo que não acordo tarde. Ninguém gosta de levantar cedo e todo dia antes das 8h tenho de estar aqui. Nessas horas é que a gente mais sofre. Não concentra, passa todos dias em casa, mas todo dia em dois períodos é bem desgastante. Fiz a cirurgia numa sexta e depois de cinco dias em casa já comecei a fazer a fisioterapia em dois turnos. E esses cinco dias em casa foram terríveis. Não podia fazer nada, sentia muita dor e eu queria logo começar a fazer alguma coisa para ocupar logo a cabeça, que é bem melhor do que ficar em casa.

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iG: Você deve ter visto o lance da sua lesão algumas vezes. Acha que foi azar?
Fábio Santos: Eu não esperava o tombo porque na verdade eu tropecei nele. O Arouca (volante do Santos) deu o tapa na frente eu fui passar. Meu pé pegou na panturrilha dele e acabei perdendo a passada e não tinha como colocar a mão para amortecer a queda. Fui com o ombro direto e a pressão que deu quebrou a clavícula. Mas foi um tombo forte demais. Agora que estou de fora fico analisando os tombos durante os jogos e não acredito. Os caras dão cambalhota, caem com dois braços para trás e não acontece nada (risos). Mas não adianta ficar reclamando. Foi um lance bobo e eu falei para o pessoal. Se era para machucar, melhor que tenha sido aqui em cima que não vai afetar nada com as pernas, com pés e isso ajuda na recuperação.

iG: Seu contrato acaba em dezembro. Você está conversando para renovar?
Fábio Santos: A gente já vem conversando há um tempo, né? Mas com a lesão o pessoal deu uma parada, para eu me recuperar e não precisar falar muito nisso. Já demonstrei minha vontade, meu procurador (Gilmar Rinaldi) já falou que eu quero permanecer no Corinthians. Estou bem aqui, estou bem feliz e também demonstraram interesse de permanecer comigo, então não haverá problemas nesse sentido de ter uma renovação.

iG: O que você coloca na balança? Tempo de contrato, salário...
Fábio Santos: Claro que contrato maior te dá mais segurança para desenvolver um trabalho, mas com um ano mesmo, fazendo um trabalho bem feito também dá. O Andrés sempre deixou claro que valoriza o trabalho do atleta, se tiver que renovar vai renovar, se tiver que dar aumento, vai dar aumento, precisando ou não, então o pessoal aqui é bem bacana para negociar. Não vai haver problema nenhum. E claro, quanto maior tempo de contrato, mais segurança para o jogador. Tem questão de multa, caso vá embora. Mas isso é o de menos. Não estamos pensando muito nisso, o pensamento é continuar aqui porque estou bem feliz mesmo.

iG: Tite já disse que quem saiu do time por lesão não perde lugar. Você acha que quando se recuperar terá lugar cativo de novo?
Fábio Santos: Não estou muito preocupado com isso. Estou torcendo para que o Ramon faça um bom trabalho. O importante é ganhar, que se for campeão no final do ano todo mundo vai ser valorizado. O Tite é bem tranquilo quanto a isso, mesmo depois do pessoal que chegou ele bancou quem estava jogando, nunca teve essa de ter mais nome para estar jogando. É um cara que sabe levar o grupo e vai saber o momento certo de eu voltar. Se eu tiver que ficar uns jogos fora e brigar por posição vou brigar, respeitando o Ramon. O importante é ter esse respeito no grupo, eu sinto isso, mas se o Tite quiser voltar comigo melhor ainda (risos). 

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