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Tetracampeão, que reafirmou aposentadoria como técnico, pede para Neymar e cia. ficarem no país mais tempo

Divulgação
Parreira agora se dedica a cursos e palestras
Aposentado do cargo de técnico de futebol após 43 anos de experiência, Carlos Alberto Parreira parece ter voltado a adotar seus conceitos anteriores à Copa do Mundo de 1994. Até assumir a seleção brasileira que conquistaria o tetracampeonato nos EUA,  Parreira sonhava em transformar o futebol brasileiro em uma espécie de NBA, como todos os astros no país.

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Nesta quinta-feira, em São Paulo, ao comentar sobre Neymar e a atual geração, o ex-treinador afirma que eles podem esperar mais tempo para se transferirem à Europa. Sem pressa.

Durante sua passagem pela seleção, no entanto, Parreira não defendia a mesma tese, já que se transformara em um entusiasta do futebol europeu.

Nesta quinta-feira, o tetracampeão concedeu entrevista aos jornalistas que estiveram no Curso Master em Técnica de Campo ( veja o site ), na sede da FPF (Federação Paulista de Futebol), na zona oeste de São Paulo. Parreira ministrou a primeira aula do evento.

Confira a entrevista completa:

iG: Após tantos anos à beira do campo, como é agora passar a ensinar em cursos?
Carlos Alberto Parreira: É um prazer ensinar e repassar tudo isso. Na minha época, não tinha tanta mídia, era bem mais difícil, sem poder ver filme, sem ver nada. A gente aprendia na prática, viajando, fazendo curso pelo mundo, pela Europa. Por isso, tenho o maior prazer em passar a minha experiência para as pessoas que aqui estão.

iG: Qual é a principal lição que você tenta passar?
Parreira: Tentamos passar a qualidade e eficiência, por isso, o principal tema da minha aula é o Barcelona, que é o grande exemplo.

iG: Por falar em Barcelona, como você projeta a final contra o Santos?
Parreira: É apenas um jogo. Quem ganhar não vai mostrar a supremacia nem nada. Os dois times têm jogadores de seleção brasileira, espanhola e do mundo. O Barcelona já deve ter aprendido a lição de quem não é favorito, teve a surpresa desagradável contra o Internacional.

iG: E o que falta para um time brasileiro ter o esquema do Barcelona? Claro que não dá para ter todos aqueles jogadores, mas o esquema...
Parreira: Faltam 30 anos de escola. Falta alguém de fora para ensinar tudo isso. Mas nem adianta alguém tentar aqui, não vai dar. Nem tentem imitar porque vai ser um grande fracasso.

iG: Há chance de voltar a trabalhar como treinador?
Parreira: Nenhuma chance. Estou aposentado das quatro linhas. Não do futebol, mas das quatro linhas. Depois de 43 anos no futebol, 21 anos trabalhando fora, os nossos valores mudam. Eu penso muito na minha família agora.

iG: Como espectador, como você vê o Brasileirão?
Parreira: Parece que ninguém quer ganhar. O cara que se aproxima da liderança, vai lá e perde ou empata, que nem o Corinthians. Mas acho que do Flamengo para cima, inclusive o Fluminense, têm chance de ser campeão. Estão todos em igualdades de condições.

Neymar arrisca voleio em treino da seleção
Mowa Press
Neymar arrisca voleio em treino da seleção
iG: Como você vê o Neymar no futebol brasileiro?
Parreira: Ele é um dos grandes jogadores do futebol maior. É o maior talento do futebol mundial. E o melhor é que ele gosta de jogar, não se machuca, se diverte. Mas a gente tem que esperar o pico dele e da geração só na Copa de 2018. Em 2014, eles vão ter 20 e poucos anos ainda, vão ser novos. Podem nos surpreender, vão ser importantes, mas não vão estar no pico. Eles vão para lá de 2022.

iG: E a geração dele? Lucas, Neymar, Ganso...Eles já estão prontos para jogar na Europa?
Parreira: Acho que eles já estão prontos, podem ir, são grandes talentos. Então se dariam bem. Mas eu recomendo que saiam apenas no ano que vem. A gente vai perder muito com eles indo para lá, mas profissionalmente vai ser muito bom para eles.

iG: Como você enxerga a seleção do Mano Menezes?
Parreira: É uma responsabilidade maior jogar no Brasil, a pressão vai ser muito maior. E ele vai sentir muita a falta das Eliminatórias. É muito bom jogar na Argentina, no Paraguai, na atitude de Quito. Isso vai fazer falta. O time não precisa estar pronto agora, mas precisa começar a caminhar nessa linha. É uma coisa difícil montar esse time, porque perdemos uma geração inteira. Agora é ver como o Ronaldinho e o Kaká vão voltar.

iG: Acha que o país vai receber bem a Copa do Mundo?
Parreira: A estrutura está caminhando a passos lentos. Mas vejo interesse do governo, de todo mundo, então acha que vai ser um bom Mundial.

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