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Os personagens que marcaram a 'era Ricardo Teixeira' na CBF

Ao longo dos 23 anos que permaneceu no cargo, dirigente colecionou alianças polêmicas e muitos desafetos

Levi Guimarães, iG São Paulo |

Mais longevo presidente da história da CBF (Confederação Brasileira de Futebol)– incluindo até o período anterior, quando a entidade se chamava CBD (Confederação Brasileira de Desportos) –, Ricardo Teixeira sobreviveu no cargo por 23 anos graças às alianças que soube fazer. E, em alguns momentos, foi colocado em situações delicadas por seus desafetos dos bastidores do futebol. Nesta segunda-feira, porém, ele capitulou e anunciou sua renúncia à frente da entidade, após enviar uma carta que foi lida pelo novo presidente da CBF, José Maria Marín. Teixeira também renunciou à presidência do COL (Comitê Organziador Local) da Copa do Mundo 2014.

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Do ex-sogro João Havelange, fundamental para sua chegada ao cargo, até o mais recente braço direito, Andrés Sanchez. Dirigentes como Eurico Miranda, Mustafá Contursi, Fábio Koff e Juvenal Juvêncio. O técnico Zagallo, o ex-atacante e hoje deputado Romário. O iG relembra a participação e influência de dez dos principais personagens da “era Teixeira” no comando do futebol nacional.

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Foi Havelange quem colocou o então genro Ricardo Teixeira na CBF

João Havelange – Ex-presidente da Fifa

Presidente da CBD de 1956 a 1974 e da Fifa entre 1974 e 1998, João Havelange foi sogro de Teixeira até 1997 e principal articulador de sua chegada à CBF. Nas eleições para a presidência da entidade em 1989, a disputa seria com Nabi Abi Chedid, então vice-presidente. Mas a colaboração de Havelange fez com que a vitória de Teixeira ficasse clara antes da eleição, com apoio maciço das federações estaduais. O cenário acabou transformando-o em candidato único, com Chedid como vice-presidente.

Ao longo das últimas décadas, apesar do divórcio de Teixeira com a filha de Havelange, Lúcia, os dirigentes seguiram próximos. Recentemente, os dois foram investigados pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) pela suspeita de terem recebido propina da empresa de marketing esportivo ISL em 2001. Apesar de uma determinação da Justiça suíça, no entanto, documentos sobre o caso em poder da Fifa ainda não foram divulgados.

Marcelo Campos Pinto – Diretor da Globo Esportes

Como principal executivo da Rede Globo em relação aos contratos de transmissão do futebol no Brasil, Campos Pinto manteve laços próximos com a CBF durante a maior parte da administração de Teixeira. A relação, no entanto, foi fortemente abalada no ano passado, após a concorrência para os direitos de TV a partir de 2012. Apesar da ajuda da CBF para que o Campeonato Brasileiro seguisse com a Globo, o Jornal Nacional exibiu reportagem sobre suspeitas de corrupção da entidade, o que foi considerado por Teixeira uma traição.

Eurico Miranda – Ex-presidente do Vasco e deputado

Presidente do Vasco de 2000 a 2009, Eurico Miranda já tinha participação ativa na política do futebol carioca desde a década de 1970. Quando Teixeira foi eleito presidente da CBF, ele foi indicado por João Havelange para ocupar o cargo de diretor de futebol e, assim, ajudar o ainda inexperiente dirigente. A partir do final dos anos 1990, os dois se distanciaram e colecionaram episódios de atrito. O último deles aconteceu no final de 2011. Mesmo fora do Vasco, Eurico acusou a CBF de fazer a tabela do Brasileirão em benefício de Flamengo e Corinthians e chamou de “sacanagem” as indicações de Ronaldo para o COL (Comitê Organizador Local) da Copa e de Andrès Sanchez para a CBF enquanto Corinthians e Vasco disputavam o título.

Mustafá Contursi – Ex-presidente do Palmeiras

Outro cartola que estabeleceu um feudo em um grande clube brasileiro durante a “era Teixeira”, Mustafá Contursi dirigiu o Palmeiras de 1993 a 2005 e foi chefe da delegação tetracampeã do mundo na Copa de 1994. Anos depois de deixar a presidência, ainda tem forte influência na política do clube e do futebol paulista e nacional. Aliado de Teixeira, recentemente promoveu uma aproximação do dirigente com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, de quem é amigo pessoal.

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Hoje diretor de seleções da CBF, Andrés é apontado como possível futuro presidente da entidade

Andrés Sanchez – Diretor de seleções da CBF e ex-presidente do Corinthians

Desde que chegou à presidência do Corinthians, em 2007, a aproximação de Andrés Sanchez com Ricardo Teixeira foi gradual e intensa. Contou com o apoio da CBF para desbancar o Morumbi e garantir o futuro estádio do clube como sede paulista para a Copa de 2014, além de superar o rival Juvenal Juvêncio, presidente do São Paulo, em outros episódios, sempre com o apoio de Teixeira. Em 2010 foi chefe da delegação brasileira na Copa da África do Sul e, no final de 2011, assumiu a diretoria de seleções da CBF. É inclusive apontado como possível presidente da entidade em um futuro próximo.

Juvenal Juvêncio – Presidente do São Paulo

Provavelmente, Juvenal Juvêncio foi o dirigente de clube que mais bateu de frente com Teixeira – e que, na maioria das vezes, pagou caro por isso. Alguns exemplos: o rompimento com o presidente da Federação Paulista, Marco Polo del Nero, após denúncia de um suposto suborno à arbitragem no final do Brasileirão de 2008; o apoio a Fábio Koff contra Kléber Leite, candidato de Teixeira, na última eleição do Clube dos 13; a resistência às exigências da Fifa para que o Morumbi fosse a sede paulista na Copa, o que resultou na exclusão do estádio.

As aparências foram mantidas enquanto o estádio são-paulino era considerado a opção para sediar o Mundial de 2014. Mas a partir da escolha do estádio do Corinthians, o racha entre São Paulo e CBF foi definitivo.

Fábio Koff – Presidente do Clube dos 13

Foi escolhido por Teixeira para ser chefe da delegação brasileira na Copa de 1998, na França, mas diz ter se arrependido de aceitar o posto e, desde então, só teve conflitos com o chefão da CBF. O auge aconteceu no ano passado, quando, segundo Koff, Teixeira e Marcelo Campos Pinto, da Globo, articularam o racha no Clube dos 13 que possibilitou à emissora fechar acordos individuais com os clubes para manter os direitos de TV do Campeonato Brasileiro.

Américo Faria – Ex-diretor de seleções

Foi supervisor da seleção brasileira de 1991 a 1998 e voltou para o cargo em 2002, antes da conquista do pentacampeonato, quando foi apontado por Ricardo Teixeira como um dos grandes responsáveis pelo título. Depois, até 2010, foi diretor de seleções, incluindo a equipe principal e as categorias de base, mas foi demitido após a Copa da África do Sul, junto com toda a comissão técnica de Dunga.

Zagallo – Ex-técnico da seleção

O ex-treinador Mario Jorge Lobo Zagallo Foi uma das figuras mais presentes no trabalho dentro de campo durante a “era Teixeira”, como auxiliar de Carlos Alberto Parreira em 1994, nos Estados Unidos, e como técnico na Copa de 1998, na França. Colaborou para o fim do jejum de 24 anos sem títulos do Brasil.

Romário – Ex-atacante e atual deputado federal

Como jogador, Romário foi o maior responsável por um dos momentos de sucesso da entidade enquanto comandada por Ricardo Teixeira, ao liderar a seleção na conquista do tetracampeonato mundial em 1994. Ficou fora das Copas de 1998 e 2002 e desde que se tornou deputado, no ano passado, vem tendo uma postura bastante crítica em relação à CBF, amenizada somente após a entrada de Ronaldo no COL. Mesmo assim, foi um dos primeiros a dar adeus a Teixeira e pediu intervenção da presidenta Dilma Rousseff na entidade.

Agência O Globo
Como deputado, Romário adotou postura crítica a Ricardo Teixeira e só amenizou o tom após a chegada de Ronaldo ao COL

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