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Oposição do São Paulo acredita ter obtido vitória "irreversível"

Liminar concedida pela Justiça esta semana impede votação para mudança de estatuto pelos conselheiros

Levi Guimarães, iG São Paulo |

A semana foi agitada nos bastidores políticos do São Paulo. Começou com o presidente Juvenal Juvêncio dizendo que a oposição no clube “não existe”, teve uma reunião cujo principal objetivo, de alterar o estatuto, foi impedido por uma liminar e termina com os principais rivais do atual presidentes comemorando o fortalecimento do movimento contrário ao terceiro mandato consecutivo.

Em entrevistas exclusivas ao iG, Edson Lapolla e Aurélio Miguel mostraram confiança em que a decisão judicial desta semana pode, de fato, impedir a candidatura de Juvenal à reeleição. Lapolla, que já se declarou “candidato de protesto”, acredita que a decisão é “irreversível”. E Aurélio, derrotado por Juvenal na eleição de 2008 e responsável pelo pedido da atual liminar, chama de “golpe” uma possível reeleição.

“Ele já teve [a reeleição]. Qualquer criança no clube sabe. No discurso de posse, em abril de 2008, ele agradece pela sua reeleição. É muita cara de pau, é achar que os conselheiros são bobos. Mas isso não vou discutir mais. Está toda a torcida contra ele, toda a imprensa contra ele, porque ele não pode manchar a história do São Paulo. Era isso que nós queríamos”, afirma Lapolla.

“A nossa vitória eu acho que é irreversível. Pelo bom senso dos juízes, se todos eles mantiverem o que eles estão analisando já há quatro anos, essa discussão de reforma estatutária, tem jurisprudência. E se eles não cassarem essa liminar, ele não pode ter terceiro mandato e ponto final”, completa.

Lapolla se refere à jurisprudência porque mesmo o atual estatuto está sendo questionado na Justiça. Isso porque ele foi aprovado apenas pelos conselheiros, quando supostamente deveria ser votado por todos os sócios do São Paulo. Caso a liminar não seja cassada, a mudança que permitiria a Juvenal se candidatar em 2011 também teria de ser votada por essa assembléia.

“Se ele aceitar fazer uma assembléia agora, pra tentar o terceiro mandato, ele nega a eleição de 2008, porque assume que precisa da assembléia geral [pra mudar o estatuto]. Ele está numa sinuca de bico, como se diz na gíria. Eles vão tentar cassar, eu imagino, mas acho difícil, porque aqui em São Paulo sempre perderam e o processo está lá em Brasília”.

Além de a convocação de uma assembléia geral supostamente reconhecer a ilegalidade da eleição de 2008, Lapolla também aposta que Juvenal não aceitaria essa opção porque “ele está longe de ter 50% dos votos” dos sócios. “Até muitos conselheiros que assinaram o tal manifesto dele [pela reeleição], no fundo do coração são contra”, afirma.

O ex-judoca Aurélio Miguel também confia na renovação de força da oposição dentro do São Paulo. “Com a decisão do juiz, agora ele não pode se candidatar. Acabou. Uma reeleição é decisão da Justiça, e decisão da Justiça cumpre-se. Eles podem lutar pra derrubar [a liminar] e nós vamos lutar pra ter uma nova. Nós não vamos esmorecer”, afirma.

Futura Press
Aurelio Miguel diz que a oposição não deixará Juvenal Juvêncio tentar um novo mandato

Fim da alternância no poder?

Segundo os opositores, o principal questionamento é em relação ao fim da democracia no São Paulo, que iria contra a tradição da vida política no clube. Aurélio Miguel chega a chamar de “golpe” a intenção de Juvenal de ser reeleito e faz uma comparação com o ex-presidente Lula.

“O Lula não conseguiria tentar o terceiro mandato e nem quis. Ele poderia até gastar as fichas, mas preferiu fazer uma sucessora. Lançou e conseguiu eleger a Dilma. Eu não sei porque o Juvenal insiste em querer se perpetuar no poder. A história do São Paulo sempre foi de uma eleição e uma reeleição e ele está querendo mudar essa história”, diz.

O ex-judoca e atual vereador diz não ter nada pessoal contra o atual presidente e até agradece pelos feitos do mandato. “Não tenho nada contra o Juvenal. Como são-paulino, tenho até que agradecer, porque no seu mandato teve a felicidade de ganhar três títulos brasileiros”.

Lapolla, que durante anos defendeu o mesmo grupo político de Juvenal, também diz não questionar se a administração foi boa ou não. Mas condena a reeleição com veemência. “Terceiro mandato em hipótese nenhuma. Isso é contra as tradições do São Paulo. Nenhuma hipótese. Zero. Essa alternativa não existe. Falo por mim e por todos os outros da oposição. Desconsidere essa alternativa”.

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