Com obras dentro dos prazos estabelecidos, dutos da Transpetro são única dor de cabeça no Fielzão

As obras do futuro estádio do Corinthians já completaram três meses e acontecem num ritmo satisfatório de acordo com Frederico Barbosa, gerente operacional da Odebrecht, empresa que conduz as ações do palco paulista na Copa de 2014 . Só uma questão ainda sem resposta do Corinthians atrapalha um andamento mais tranquilo da construção: os dutos da Transpetro, ligada à Petrobrás , que estão abaixo do terreno onde o estádio está sendo construído.

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Em entrevista ao iG na quarta-feira, Barbosa disse que a indefinição sobre a realocação dos dutos não impede o andamento das obras, mas atrapalha. Esta ação independe da Odebrecht segundo o gerente. Corinthians e Transpetro negociam os valores que serão gastos para fazer essa remoção. O montante bate nos R$ 30 milhões. Procurados pela reportagem, nem o Corinthians, nem a empresa ligada à Petrobrás deram um prazo para a solução do impasse. A Odebrecht só espera que ele seja resolvido neste ano para terminar as obras dentro do prazo, em dezembro de 2013, mesmo o com o cronograma apontando o término para julho de 2014, durante a Copa .

Primeiros pilares foram erguidos no terreno na quinta-feira
Divulgação
Primeiros pilares foram erguidos no terreno na quinta-feira

Leia a entrevista com Frederico Barbosa, gerente operacional da Odebrecht

iG: Em que ponto a Odebrecht pode ajudar na remoção dos dutos e quanto tempo isso deve levar no máximo para não atrapalhar o andamento das obras?
Frederico Barbosa:
Os dutos quem está resolvendo é o Corinthians com a Transpetro. Agora, como vai ser configurado isso não sei. Pode ser até a gente, não sei. A negociação é Corinthians. Os dutos passam onde vai ficar uma parte do prédio. Nós temos todo o resto para trabalhar. Os dutos vão passar por volta. Ele, hoje, atrapalha uma lateral do prédio. Então o que a gente está fazendo? Esperando isso ter um desfecho, entrar, fazer, e adiantar as obras onde não passa os dutos.

iG: Isso atrapalha em quanto o andamento da obra? Nada?
Por enquanto nada.

iG: Mas tem prazo para que isso aconteça e não venha a atrapalhar?
Lá nos primórdios, lá no começo da conversa, era para esse ano estar pronto e é o que a gente espera. Se não ficar pronto esse ano, vai atrapalhar? Vai atrapalhar. Nós temos de achar um escape. Vamos nos concentrar nas outras áreas. Eu concentro em outro lugar. É o ideal? Não, não é. Mas tenho de fazer assim. Eu espero que libere para gente trabalhar mais rápido. Eu tenho de escolher a melhor alternativa e o melhor caminho. Eu espero que esse ano esteja pronto. Vamos ver e torcer.

iG: Já tem algo sendo feito?
Onde vai ser implantado os dutos está pronto já. A terraplenagem onde vão ficar os tubos já ficou pronto agora em agosto. Agora em setembro tem de começar a fazer. Acho que vai conseguir, se Deus quiser consegue. Se conseguir, aí sim não tem mais nada. Se não, vamos concentrar em outro lugar e esperar. Impede? Não. Mas atrapalha. Nós estamos otimistas.

iG: Quanto tempo podem esperar?
Prefiro nem falar. Quanto mais rápido tirar, para nós é mais confortável. Eu gostaria que tirasse isso logo para eu ter liberdade para trabalhar. A Transpetro já veio no primeiro dia (de obras) e fez integração e em agosto limpamos tudo e terminamos toda escavação. Agora é o desfecho.

Primeiros pilares foram erguidos no terreno na quinta-feira
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Primeiros pilares foram erguidos no terreno na quinta-feira

iG: Fora isso, quais são os principais entraves que podem atrapalhar a obra?
O maior é chuva, mas isso já está contemplado. Está dentro do planejamento. É igual quando você vai viajar. Eu vou sair de carro aqui, parar em tal lugar para abastecer, vou ter de levar dinheiro trocado para pagar pedágio e você vai. Aí na estrada começa a chover. Você diminuiu um pouquinho, mas na hora que está seco você dá uma acelerada. Funciona assim: o cronograma direciona a gente para o prazo. Dentro desse prazo tem ajustes. Se a chuva for muito intensa, nós vamos acelerar após a chuva, se ela for mais amena, a velocidade é um pouco menor. Se tiver atividades que a gente possa antecipar, vamos antecipar para na hora da chuva ter essa folguinha. Acelerar é fazer atividades paralelas, fazer esquemas de trabalho em dois, três turnos.

iG: A primeira etapa da terraplenagem duraria estes três primeiros meses. Ela está concluída?
Terraplenagem é a obra toda. Vai até enquanto estiver fazendo os estacionamentos, os pavimentos, os acessos, ela não para. A terraplenagem dura até o fim da obra. É diferente de um prédio, por exemplo que você vai fazer na (Avenida) Paulista, num bairro qualquer, que você vai lá e escava todo e depois não vai mais. Aqui não, aqui a área é grande e você não entra e simplesmente quando acaba uma atividade, acabou, pronto. Não é. Ela acompanha toda a obra.

iG: A Odebrecht fez um primeiro contrato para apenas os três primeiros meses, estes da primeira terraplenagem. O contrato para o restante da obra já foi feito?
O que tem que ver é que é um contrato particular com o Corinthians. A relação da Odebrecht com o Corinthians é uma relação de alta confiança. Tem coisas que estamos fazendo nas obras, mas que não estão nesse primeiro contrato. Essa assinatura (de um novo contrato), esse tipo de coisa não está causando nenhum tipo de problema aqui, não. A obra está seguindo naturalmente sem interferência. Existe a relação de confiança entre o cliente e o contratado e essa relação só melhora. (NR.: um novo contrato deve ser assinado neste mês de acordo com a assessoria da Odebrecht)

iG: A Fifa deu uma folga no prazo e vocês até colocaram no site das obras que o prazo para conclusão é fevereiro de 2014 .
Na entrevista que dei em 30 de maio (no início das obras) já falei de dezembro de 2013. Apesar de a Fifa dar dois meses de tolerância. Não pensamos em fevereiro, mas vai lá que acontece algum problema. Haverá tolerância? Se houver necessidade, sim. Assim como se andar muito bem, a chuva ajudar, der tudo certinho e a gente terminar em outubro. E aí? Isso é igual um atleta. Se puder fazer mais rápido eu vou fazer, sempre dentro da segurança, mas sempre também com um ritmo acelerado.

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