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"O Fred não manda no Fluminense", afirma Peter Siemsen

Presidente elogia postura do capitão, lamenta venda de Conca e não se arrepende de ter afastado Emerson

Marcello Pires, iG Rio de Janeiro |

Quando assumiu a presidência no dia 20 de dezembro, Peter Siemsen sabia que teria um árduo trabalho pela frente para equacionar a gigantesca dívida do Fluminense e reestruturar o clube como instituição. O que o mandatário tricolor não poderia imaginar é que a temporada seguinte ao título brasileiro seria coroada de insucessos, polêmicas e até mesmo caso de polícia, quase numa repetição do que ocorreu em 2010, na Gávea, com o rival Flamengo.

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Pouco mais de oito meses após ser empossado na sede das Laranjeiras, Peter ainda não viveu um momento de tranquilidade sequer. Sereno, mas falante como de costume, o presidente do Fluminense atendeu com exclusividade a reportagem do Portal iG na sede das Laranjeiras.

Na conversa de aproximadamente uma hora, ele falou mais uma vez sobre a saída conturbada e inesperada de Muricy Ramalho, afirmou que a venda de Conca foi a maior tristeza de sua gestão e revelou que Fred não faz o que quer e muito menos manda no clube como muitos pensam.

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“A venda do Conca é minha maior tristeza como presidente. Fiquei muito triste e chateado com a saída dele, mas acho que não tinha o direito de pegar um jogador com a conduta e o comprometimento que ele teve com o clube durante todo esse período e puni-lo por isso. Ao mesmo tempo, não tínhamos condição de pagar R$ 2 milhões por mês para ele, nem por intermédio do nosso patrocinador. O casamento entre Fluminense e Conca nunca será desfeito. Entrou para a história”, afirmou.

Mas Conca e Fred não foram os únicos jogadores a lhe trazer dor de cabeça. Firme ao afastar Emerson às vésperas de um dos jogos mais importantes da temporada, Peter preferiu não citar os problemas particulares que atrapalharam o desempenho do jogador, disse que não se arrepende da decisão e afirma que esperava uma conduta diferente do autor do gol do título de 2010.

Ralff Santos/Fluminense/FC
Presidente afirma que Fred não fazer o que quer no Fluminense
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“Naquele momento o Emerson estava incompatível com o que estava acontecendo com o clube. Nos envolvemos com ele e o tratamos de uma forma especial. Por isso, eu esperava dele um retorno especial também. Mas não foi possível e cada um seguiu sua vida”, lamentou Peter Siemsen.

Se a reestruturação de Xerém é um dos orgulhos de sua gestão até o momento, as críticas pela maneira com que as diretorias anteriores trataram as categorias de base do clube e venderam algumas de suas principais promessas sem ver o investimento recompensado dentro de campo ficam evidentes no discurso de Peter Siemsen.

O presidente falou ainda sobre a opção de esperar três meses por Abel Braga, o relacionamento e a vontade de renovar com a patrocinadora do clube e o sonho quase realizado do Fluminense de finalmente ter seu Centro de Treinamento.

Confira a entrevista na íntegra:

DÍVIDA

“Ela não me assustou porque acompanho o balanço do Fluminense e boa parte eu já conhecia. Sabia que era uma dívida grande, com uma composição complexa, já que o fato de o clube ter quase a metade em dívidas trabalhistas torna a administração muito mais difícil. Outra coisa foi a questão dos adiantamentos e vendas de ativos, que essa eu não tinha conhecimento, pois não estava no balanço. O que me assustou ao assumir foi a falta de perspectiva de geração de caixa. Boa parte das receitas para 2011 já estavam adiantadas, inclusive algumas de 2012 Também havia adiantamento de contratos de televisão. Em 2011, praticamente nós só recebemos da Libertadores, o que é muito pouco. O clube já tinha feito um contrato de 10 anos com uma empresa de marketing com um valor adiantado e a empresa que operava a distribuição de ingressos já tinha recebido R$ 1 milhão adiantado. Ou seja, além da dívida, a gente não tinha fluxo de caixa. Então tivemos que fazer um esforço triplicado para antecipar algumas negociações”.

CENTRO DE TREINAMENTO

“A questão do Muricy não atrapalhou nossa procura por um Centro de Treinamento, e sim o funcionamento do clube como um todo. Principalmente o relacionamento do Fluminense no mercado, porque tumultuou, tirou o foco e criou fatos que não existem para justificar o injustificável. Isso tudo atrapalhou o planejamento técnico do futebol. Mas o processo está bem adiantado e só não podemos falar muita coisa sobre o assunto, pois ainda não fechamos com todos os nossos parceiros”

Ralff Santos/Fluminense/FC
Presidente afirma que Fred não fazer o que quer no Fluminense
MURICY 

“O clube tem uma hierarquia. Talvez o fato de o vice-presidente não ter sido uma pessoa do meu relacionamento, naquele momento, dentro do futebol, criou uma dificuldade maior. Ou seja, o clube caminhou numa direção quando os problemas caminhavam em outra. Obviamente, a saída do Muricy afetou o planejamento técnico. Ele alegou que não estava se sentindo bem, que esperava mais da estrutura. Argumentei que isso não caía do céu, e ele não deu uma explicação muito profunda. Foi superficial. A única coisa que ele reclamou, de fato, foi a troca da assessoria de imprensa, que é um cargo da confiança do presidente. Acho uma pena a forma como ele saiu. Ele poderia ter saído por cima e acabou saindo de uma maneira que não foi legal nem para ele e nem para o Fluminense. Não tenho a menor dúvida de que já existia uma negociação em curso com o Santos”

EMERSON

“Não me arrependo, de maneira nenhuma, de ter afastado o jogador. Naquele momento o Emerson estava incompatível com o que estava acontecendo com o clube. Ele sempre foi tratado com muito carinho, inclusive por mim, porque, na ocasião, ele passava por um período difícil e sempre tentamos ajudá-lo fora de campo. E nós esperávamos, por parte dele, um envolvimento na luta para reerguer o clube daquela situação complicada, e a atitude dele foi contrária. Você percebia o Fred e o Rafael Moura, por exemplo, envolvidos nessa luta, já que o rompimento com o Muricy foi doloroso. Eu esperava do Emerson um comprometimento forte com o grupo. Além disso, houve o episódio do ônibus. Não foi só o refrão da música do bonde que me fez tomar a decisão. Outras coisas aconteceram durante a viagem e não foram legais, e ele se mostrou muito distante do trabalho que estava sendo feito naquele momento. Nos envolvemos com ele e o tratamos de uma forma especial. Por isso, eu esperava dele um retorno especial também. Mas não foi possível e cada um seguiu sua vida”.

Ralff Santos/Fluminense/FC
Presidente afirma que Fred não fazer o que quer no Fluminense
CONCA

“Essa é a minha maior tristeza. No início, ele próprio não quis ir e o clube também não tinha interesse em liberá-lo. Ele era o ídolo do Fluminense, referência da torcida e o craque do último Campeonato Brasileiro. Apesar do pouco tempo de convivência, aprendi a gostar dele e a apreciar a sua maneira de conduzir as coisas. Fiquei muito triste e chateado com a saída dele, mas acho que não tinha o direito de pegar um jogador com a conduta e o comprometimento que ele teve com o clube durante todo esse período e não liberá-lo. Ao mesmo tempo, não tínhamos condições de pagar R$ 2 milhões por mês para ele, nem por intermédio do nosso patrocinador. Ele continua sendo nosso ídolo, mas foi uma situação de mercado e que nós temos que aceitar. Temos que ocupar esse espaço de outra maneira. Sempre será a minha maior dor. Como torcedor sempre gostei do Conca e depois como presidente passei a admirá-lo também. Não temos como prever a volta dele. Vai depender do momento. Mas o casamento entre Fluminense e Conca nunca será desfeito. Entrou para a história”

ESPERA POR ABEL

“Na verdade, naquele momento as opções não eram as ideais. O Enderson Moreira veio para ser auxiliar permanente e até fez um trabalho interessante naquele período difícil, como qualquer outro treinador poderia ter feito. Mas essa espera pelo Abel casou por ser um treinador muito identificado com o Fluminense, uma pessoa elogiada por todos, que eu mal conhecia, mas que só pelas entrevistas dele na passagem pelo clube, em 2005, percebi que era um cara que valeria a pena esperar, até porque não havia mágica a fazer naquele momento. Mas estou feliz de ter o Abel como treinador do Fluminense e tenho certeza de que ele vai encontrar a equipe ideal e conseguir bons resultados”

Ralff Santos/Fluminense/FC
Presidente afirma que Fred não fazer o que quer no Fluminense

MARACANÃ

“Isso é uma negociação que ainda não foi iniciada com quem detém os direitos, que é o Governo do Estado. Estamos conversando pouco sobre o assunto, o ideal seria que a gente estivesse conversando mais e já tivéssemos uma proposta mais concreta por parte dos responsáveis. Mas não temos, e isso aflige a nós e outros clubes, porque alugar estádio não serve mais para o Fluminense. Temos que encontrar uma solução”.

PATROCINADORA

“Por mim continua, porque é uma boa parceria para o clube. Do ponto de vista esportivo, mostra que ela trouxe grandes benefícios ao Fluminense. Se o clube não se cuidou e deixou a situação financeira e patrimonial chegar aonde chegou, a responsabilidade é do clube, e não da Unimed. Nossa ideia é continuar. Ainda não iniciamos formalmente a negociação, mas ambas as partes já demonstraram vontade de manter o contrato. A relação teve alguma dificuldade como às vezes você tem com sua família, no trabalho, e hoje ela caminha para uma unidade bem interessante. Como existe vontade entre as partes, não vale nem a pena imaginarmos o clube sem a Unimed. Mas o Fluminense tem que ter condições de sobreviver daqui a 10, 20 anos, porque a Unimed não é obrigada a patrocinar o clube pela vida inteira. O Fluminense só vai se restabelecer quando conseguir zerar essa pedra e gastar tanto quanto recebe".

CATEGORIAS DE BASE

“O Fluminense até tem formado alguns jogadores de muita qualidade em Xerém, mas poucos renderam e poucos jogaram muito tempo pelo clube. Se pensarmos no mercado, por exemplo, o Arouca foi um que jogou bastante tempo, mas ele saiu a custo zero e o Flu não recebeu nada. Isso é o que preocupa. O Marcelo entrou como salvador da pátria porque o clube estava mal no ano que ele subiu, jogou bem e já foi vendido no ano seguinte. Os gêmeos (Rafael e Fábio, do Manchester United) nem jogaram, o Wellington Silva você conta na palma da mão quantas vezes jogou. O Maicon foi um dos jogadores mais importantes da arrancada de 2009 e foi vendido no ano seguinte antes de o Fluminense ganhar o Brasileiro. Não sabemos usar nossa categoria de base. Sabemos que pela situação financeira do clube, alguns terão que ser vendidos precocemente, pois há uma necessidade de caixa natural, mas outros têm que ter um tempo de permanência maior, pelo menos até os 23 anos, de modo que você consiga resultados esportivos e, ainda, rentabilizar uma eventual saída do jogador. A chave será esse equilíbrio".

XERÉM

“Estamos fazendo um trabalho forte em Xerém. A primeira parte das obras está ficando pronta essa semana e as outras ficarão em sequência. Os campos estão em processo acelerado de reestruturação e devem estar concluídos em 60 dias. Agora serão dois, e em seguida vamos reformular mais dois, já que não posso ocupar todos ao mesmo tempo senão os garotos não têm lugar para treinar. Por último, nós vamos construir um campo de grama sintética. Em 2012, entra a segunda parte do projeto, que é a construção de uma nova área técnica, com novos vestiários, inclusive para visitantes. Estamos fazendo uma reestruturação mais enxuta nas categorias de base. O Fluminense era conhecido por sofrer assédio de outros clubes e nós queremos reverter essa situação e fazer uma captação muito forte no mercado".

Ralff Santos/Fluminense/FC
Presidente afirma que Fred não fazer o que quer no Fluminense
FRED

“O Fred não manda no clube. De maneira nenhuma ele faz o que quer. Quem acompanha o dia a dia aqui sabe disso. Todo mundo sabe que o Abel é um técnico duro, que enquadra o grupo e que com ele não tem espaço para isso. O fato de o Fred ter estado na Seleção e ter tido algumas lesões o fez ficar fora de muitos jogos, mas nós o apoiamos. Nos momentos difíceis, ele sempre foi um grande líder. Desde a arrancada de 2009 até o momento da saída do Muricy, em plena disputa da Libertadores. O Fred agarrou o grupo firme, juntou todo mundo e lutou junto. A gente não pode dizer que ele não ajuda o Fluminense. Pelo contrário, ele luta pela instituição. Mas, como toda pessoa pública, ele está exposto, e se o time não tiver bons resultados a torcida reage. Já reagiram comigo, outras com o técnico e agora com o Fred. Isso é normal, e já vimos essas situações ocorreram em outros clubes. O que não pode, e é inaceitável, é a torcida, representada por um ou outro torcedor, ultrapassar a fronteira do respeito à privacidade da vida humana. Se tem algo a reclamar, que o faça com faixas, que questione a diretoria por não ter tomado uma atitude, mas de maneira nenhuma podem invadir a privacidade de uma pessoa que é séria. Toda a vez que o Fred é chamado, ele responde de maneira profissional ao Fluminense. O clube é parceiro do Fred".
 

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