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Futebol
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Nas finanças, Corinthians e Tolima mostram discrepância marcante

Folha dos colombianos não tem salários maiores que R$ 12 mil. Clube se orgulha de pagar em dia

Bruno Winckler, iG São Paulo |

Pobre, mas cumpridor dos seus deveres. É assim que o presidente e dono do Deportes Tolima, Gabriel Camargo, define a atual situação financeira do clube que tentará afastar o Corinthians do título da Libertadores na primeira fase do torneio deste ano.

Bruno Winckler
Gabriel Camargo, presidente do Tolima, no hotel onde se hospeda em São Paulo

Com um folha salarial de U$$ 300 mil (cerca de R$ 480 mil), o Tolima e seu presidente nem sonham em comparar-se ao Corinthians sob o ponto de vista dos gastos mensais – o time paulista paga R$ 5 milhões a jogadores e comissão técnica –, mas acreditam em aprontar no Pacaembu, quarta-feira, no jogo de ida da fase pré-grupos do torneio sul-americano. “No campo, são 11 contra 11”, disse Camargo, no saguão do hotel onde a delegação do Tolima está hospedada em São Paulo.

Milionário, ex-senador na Colômbia e apaixonado pelo Tolima, Camargo não esconde a dificuldade que tem para arrecadar recursos para bancar o clube. “Gasto do meu bolso muitas vezes”, conta. Camargo ri quando fica sabendo que Ronaldo, sozinho, ganha mais de R$ 1 milhão por mês no Corinthians somando o seu salário fixo (R$ 400 mil) e acordos de patrocínios.

O Tolima arrecada, por ano, R$ 1 milhão em patrocínios. O Corinthians fatura cinquenta vezes mais. Pelos direitos de transmissão dos jogos, o Tolima angaria apenas R$ 500 mil por ano. O Corinthians recebe cerca de R$ 25 milhões.

“Oxalá eu tivesse como gastar tudo isso com o Tolima”, disse Camargo, empresário do ramo avícola e dono de uma rede de restaurantes na Colômbia. A conta é modesta, mas Camargo e toda a cúpula diretiva do Tolima não pensaram duas vezes antes de escolher o lugar do primeiro almoço em São Paulo, na tarde de segunda-feira. Foram ao Vento Haragano, uma das churrascarias mais caras da capital paulista. “Um primor”, disse o presidente, ciceroneado por Juan Figer, agente uruguaio com boa penetração no mercado do futebol brasileiro, que acompanhou os tolimenses no almoço. “Ele é um amigo de longa data”, conta.

Camargo assumiu o Tolima pela primeira vez em 1979, quando comprou 98% das ações do clube. Em 1983, deixou o comando do clube para dedicar-se à política. Nesse período, o time caiu para a segunda divisão e só retornou à Série A colombiana em 1994, depois que Camargo voltou ao time para não deixá-lo mais. Bem relacionado com empresários do ramo do futebol, Camargo orgulha-se de montar um time modesto financeiramente, mas que consegue bons resultados no campo. Em 2010, apesar de não ter conquistado títulos, o Tolima fez a melhor campanha da Colômbia somando-se os dois torneios locais.

 

Sem estrelas no elenco, o maior salário entre os jogadores do clube é de US$ 7,5 mil (R$ 12,5 mil), valor que recebem as principais estrelas do time, o volante Diego Chará e o atacante Wilder Medina. “O time é pequeno, mas paga em dia. Só três ou quatro clubes na Colômbia são assim”, conta Medina, goleador da equipe. No Corinthians, os titulares recebem mais de R$ 80 mil. “O mais importante é que o dinheiro gasto no Tolima é dinheiro bom, dinheiro são”, disse, rechaçando qualquer participação do narcotráfico do país no dia-a-dia do clube.

O presidente do Tolima se recente apenas do baixo valor que consegue arrecadar com bilheterias. Os ingressos na Colômbia não caros. O mais oneroso, em jogos do Tolima, é de R$ 25. Além disso, Camargo reclama da ausência do torcedor do clube nos jogos do time. “Dizem que temos a quarta maior torcida do país, mas não vejo isso no estádio”, disse. “Ibagué (cidade do clube) não tem indústrias, se sustenta pelo cultivo de arroz, não há muitos investimentos no futebol”, completou.

Para o jogo da volta contra o Corinthians, no dia 2 de fevereiro, Camargo pensa em majorar o preço dos ingressos. "Depende muito do resultado aqui, mas claro que vão ficar mais caros. Este jogo será uma grande atração na cidade", conta Camargo, planejando entrar na fase de grupos para garantir além do ganho no campo, com mais prestígio internacional, ter também mais jogos em que possa faturar com bilheteria.

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