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¿Não devemos a ninguém no futebol brasileiro¿, diz Carpegiani

Técnico do São Paulo diz, em entrevista ao iG, que elenco atual já tem condição de disputar títulos

Levi Guimarães, iG São Paulo |

Há pouco mais de três meses no comando do São Paulo, o técnico Paulo César Carpegiani mostra total confiança no potencial do time em acabar com o jejum de dois anos sem títulos. Nesta segunda parte da entrevista exclusiva ao iG, o comandante são-paulino faz uma análise do elenco que tem em mãos e da expectativa para a temporada 2011.

“Em nenhum momento eu tive qualquer tipo de dúvida com relação ao desenvolvimento desse trabalho. Pela própria estrutura, pelas condições que tenho e modestamente pela confiança que tenho em mim. Temos condições sim e acho que não ficamos devendo para ninguém no futebol brasileiro”, afirma Carpegiani.

O treinador destaca que, agora, já conhece melhor todos os jogadores do elenco são-paulino, já que foram poucas as mudanças em relação a 2010. E afirma que isso lhe dá tranquilidade para trabalhar.

Em relação a reforços, ainda esperados, Carpegiani mostra compreensão com a diretoria, falando sobre a grande dificuldade que existe no mercado para todos os times, principalmente porque ele diz querer atletas para serem titulares. Para compor o grupo, o treinador volta a afirmar, ele tem os atletas da base.

Mesmo assim, uma preocupação ele admite publicamente: com a lateral-direita. Hoje, o titular é Jean, volante de origem. Ilsinho, que já atuou na posição, virou meia. Por isso, Carpegiani diz: “hoje se me falta esse jogador, se estiver fora por cartão, lesão, alguma coisa assim, realmente vou ter dificuldade”.

Divulgação
Após três meses, Carpegiani diz ter conhecimento profundo do elenco são-paulino e vê plenas condições de acabar com jejum de títulos

Carpegiani comenta ainda o desempenho dos são-paulinos que estão na seleção sub-20 disputando o Sul-Americano da categoria, o status de clube “diferenciado” que o São Paulo carrega, fala dos líderes do elenco e se nega a apontar o Flamengo como favorito na Copa do Brasil. “Quero pensar no meu time, não estou preocupado com o Flamengo ou com outros times”. Confira abaixo a íntegra da entrevista.

iG: Para começar, queria que você fizesse um balanço dos primeiros meses dessa segunda passagem pelo São Paulo.
Carpegiani - Eu primeiramente fiquei muito honrado com o convite. Não tive vacilo nenhum, não tive dúvida nenhuma que era o momento que eu deveria fazer a troca, apesar do bom momento que estava vivendo no Atlético-pr. Em termos de projeção, de estrutura, enfim, tudo aquilo que representa o São Paulo, eu fiz a troca tranquilamente. Hoje você fazendo a comparação com o ano passado eu me sinto muito tranquilo porque tenho o conhecimento já bastante profundo dos meus jogadores. Temos uma ou outra posição que ainda haveria a necessidade de nós termos atenção, mas estou muito satisfeito com o grupo. É um grupo que está amadurecendo. Um grupo mesclado com alguns experientes e com a juventude. Me dá condição pela versatilidade dos meus jogadores de desempenhar um bom trabalho e colher os frutos.

iG: A expectativa para 2011, então, é de que com esse grupo já é possível pensar em disputar os títulos?
Carpegiani - Eu sempre me senti muito tranquilo, muito confiante. Em nenhum momento eu tive qualquer tipo de dúvida com relação ao desenvolvimento desse trabalho. Pela própria estrutura, pelas condições que tenho, modestamente pela confiança que tenho em mim. Mas acima de tudo pelo potencial, pelo conhecimento desde o ano passado, essa garotada que tem aí e todo o elenco. Temos condições sim e acho que não ficamos devendo pra ninguém no futebol brasileiro em termos de elenco, sempre expressei isso. Existe a necessidade sim de um ou outro jogador especialista em uma ou outra posição. Não gostaria especificamente de dizer, mas o grupo é bom e dá condição de quem está a frente do São Paulo fazer um grande trabalho, apesar da saída de um ou outro jogador importante.

iG: Você falou de estrutura. E você já passou por muitos clubes brasileiros. Ainda dá para dizer que o São Paulo é diferente em termos de organização, de condições de trabalho para a comissão técnica e para os jogadores?
Carpegiani - É um exemplo no futebol brasileiro. Isso não tem a menor dúvida. Isso dá tranquilidade para que o jogador possa desempenhar, tenha serenidade de saber que tem essas condições. Então existe essa exigência toda da direção na hora de escolher os jogadores, na hora de fazer esses jogadores. E o São Paulo tem tido a sorte de colher esses frutos graças à sua capacidade também de escolher seus jogadores. Isso é bom que deixe bem claro. Escolhe seus profissionais da melhor maneira. É um clube vencedor nos últimos anos. Ele contraria até um pouquinho o futebol. Porque na minha maneira de ver o futebol só um ganha e todos os outros perdem. O natural do futebol é o perdedor, porque só um ganha, todo o resto que não ganha perde. E o São Paulo contraria um pouco isso, porque tem ganhado bastante e quer ter essa continuidade. Então essa escolha que sempre faz, direciona, pensa, raciocina, e escolhe aquilo que melhor lhe convém. O São Paulo também é muito feliz nessas escolhas.

iG: Você já comentou das jovens revelações. Está ansioso para que eles (Bruno Uvini, Casemiro, Lucas, Henrique e William José) voltem da seleção sub-20?
Carpegiani - Eu espero que eles continuem assim. Tivemos um primeiro jogo que não tive oportunidade de verificar. Me parece que no primeiro jogo eles abraçaram bastante o Neymar. No segundo eles foram os protagonistas, eles foram abraçados, acho isso importante, que eles tenham esse comportamento, que sejam os protagonistas também da seleção, não somente para abraçar o Neymar, e sim eles serem os abraçados. Isso nos deixa satisfeitos. Alguns jogadores que nós temos uma ideia de serem competitivos e eu acredito que é aquilo ali que a gente quer ver, o que a gente sabe que eles podem produzir. Nos deixa muito satisfeitos quando eles tem esse tipo de rendimento porque pra mim é aquilo que eu to esperando.

iG: E qual é a sua análise do elenco que tem em mãos hoje?
Carpegiani - Com relaçao a perda de uns e outros [Ricardo Oliveira, Jorge Wagner e Richarlyson deixaram o São Paulo no final de 2010], acho isso muito normal no futebol. Futebol é sempre uma renovaçao, tenho sempre dito isso. Saída de um, vinda de outros, há perdas, há ganhos. O que não pode haver é um desequilíbrio, e o São Paulo tem tratado de fazer com que esse desequilibrio passe despercebido. Temos raras, uma ou outra posição que poderia reforçar, mas acho que no cômputo geral, pela grandeza do São Paulo, sempre forma aqueles grandes times com grandes elementos, passa um momento de renovação e eu estou muito tranquilo, acho que podemos dar continuidade a esse trabalho de algum tempo atrás e buscar pelo menos nos candidatar aos possiveis titulos que vamos disputar esse ano.

iG: Você e a diretoria admitem que ainda estão procurando reforços. Fica uma decepção por essa demora nas contratações? Você esperava que nesse momento, quase final de janeiro, já não fosse mais necessário falar sobre reforços?
Carpegiani - É, mas eu como profissional tenho que ter o reconhecimento de que existe uma grande dificuldade não somente do São Paulo, mas dificuldade de investimento, na aquisição, na indicação, em trazer aquilo que nos serve. Não adianta você trazer para compor o grupo, tenho dito isso muitas vezes seguidamente, tenho batido nessa tecla com vocês de que o jogador tem que vir para jogar, o resto eu componho com o grupo. Existem posições carentes, como a lateral-direita. Nós temos um jogador adaptado ali [Jean, que é volante de origem]. Temos o Ilsinho, mas é um jogador que está em uma outra posição. É uma posição carente que eu gostaria de ter, porque hoje se me falta esse jogador, se estiver fora por cartão, lesão, expulsão, alguma coisa assim, eu realmente vou ter dificuldade.

iG: Hoje o São Paulo tem apenas três remanescentes do Brasileirão de 2008, último título conquistado. Rogério Ceni, Dagoberto e Miranda, que vai sair no meio do ano. Isso mostra que chegou a hora de esquecer aquela fase vitórias e tentar dar início a uma nova fase, com uma nova comissão técnica, um novo elenco?
Carpegiani - Não, não. Acho que não deve ser assim. Vocês batem sempre nessa tecla, vocês fazem esse script, nos passam e eu acho isso extremamente saudável. Extremamente gostoso saber que o São Paulo algum tempo atrás era extremamente ganhador. Isso passa essa cobrança pra essa garotada, esse grupo novo de jogadores, com exceção de dois ou três. Acho que a responsabilidade faz parte do grande jogador, faz parte da vida do São Paulo. Então acho importante, quanto mais vocês baterem nessa tecla significa que haverá mais cobrança em cima desse grupo, apesar da juventude, de ser um grupo bem mesclado. É um grupo que não responde pelo insucesso dos dois, três últimos anos, mas tem sim a responsabilidade e essa cobrança da imprensa e da torcida de que aqui é um clube vencedor. E isso eu acho extremamente benéfico.

iG: Quem são os líderes do São Paulo hoje, além do Rogério Ceni?
Carpegiani - Eu sempre falo e cobro de que nós temos um grupo, o time é deles e eu tenho só o poder de escalar. E vou tratar sempre de ser justo e quero que eles sejam, que aqueles que eu escalo sejam 11 treinadores dentro de campo. Que tenham a noção exata do que é necessário você fazer. Então não tenho propriamente um grande líder. Tenho sim o Rogério, tenho sim um Fernandão. Tenho jogadores que ao natural são líderes, são aceitos pelos seus companheiros. Mas eu gosto sempre que todos sejam não os coadjuvantes, e sim os protagonistas, que todos eles façam a sua parte bem e sejam os donos do time, donos do jogo. Não quero propriamente que tenha um centralizado, mas ao natural isso acontece, sempre tem, e o Rogério é um exemplo que eu gosto sempre de citar. Saudável, importante para o grupo jovem de jogadores que nós temos.

iG: Agora no primeiro semestre a Copa do Brasil talvez seja o maior objetivo, por dar a vaga na Libertadores. Como você vê essa disputa?
Carpegiani - Eu acho que tem grandes clubes e todos eles são candidatos. Na medida que entram, você entra em igualdade com todos eles. Eu não vejo especificamente alguém que esteja levando vantagem ou não. As equipes mais tradicionais poderão eventualmente serem ditas as favoritas, mas eu não gostaria de dizer especificamente se é esse ou aquele. O que eu te digo é que me preparo para uma partida do Campeonato Paulista nesse momento que falo contigo. Um jogo tão importante quanto o primeiro que vamos jogar lá na Paraíba. Estamos tomando todas as medidas necessárias com bastante antecipação, assim como já estamos pensando no Santos. Então todas as partidas vai ser dado o devido valor, todas elas com a mesma intensidade. É óbvio que a Copa do Brasil é uma competição muito mais curta e todo mundo dá uma atenção especial. Talvez, intimamente, a gente queira realmente com todas as ganas. Em contrapartida nós hoje no Campeonato Paulista estamos buscando uma condição de classificação, entendeu? As partidas da Copa do Brasil são definitivas, são mata-mata. Então o Campeonato sim é diferente de uma classificação do Paulista. Talvez seja um poudo diferente, mas a mentalidade é sempre a mesma, de buscar ganhar todo e qualquer tipo de jogo.

iG: O Flamengo se tornou favorito com as contratações de jogadores como Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves?
Carpegiani - Eu vejo o meu time, quero pensar no meu time. Não estou preocupado lá com o Flamengo, com outros times. Tem grandes concorrentes, mas eu tenho muita confiança na minha equipe.

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