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Nos dois anos de Inglaterra, goleiro sofreu com a frieza dos ingleses e sentiu falta da tradicional resenha.

Nos dois anos em que morou em Liverpool, Diego Cavalieri não teve a projeção que esperava. Além de ter entrado em campo somente dez vezes, o reforço do Fluminense sentiu falta do calor humano do povo brasileiro e não fez muitos amigos. Além dos ex-companheiros Lucas e Fábio Aurélio, a única amizade conquistada na terra dos Beatles aconteceu quase que por acaso. Sem carro ao desembarcar na Inglaterra, Diego tornou-se o cliente preferencial de Alan, um taxista que prestava serviços para o Liverpool. E o que era para ser uma ajuda temporária virou uma amizade verdadeira.

“De tanto que eu chamava ele para me levar de casa para o clube e do clube para casa, acabamos nos tornado amigos. Eu acho que ele foi o único amigo de verdade que fiz na Inglaterra. Os ingleses são frios e muito fechados”, afirmou Diego Cavalieri.

Mas Alan foi muito mais do que apenas um taxista na passagem do novo goleiro do Fluminense pela Inglaterra. Acostumado com a correria e a loucura de São Paulo, Diego admite que estranhou a tranquilidade de Liverpool e, na maioria das vezes, apelou para as dicas e indicações do amigo.

“Ele foi uma pessoa que me ajudou muito fora de campo. Ele sempre me aconselhava e indicava as coisas legais para fazer na cidade. Estava sempre comigo em casa, conversando, às vezes a gente saia para jantar. É uma pessoa que tenho muito carinho e que mantenho contato até hoje”, disse.

Cavalieri sofre ao lado de Ricardo Berna no treino do Fluminense
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Cavalieri sofre ao lado de Ricardo Berna no treino do Fluminense

Se sobra estrutura, falta o calor humano. Acostumado com a velha e tradicional resenha do futebol brasileiro, Diego lembra que após os treinos, o vestiário mais parecia um cemitério de tanto silêncio. A frieza dos companheiros era tão latente que, independentemente do resultado após uma partida, a reação dos jogadores era sempre a mesma.

“Lá é profissional. É uma empresa. Você chega, eles te recebem, te cumprimentam, são educados, mas depois é cada um por si. Você treina, vai para o vestiário e depois cada um vai para sua casa, sem muito contato e muita conversa. Nós sul-americanos sentimos muito falta desse calor humano, do convívio com os companheiros e das brincadeiras dentro do vestiário. Podíamos perder de quatro ou ganhar de cinco que a reação era sempre a mesma”, conta o goleiro do Fluminense.

Além de Alan, só restava a Diego Cavalieri recorrer aos companheiros Lucas e Fábio Aurélio. Adaptados ao futebol inglês e à vida pacata de Liverpool, eles foram uma espécies de anfitriões do goleiro no clube.

“Eles me ajudaram demais e foram importantes na minha adaptação. Nos dias de folga, a gente estava sempre junto, conversando e fazendo alguma coisa. Eu cheguei no verão e dez e meia da noite ainda estava sol. Um dia eu fui querer sair para jantar e estava tudo fechado, pois as coisas fecham cedo. Em São Paulo, qualquer hora que você sai as coisas estão abertas. Domingo fechava tudo. Era muito estranho e diferente da vida que eu estava acostumada”, lembrou o goleiro.

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