Publicidade
Publicidade - Super banner
Futebol
enhanced by Google
 

Mustafá Contursi volta a comandar o Palmeiras nos bastidores

Polêmico ex-presidente é o protagonista da política do clube com eleição de Tirone. Veja no que ele já influencia

Marcel Rizzo, iG São Paulo |

Gazeta Press
Mustafá Contursi presidiu o Palmeiras por 11 anos, ganhou títulos e foi rebaixado
A vitória de Arnaldo Tirone na eleição para presidente há duas semanas fez com que Mustafá Contursi voltasse a ser protagonista no Palmeiras. Presidente entre 1993 e 2004, período regado a títulos (12) com parceria e rebaixamento no Brasileiro com a política do “bom (?) e barato”, ele apoiou Tirone, mas até o dia da eleição jurava que não teria influência no mandato.

Os primeiros dias mostraram o contrário: Contursi atuou nos bastidores com desenvoltura e a política está novamente sob suas rédeas. Num primeiro momento, os pitacos no futebol serão mínimos, mas mudanças de diretorias, como da categoria de base, por exemplo, podem ser influenciadas por ele e ter conseqüência direta no departamento mais importante do clube.

Manda chuva no COF

Membro vitalício do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) por ser ex-presidente, Mustafá Contursi foi escolhido pelos outros membros para fazer uma análise das contas da antiga gestão e terá em mãos contratos que até janeiro não eram divulgados pela antiga diretoria. Um dos pontos que mais critica na gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo, a compra de Valdivia com receitas de patrocínio antecipada, poderá ser esmiuçada.

Dos 15 eleitos para o COF na eleição de janeiro, 14 são do grupo de Contursi e somente um da antiga situação (somam-se a esses no Conselho os quatro ex-presidentes vivos, que além de Contursi são Carlos Facchina Nunes, Affonso Della Monica e Belluzzo). Em reunião realizada segunda-feira passada (31 de janeiro), na sala de imprensa da Academia de Futebol (por causa da reforma para a construção da Arena Palestra não havia lugar para receber os conselheiros na sede da Turiassu), Alberto Strufaldi Neto foi eleito presidente do COF.

Strufaldi, que já foi diretor de futebol no início dos anos 2000, venceu mesmo recuperando-se de um problema de saúde, o que mostra a força do ex-presidente no Conselho, que tem importância significativa por analisar contas, orçamentos, entre outras atribuições, como contratações do futebol (não tem poder de vetos, mas de orientações que normalmente são seguidas pelo Conselho Deliberativo). Conselheiro da oposição disse ao iG que Contursi poderia ter eleito até um “cone” se quisesse.

Troca de diretorias
No dia 12 de fevereiro, Arnaldo Tirone anunciará ao Conselho Deliberativo o nome de seus diretores. Muitos já trabalham, como o vice eleito Roberto Frizzo no futebol. Neste mesmo dia serão eleitos 76 novos conselheiros – três chapas são concorrentes.

Contursi já tem colocado aliados em postos chaves e pedido a saída de outros. Com o argumento de conter gastos, a ordem é evitar diretores remunerados. No futebol, por exemplo, é provável a saída do supervisor Sérgio do Prado. O gerente Galeano deve permanecer depois de pedido do técnico Luiz Felipe Scolari.

Na categoria de base, o coordenador Marco Antônio Biasotto, remunerado, estaria na lista de dispensa, apesar de o trabalho do ex-jogador ser elogiado no clube (o Palmeiras, por exemplo, foi vice-campeão paulista e vice brasileiro em 2010 na categoria sub-20).

Só que, curiosamente, um indicado por Mustafá Contursi pode segurá-lo: Marcos Bagatella, ex-diretor de futebol na época da parceria com a Parmalat, que assumiu a diretoria financeira depois da posse de Tirone. Bagatella é muito amigo de Biasotto, ambos trabalharam juntos em Jundiaí, quando a Parmalat administrava o Paulista, e tem influência sobre Mustafá (e consequentemente Tirone) para pedir a manutenção do trabalho na categoria de base.

Ligação íntima

AE
Arnaldo Tirone foi eleito presidente com votação bem superior a Paulo Nobre
Ao assumir, Tirone quis se desvincular do cabo eleitoral, que desagrada torcedores de organizadas e “civis”. “Já estou velho para ser fantoche”, disse o presidente. Poucos dias depois, porém, Contursi nem disfarça que a ligação entre ambos é gigante.

Ele tem marcado reuniões e até entrevistas no restaurante que Tirone tem em badalada rua do Itaim, bairro nobre da capital paulista. Na semana passada, concedeu longa entrevista à TV Bandeirantes sentado em uma das mesas do local. Por ali também ocorrem algumas reuniões, do que parece ter se transformado no QG informal das negociações. A decisão política palmeirense voltou definitivamente às mãos do homem que comandou o clube por 11 anos.

 

Leia tudo sobre: PalmeirasMustafá ContursiArnaldo Tirone

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG