Técnico do Santos tece inúmeros elogios ao possível rival na final do Mundial e imagina meio de parar craques

Samir Carvalho
Muricy faz elogios ao Barcelona
Às 6 da manhã de domingo, no horário de Nagoya, no Japão (19h deste sábado, horário de Brasília), Muricy Ramalho estava no quarto de Tata, seu auxiliar, para acompanhar o último jogo do Barcelona, seu possível adversário em uma final do Mundial de Clubes, antes do torneio da Fifa. Assistiu à vitória por 3 a 1 sobre o Real Madrid e ficou com uma convicção: não fará marcação por pressão caso enfrente os comandados de Pep Guardiola.

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"Se tentar pressionar o Barcelona o tempo todo, acontece como com o Real Madrid. Até fizeram gol com 25 segundos de jogo porque o Barcelona facilita com tanta confiança para sair jogando, mas a pressão não dura mais do que cinco, dez minutos", falou o técnico do Santos à ESPN Brasil , lembrando que Benzema abriu o placar em Madri.

"Tenho visto os técnicos da Espanha comentarem. Todos os times de lá, mesmo os pequenos, acham que o melhor jeito é pressionar, mas não conseguem fazer isso o tempo todo. O Barcelona separa o adversário tocando a bola e consegue o espaço que quer. Fazer pressão estica demais o campo", continuou explicando. "O Barcelona o melhor time do mundo mesmo, é muito difícil de ser batido. É bom vê-lo jogar porque é uma aula para todos. 3 a 1 foi até barato."

A solução mais cogitada pelo comandante do Santos é, primeiro, marcar o atual campeão europeu. E aproveitar qualquer chance que tiver. "O jeito é esperar, diminuir o campo, ter a defesa e o meio-campo bem compactados", falou. "Mas isso é tudo conversa. Na prática, a bola cai no pé de um Xavi ou Iniesta e eles mudam tudo. Aí essa conversa não vale nada", completou.

Os jogos dos catalães em que o chefe se baseia para ter esperança de voltar ao Brasil com o título mundial são a derrota por 1 a 0 para o Getafe e o empate por 2 a 2 com o Athletic Bilbao, mas considera que as duas partidas tiveram fatores extra-campo que impediram o triunfo azul-grená. Por isso, não acreditava que o Barcelona viajaria abalado ao Japão mesmo se perdesse do Real Madrid.

"Não muda porque eles estão acostumados a vencer. É um time que não oscila. Acontece uma vez ou outra, como contra o Getafe, que foi por muita sorte, e o Athletic Bilbao, que teve o beneficio de jogar em um campo chuvoso e a bola ficou muito rápida para o Barcelona controlar. Mas é tudo muito raro", analisou, até usando a decantada equipe espanhola como argumento contra quem reclama de táticas tidas como retrancas.

"O Barcelona quebra todos aqueles que acham que sabem tudo. Jogam sem centroavante, com três zagueiros, cinco volantes. Acabam com esses artistas do futebol que acham que isso é ser defensivo", apontou. "Teve um tempo no São Paulo em que eu mudava a maneira de jogar sem mudar os jogadores, mas é necessário ter jogadores para isso. E o Barcelona tem para fazê-lo bem."

Agora, porém, ele garante: só pensa em Monterrey, do México, e Kashiwa Reysol, do Japão, que se enfrentam neste domingo para definir quem será o oponente do Santos na semifinal do Mundial, na quarta-feira. "Tanto os japoneses e o Monterrey têm esquemas quase idênticos, com duas linhas de quatro. Estamos nos preparando para eles. Se passarmos, poderemos mudar o nosso esquema, mas o Barcelona varia demais", disse Muricy.

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