Com revelações subindo cada vez mais cedo aos elencos profissionais, para que serve atualmente o torneio de base da Fifa?

O confronto entre Brasil e Egito, em Barranquilla , e outras três partidas abrem nesta sexta-feira a 18ª edição do Mundial Sub 20 da Fifa , neste ano disputado na Colômbia. Se no passado o torneio já foi a maior vitrine para novos talentos do futebol, atualmente cabe a pergunta: com as jovens revelações se tornando profissionais cada vez mais cedo, para que serve o Mundial Sub 20?

Sem Neymar e Lucas, Brasil estreia contra o Egito buscando o penta

A seleção brasileira comandada por Ney Franco talvez seja o grande exemplo desse questionamento em relação à utilidade da competição. No começo do ano, o treinador contou com os melhores jogadores da categoria na disputa do Sul-Americano, no Peru. O torneio colocava em disputa duas vagas para os Jogos Olimpícos de Londres , em 2012, que acabaram com o Brasil e com o Uruguai .

Agora, no Mundial, a situação não se repete. O objetivo, claro, é o título. Mas como a competição se encerra nela mesma e acontece no meio da temporada (no caso brasileiro), a comissão técnica pôde abrir mão de suas principais estrelas e destaques no torneio continental, o santista Neymar e o são-paulino Lucas , que já são figuras frequentes na seleção principal.

E os dois jovens astros são somente os casos mais gritantes. Mesmo entre os que foram convocados, muitos jogadores também já são importantes para seus clubes , fato que não é exclusividade do Brasil. Assim, embora os organizadores continuem vendendo o torneio como uma grande vitrine de jovens talentos, a realidade é que se trata cada vez mais de uma competição com atletas já estabelecidos.

Outro aspecto que merece ser abordado é o enfraquecimento da competição. O raciocínio é simples: se os jogadores de maior potencial ficam fora por já serem profissionais, titulares em seus clubes, a tendência é uma supervalorização de jogadores mais limitados. E cada vez menos provável o surgimento de um novo Maradona no torneio.

No último Mundial, em 2009, por exemplo, o ganês Dominic Adiyiah foi o artilheiro e eleito o melhor jogador da competição. De fato, ele teve participação importante no título inédito para seu país – na decisão, Gana venceu o Brasil nos pênaltis. Se destacou o suficiente para ser contratado pelo Milan. Mas sem conseguir se firmar na Itália, hoje está emprestado ao Partizan Belgrado, da Sérvia.

[]Fique de olho

Apesar da tendência de enfraquecimento do Mundial Sub 20 e falta de atrativo como a disputa de vagas nas Olimpíadas, é evidente que muitos talentos desfilarão pelos gramados colombianos nas próximas semanas. Alguns deles, fortes candidatos a disputarem a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Pela seleção brasileira, sem Neymar e Lucas, a expectativa é de que o comando do time fique por conta do volante Casemiro , do São Paulo , e dos meias Oscar , do Internacional , e Philippe Coutinho , da Inter de Milão , principal ausência no Sul-Americano disputado no começo do ano.

Na Espanha, as principais promessas são os meias Sergio Canales, do Real Madrid, e Oriol Romeu, recém transferido do Barcelona para o Chelsea, além do atacante Daniel Pacheco, que já defende o Liverpool. Na Argentina o principal nome é de Iturbe, que acaba de trocar o Cerro Porteño pelo Porto. Mas outros nomes que merecem atenção são Erik Lamela, contratado pela Roma, e Facundo Ferreyra.

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