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Mulheres voluntárias integram ocidentais ao mundo árabe no Mundial de clubes

Fifa escala garotas que seguem regras religiosas para ajudar torcedores e jornalistas. Não se pode entrevistá-las, nem fotografar o rosto. Entidade pretende associar costumes em seus eventos

Marcel Rizzo, enviado iG a Abu Dhabi |

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O aviso é dado logo que você pisa dentro do terreno no qual está o estádio Mohammed Bin Zayed, em Abu Dhabi, onde acontece o Mundial de clubes: pode fotografar as pessoas de longe, mas sem focar nos rostos. Principalmente as mulheres, pede com educação o monitor da Fifa. Os Emirados Árabes Unidos são o país árabe mais ocidentalizado, mas ainda seguem regras religiosas rígidas, principalmente em Abu Dhabi. Dubai, cidade mais turística, é menos rigorosa.

Ao avisar ser proibido fotografar rostos de torcedores, o recado principalmente visa proteger as mulheres, segundo funcionário da Fifa ouvido pela reportagem. Liberadas para irem aos estádios, diferentemente do que acontece em países mais fechados, como Irã e a vizinha Arábia Saudita, o Comitê Organizador Local (COL) do Mundial fez questão de convocar garotas como voluntárias.

Marcel Rizzo
Voluntária assiste à partida Mazembe x Pachuca, no estádio Mohammed Bin Zayed

Elas ajudam torcedores e jornalistas a se localizarem no estádio, entregam dados das partidas aos repórteres e podem ser vistas em todos os setores. Vestem a abaya, a vestimenta toda preta tradicional usada pelas mulheres em países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Faixa
Nos EAU algumas optam por cobrir todo o corpo, inclusive o rosto, com um véu chamado de Niqab. A maioria, porém, mostra rosto, mãos e pés. São simpáticas, mas é proibido conversar. Qualquer tentativa de pedido de entrevista, por exemplo, é rechaçada com educação. Ao contrário dos monitores quer usam credencias penduradas nos pescoços, as voluntárias nas partidas usam uma faixa azul, que cruza o corpo como o de uma miss vitoriosa.

A Fifa faz questão que o país no qual seus eventos aconteçam integrem a população local com os visitantes. Por isso pediu para que mulheres pudessem participar como voluntárias. A maioria está escalada para tratar com jornalistas, considerados pela entidade mais tranquilos, já que estão trabalhando. Torcedores ocidentais poderiam desrespeitá-las.

Na partida entre Al-Wahda, time da casa, e Hekari United, de Papua-Nova Guiné, que abriu a competição na quarta-feira, muitas torcedoras árabes compareceram ao campo vestindo calças e camisas. Não mostravam partes do corpo mais íntimas, com o colo e barriga, mas estavam maquiadas e apareciam no telão do estádio, principalmente as mais bonitas, como a Fifa faz em todos os seus eventos.

Apesar de tratar com mais naturalidade do que outros países árabes a presença de mulheres ocidentais, os EAU ainda proíbe que elas visitem de saia, por exemplo, a Grande Mesquita, construção gigantesca que tem enterrada o corpo do xeque  Zayed Bin Sultan Al Nayhan, que comandou o emirado de Abu Dhabi, um dos sete que formam país, desde a fundação dos EAU, em 1971, até sua morte, em 2004. Para evitar que uma turista deixe de visitar o ponto turístico, a Grande Mesquita possui uma guarda roupa e uma burca é dada a mulher que deseja ver o lugar e esteja com partes do corpo mais íntimas de fora.

Para a Fifa é importante o mercado árabe, que segundo o presidente das entidade, Joseph Blatter, engloba milhões de pessoas, como disse em entrevista ao jornal francês LEquipe. Por isso que o Catar foi escolhido como sede da Copa do Mundo de 2022. Mais fechado do que os Emirados, representantes do governo do Catar já avisaram que daqui 12 anos certas regras serão flexibilizadas, como beber álcool em público, por exemplo. No Mundial de Clubes, o álcool não foi liberado nas vias de acesso ou dentro do estádio nos EAU. Para a Copa, porém, a FIFA fez exigências ao Catar para que pudesse aprová-lo. A entidade também vai querer voluntárias em Doha e nas outras cidades do país que recebrão jogos. 

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