Orlando Silva exalta 'vitalidade política' do país e esvazia prefeito do Rio ao comentar desejo da cidade de receber sorteio final

O ministro dos Esportes, Orlando Silva, compareceu nesta segunda-feira em evento de incentivo ao esporte da Petrobras, na sede da empresa, no Rio, mas não escapou de falar sobre a Copa do Mundo de 2014 . Indagado sobre os protestos ocorridos no dia do sorteio das eliminatórias , ele afirmou que a Fifa terá de se acostumar com esse tipo de fato no Brasil e disse ver as manifestações como uma demonstração de vitalidade política do país.

Silva também foi questionado sobre as declarações do prefeito do Rio, Eduardo Paes, na última sexta-feira, em solenidade para assinatura do contrato para que a cidade receba o International Broadcast Center (IBC) no Mundial. Na ocasião, com a cúpula da Fifa e do Comitê Organizador Local (COL) presentes, Paes avisou que o governo do Rio não se importaria de gastar outros R$ 30 milhões (valor gasto para realização do sorteio das eliminatórias, na Marina da Glória) para abocanhar o sorteio final, que decide as chaves da Copa do Mundo com 32 seleções.

Ministro Orlando Silva durante encontro no Rio de Janeiro
AE
Ministro Orlando Silva durante encontro no Rio de Janeiro
Confira os melhores trechos da entrevista de Orlando Silva:

Sub-sedes para a Copa de 2014
“Elas ainda não foram escolhidas. Muitas cidades se colocaram à disposição e a Fifa fez uma pré-seleção dessas localidades que pretendem abrigar delegações antes do início da Copa do Mundo. Acredito que teremos em torno de 100 cidades em condições de serem oferecidas às delegações estrangeiras. Quem escolhe onde fica não é o governo, é a seleção que vem para o Brasil, então essa definição só acontecerá após as eliminatórias. Existe um conjunto de critérios que leva em conta infra-estrutura esportiva, rede hoteleira, e telecomunicações, porque junto com a seleção virão centenas de jornalistas”.

Possibilidade de concessão de aeroportos ficar para 2012
“A empresa participa ou não da concessão dos aeroportos se quiser, é uma coisa voluntária. Há um programa de investimentos de R$ 5,5 bilhões em melhoria de aeroportos e isso vai acontecer independente de concessão. O que a presidente Dilma quer com as concessões é estimular a competitividade na Infraero, melhorar a qualidade de serviços nos aeroportos, não pensando em Copa do Mundo, mas na oferta de serviços à população brasileira. Mas é claro que o plano de investimento previsto pela Infraero, que prevê investimentos em Guarulhos, Vircacopos e Brasília, acontecerá independente de concessão”.

Risco de exclusão de sedes
“Eu não trabalho com a hipótese de exclusão de nenhuma cidade das apontadas como sedes da Copa do Mundo. Trabalho com o cenário de que todas cumprirão o que foi estabelecido. Temos o nordeste, o Pantanal, a Amazônia, então é importante que todas cumpram os seus compromissos para alavancarmos investimentos por todo o país. A Copa antecipa investimentos que mais cedo ou mais tarde deveriam ser feito. Todas as sedes preocupam. Cada cidade tem um problema diferente, tem cidade que precisa melhorar os aeroportos, outra precisa de hotéis, outras tem de melhorar os estádios, então a necessidade de cada uma é desigual, mas espero que todas cumpram os seus compromissos”.

Natal com dificuldade de liberar as verbas para mobilidade pública
“Acredito que não haverá problema. Encontrei a governadora e a prefeita na última semana e as duas me garantiram que têm tomado medidas para enfrentar os entraves burocráticos e garantir o financiamento para as obras de mobilidade pública. Tenho muita esperança que Natal terá um papel importante na Copa”.

Protestos no sorteio das eliminatórias da Copa de 2014
“O Brasil é uma democracia. Vejo com muita naturalidade a organização de manifestações sobre qualquer tema. A minha vida política começou em passeatas e tenho muito orgulho disso. A Fifa, o governo, têm de conviver com a democracia, a liberdade de expressão, e acredito que isso apenas mostra a vitalidade política brasileira. Não se surpreendam se até 2014 outras manifestações e greves vierem a acontecer, pois é uma coisa natural em um país democrático”.

Chance de São Paulo receber abertura da Copa e sorteio final
“Acredito que seria importante se pudéssemos realizar os eventos da Copa em diversos estados e cidades do Brasil, até mesmo em cidades que não vão receber jogos do Mundial. É uma forma de nacionalizar o projeto. Está certo que o Rio é uma cidade absolutamente sedutora, todo mundo quer conhecer, quer estar no Rio, mas seria muito legal se outros eventos acontecessem em outras regiões”.

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