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Médico do Corinthians admite que mentiu sobre doença de Ronaldo

Joaquim Grava disse que havia chamado hipotireoidismo de "balela" há cinco meses apenas para preservar o jogador

Bruno Winckler, iG São Paulo |

Em dois anos, o Corinthians nunca reconheceu que a dificuldade de Ronaldo em perder peso se deveu em parte ao distúrbio na tireóide descoberto pelo Milan, em 2007. Ao assumir publicamente que tem hipotireoidismo durante o anúncio da sua aposentadoria na segunda-feira, Ronaldo não só revelou a verdade mascarada como tirou um peso das costas do clube, segundo o departamento médico corintiano. Principalmente de Joaquim Grava, consultor da área no Corinthians.

Em setembro, ao iG, o médico corintiano disse que Ronaldo não tinha problemas na tireóide. Após a revelação de Ronaldo, Grava justificou que, na época, não poderia contar a verdade sobre a disfunção do agora ex-jogador. "Pela ética médica eu não poderia falar nada. Não havia o consentimento do paciente. Não poderia expor o Ronaldo. Tinha que desmentir. Agora posso falar porque o próprio Ronaldo falou", disse Grava, ao iG, de San Diego, nos Estados Unidos, onde participa de um congresso de ortopedia.

AE
Ronaldo revelou distúrbio hormonal

Na antiga entrevista, realizada quando o "Fenômeno" completou 34 anos, o médico definiu como "balela" a existência do problema. "Você acha que se fosse só esse problema do Ronaldo a gente não trataria? Não tem nada de tireóide”, afirmou, irritado, na ocasião.

Agora, Grava revela que Ronaldo já está fazendo tratamentos com os remédios que o ex-atacante disse não poder tomar antes por conta de riscos de doping. "Paramos o tratamento quando ele chegou no clube porque o nível de hormônios dele estava estável. Ele voltou a se tratar agora porque voltou a subir um pouco ", completou. Desde janeiro, Ronaldo voltou a tomar hormônios específicos contra o hipotireoidismo.

Durante a coletiva de segunda-feira, Ronaldo disse que não tomava remédios para tratar do problema porque eles poderiam ser detectados em um eventual exame anti-doping. Grava, contudo, diz que não haveria esse risco e diz que ele voltou a tomar levotiroxina sódica, medicamento próprio para o tratamento do hipotireoidismo.

"O remédio que ele toma agora não seria pego em doping, não. Se fosse um diurético, só para perder peso, sim. Esse é proibido e ele nunca tomou. Mas a levotiroxina é permitida", disse Grava, que se exime da omissão da verdade durante os mais de dois anos do jogador no Corinthians. "Há milhares de segredos no futebol que não se pode falar. É mais do que normal. Há coisas que tem a hora certa para ser revelada, normal", disse Grava.

Os preparadores físicos do clube também estão aliviados com a verdade. "Foi muito bom ele assumir que tem esse hipotireoidismo. Esse problema o afetou muito, principalmente nos últimos meses. Por mais que tentássemos fazê-lo perder peso essa questão sempre o atrapalhou. Não adiantaria fazer perder peso só na balança. Ele acabaria perdendo massa muscular o que a gente não queria de jeito nenhum. Pioraria as coisas", disse Eduardo Silva, preparador físico do Corinthians desde maio de 2010.

"Como atleta, o processo para se perder peso é diferente de outras pessoas. Não se pode perder peso só com regime. A estrutura muscular pode ser afetada e seu rendimento como atleta cai também, aumentando risco de lesão", completou o preparador do time, que reconhece: colocar Ronaldo em forma foi seu maior desafio na sua carreira. "Foi o maior desafio pelo que ele representa, mas eu nem os outros profissionais do clube ligaram para essa pressão. Quem não aceita desafios, não colhe glórias. Estar ao lado de Ronaldo no Corinthians teve seu ônus e bônus, mas nunca mais ou menos pressão. Ele foi um grande companheiro de todos", disse Silva.

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