Rebaixada para a segunda divisão, equipe espanhola foi destino de craques do Brasil desde a década de 90

No último domingo, Deportivo La Coruña caiu para segunda divisão do Campeonato Espanhol
AFP
No último domingo, Deportivo La Coruña caiu para segunda divisão do Campeonato Espanhol
Por 13 anos ele vestiu a camisa do Deportivo La Coruña. Foi com Mauro Silva que o clube da cidade de cerca de 250 mil se transformou no “Super Depor”, enfrentou Barcelona e Real Madrid de igual para igual e conquistou títulos inimagináveis para uma equipe pequena da Espanha. Pois seis anos após o volante abandonar o futebol, o clube galego caiu para a segundo divisão, no último domingo, e vive uma crise financeira grave.

Mauro Silva lamenta o atual momento do Deportivo La Coruña. “Fiquei muito triste pelo clube, por tudo que vivi lá. O presidente é o mesmo da minha época, outros dirigentes também. Deixei muitos amigos lá”, afirmou o ex-volante em entrevista ao iG .

Hoje executivo de uma empresa de empreendimentos imobiliários, sócio de um grupo espanhol, o ex-jogador se diz triste, mas vê a queda de forma racional. “Infelizmente, mas a verdade é que é algo que acontece na Espanha. É cíclico. Em 20 anos apenas Barcelona, Real Madrid e Atlético Bilbao não caíram. Não é o fim do mundo”, afirma.

O Depor se endividou muito. Quando está sol a gente acha que a tempestade nunca vem.

O endividamento do clube foi apontado como uma das principais causas para a queda. Nas últimas temporadas a equipe teve que vender os seus melhores jogadores para pagar dívidas. Destaque do time em 2010, o lateral brasileiro Filipe Luís , por exemplo, foi para o Atlético de Madri.

“Os problemas vieram quando deixamos de participar da Liga dos Campeões”, afirmou o presidente do La Coruña, Augusto César Lendoiro, no cargo desde 1988. Desde 2005, o clube não consegue classificação para o principal torneio europeu, responsável pelas melhores premiações. Em 2004, o Deportivo fez a melhor campanha na competição. Com Mauro Silva de capitão, a equipe foi eliminada nas semifinais para o Porto, de José Mourinho, que levou o título.



“O Depor, assim como todos os clubes espanhóis, se endividou muito. No Brasil acontece o mesmo. Será que é sustentável pagar salários como se paga hoje para treinadores e jogadores aqui no Brasil? Foi assim que muitos clubes caíram na Espanha. Quando está sol a gente acha que a tempestade nunca vem”, comenta o ex-jogador.

Saudade do “Super Depor”
Em 13 anos, Mauro Silva jogou nos maiores times da história do La Coruña. A equipe formada em 1992 com Bebeto ganhou o apelido de “Super Depor”. O título espanhol só não veio dois anos depois, porque na última partida da temporada 93-94, o zagueiro sérvio Djukic errou uma cobrança de pênalti nos minutos finais. Bebeto, que era o batedor do time, não quis chutar. A taça ficou com o Barcelona, de Romário.

Em 2002, La Coruña venceu o centenário Real Madrid e levou a Copa do Rei
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Em 2002, La Coruña venceu o centenário Real Madrid e levou a Copa do Rei
No ano seguinte, o time conquistou o título da Copa do Rei. “Foi um momento que o clube se converteu em sociedade anônima. Como empresa, teve um aporte de capital. O Clube arriscou, cresceu e começou a ganhar dinheiro por conseguir vitórias e classificações para os principais torneios. Ganhava da Liga Espanhola, da TV e contratava”, lembra Mauro Silva.

O volante destaca dois momentos da sua história no La Coruña: o título espanhol de 2000 e a Copa do Rei em 2002. “A Copa foi especial. Ganhamos do Real Madrid no Santiago Bernabéu, no ano do centenário deles”, diz.

Além do volante, outros brasileiros tiveram destaque no clube. Djalminha, Luisão, Rivaldo vestiram a camisa azul e branca e foram ídolos em La Coruña, onde além do espanhol, a maioria da população fala galego. O idioma tem algumas semelhantes com português. Uma delas é palavra saudade. Que explica bem o que o torcedor do clube sente daquele "Super Depor".

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