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Futebol
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Matias aceita o papel de coadjuvante e comemora momento no Inter

Mais adaptado, volante fala das diferenças entre o futebol mexicano e brasileiro em entrevista exclusiva

Gabriel Cardoso, iG Porto Alegre |

Qual a semelhança entre o time do Inter e o Oscar, maior festa de premiação do cinema? Nos dois casos nem só a estrela maior é premiada. Nas telonas, o melhor ator recebe o Oscar, mas o melhor ator coadjuvante também leva pra casa a estatueta. No atual campeão da América não faltam pretendetes para o papel principal. D´Alessandro, Kléber, e até o recém chegado Bolatti são os mais falados e badalados, mas sem os coadjuvantes o time não sobreviveria. Um dos candidatos a este papel é o volante Wilson Matias.

Ele chegou no Beira-Rio em 2010, após quatro anos no futebol mexicano. Lá, Matias era ídolo com a camiseta do Morelia. Foi indicado ao prêmio de melhor volante na temporada 2009 e o técnico Javier Aguirre, na época comandante da seleçãp mexicana, consultou sobre a possibilidade de ele se naturalizar. No Inter, o papel dele é bem mais discreto, mas ele aceita o rótulo de "ator coadjuvante" e ri quando ouve a afirmação: "Sem o ator coadjuvante não sai filme".

"Exatamente isso! Tem que procurar trabalhar e ser o melhor. Dia após dia eu vou buscando reconhecimento. Se perder, perde todo mundo e se ganhar, ganha todo mundo", explica, em entrevista exclusiva para o iG.

2011 está sendo diferente para o volante. Quando chegou em Porto Alegre, em 2010, foi aos poucos conseguindo um lugar no time, mas sempre acabou contestado por torcdia e setores da imprensa. Agora ele está conseguindo se manter entre os titulares, mesmo com a chegada de reforços. O argentino Bolatti chegou e tudo se encaminhava para a ida de Matias para o banco, acabou o mais badalado e conhecido Tinga perdendo o lugar no time.

"Agora estou tendo uma sequência e agradeço esta chance ao Celso. O Inter tem vários jogadores de qualidade e para se manter no time tem que estar em alto nível. Este ano estou mais adaptado, já conheço melhor os jogadores. Não se pode esconder atrás da adaptação. Eu tive dificuldades no início, mas estou mostrando agora que tenho condições de seguir no time. Chegou o Bolatti para fortalecer o grupo e aumentando a competição. Eu demonstrei dentro de campo, foi opção do treinador, ele não diz o porque está te colocando no time e nem o porque está te tirando. Concorrer com um jogador como o Tinga aumenta a pressão", revela.

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Volante teve de encarar a diferença de preparação do futebol mexicano em relação ao brasileiro
O volante admite que dificilmente voltará a ter o mesmo papel que assumia no México. Existe muita diferença entre as duas escolas de futebol. Lá o estilo de jogo é totalmente diferente do brasileiro. Até mesmo o calendário e os treinos são diferentes. Isto dificultou muito a sua readaptação quando voltou ao Brasil.

"Mexicano joga com uma linha de quatro jogadores no meio e o volante acaba jogando como meia, porque os meias jogam abertos e os volantes ganham liberdade pelo meio do campo. Fazia muito tempo que eu nao jogava como primeiro homem. . A crítica foi pela expectativa criada de jogador espetacular. As pessoas achavam que eu ia fazer gols, ia fazer a diferença, mas tem que deixar bem claro que eu sou volante, sou um jogador de marcação. Fiz alguns gols lá, mas sou volante. É difícil passar por uma adaptação. O trabalho lá no México é diferente. Estou agora mais adaptado e isso está ajudando a me manter na equipe. Eram menos jogos. O sistema era completamente diferente, eram outros métodos de treinos, não eram tantos treinos físicos. Lá só treinava em dois turnos na pré-temporada. Os treinos eram um turno, e com bola, não tinha tanto trabalho físico. Aqui o futebol é mais disputado e agressivo", argumenta.

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Matias: "Demonstrei meu valor em campo"
Nem por isso ele teve só coisas boas para contar do México. Apesar do grande status por lá, Wilson Matias conta que a cobrança era grande e revela uma visão engraçada que os mexicanos tem dos brasileiros.

"Lá eles acham que todo o brasileiro é Ronaldinho. Acham que você vai para o ataque e sai fazendo gols. Também cobram bastante, porque argumentam que investiram bastante em você e por isso querem retorno. Em alguns momentos eu senti saudade do México, mas nunca pensei em desistir. Sei que se um dia eu quiser voltar pra lá tenho a porta aberta em vários clubes, mas no momento quero ficar aqui, ainda tenho mais 3 anos e meio de contrato", diz

A atual condição deixa o volante muito contente. Ser titular no Inter não é fácil. O grupo é um dos mais concorridos do país. Matias está disposto a assumir a situação de coadjuvante.

"É meio complexo, eu nunca quis ser uma estrela do time. Eu procuro fazer meu trabalho. No México eu fazia gol, era a estrela do time. Aqui é diferente. O importante é estar jogando. Se tiver que ser coadjuvante eu vou ser. A gente pode se matar lá atrás, mas quem vai ser lembrado é o atacante. Eu não posso querer pensar no meu passado, se tiver que ser coadjuvante eu vou ser.
 

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