Ex-dirigente são-paulino esteve em almoço com o elenco e elogiou o treinador, indicado por ele em entrevista

Pela primeira vez depois de mais de oito meses, Marco Aurélio Cunha, que era superintendente de futebol do São Paulo até janeiro, voltou ao CCT da Barra Funda para almoçar com elenco, comissão técnica e membros da diretoria. E ficou bastante satisfeito com o clima gerado em pouco mais de uma semana por Emerson Leão, nome que sugeriu para assumir o time em entrevista, seis dias antes da contratação.

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"O ambiente está chacoalhado. Antes, quando o Leão chegava, sempre havia o receio de que ele vai encher o saco. Mas fui perguntando a cada um dos funcionários e eles sentem que o Leão chegou na hora certa. Estão todos esperançosos para que ele faça o que outros deviam ter feito", contou, satisfeito, o ex-dirigente e atual conselheiro do clube.

Pouco após a entrevista coletiva do técnico, Marco Aurélio Cunha apareceu no centro de treinamento com o mesmo sorriso exibido pelos jogadores durante duas horas de treino na manhã dessa terça-feira. O antigo superintendente não teve muito tempo para falar com sua aposta para recolocar o Tricolor no auge, mas gostou do que sentiu.

"O Leão não está precipitado por resultados ou com angústia de não saber o que fazer. É muito maduro. Rapidamente percebeu o que está acontecendo e está resolvendo, não é um treinador que quer agradar para não perder emprego", falou, adotando expressão similar à usada por Juvenal Juvêncio para definir o principal erro do antecessor Adilson Batista.

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De longe, Marco Aurélio vê com satisfação as ações de Leão para mexer com os brios do elenco, como o presidente queria. O conselheiro assegura que não teve nenhuma conversa sobre futebol recentemente com Juvenal Juvêncio e limita sua participação na contratação do técnico aos elogios feitos em entrevistas. Mas crê que deu uma dica de sucesso, mesmo com uma derrota e um empate nos dois primeiros jogos do treinador.

"Não falta vontade a nenhum jogador. É questão de temperamento. Existem pessoas passivas que precisam de outro para capitalizar coragem e ficam esperando o empurrão de um amigo. Às vezes, é necessário ter alguém que incendeie. E esse é o Leão", argumentou o ex-dirigente, ressaltando o valor do ex-goleiro na montagem do elenco para 2012, mesmo que seu contrato, que acaba em dezembro, não seja prorrogado.

"O Leão está mostrando que quem tem mais vontade vai jogar. Quem não reagir, estará fora. O Juvenal e a diretoria vão negociar esses jogadores", previu, falando do desmanche com o qual o mandatário ameaçou o elenco antes da reestreia do treinador.

Também por essa capacidade de detectar os desanimados, Marco Aurélio gostaria de ver Leão continuar no clube na próxima temporada mesmo sem a classificação para a Libertadores. "Já teria resolvido metade do problema. É um cara com firmeza, que pode conseguir os resultados que quer e com autoridade e história de campeão no clube", enalteceu.

"Um ano sem Libertadores é um ano ruim. Mas ele foi o último a conquistar o Paulista pelo clube [em 2005] e poderia defender seu título enquanto trabalha na Copa do Brasil. Depois, ainda haverá muito tempo para acertos para o Campeonato Brasileiro. Se o Leão não tiver dado certo, troca. O importante é que agora há uma aposta em uma filosofia, a do Leão. Antes não havia linha de conduta nenhuma, era só tiro no escuro", opinou.

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