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Maradona fecha com maior agente do mundo e lucra com marketing

Argentino busca equipe para treinar. Enquanto isso, trabalha em eventos como garoto-propaganda

Paulo Passos, iG São Paulo |

Getty Images
Maradona chorou ao ler sua carta de despedida da seleção
Nenhum dos quatro gols marcados pela Alemanha nas quartas de final da Copa do Mundo o fez sofrer tanto quanto aquelas palavras. “Com todos os seus integrantes e por unanimidade, o Comitê Executivo da AFA decidiu não renovar o contrato de Maradona”, disse o diretor-técnico da entidade, Carlos Bilardo, 24 dias após a eliminação da Argentina na Copa do Mundo, em julho de 2010.

Diego estava desempregado, condição que vive até hoje, oito meses após a eliminação no Mundial. Desde então, o seu trabalho é ser Maradona. É assim que o ex-jogador vive e lucra desde que deixou o cargo de técnico da seleção argentina.

Cachês para viagens e contratos de publicidade seguem freqüentes na rotina do argentino. China, Espanha, Inglaterra e Rússia foram alguns destinos do astro nos últimos meses. Quando completou 50 anos, em outubro de 2010, Maradona ganhou uma linha de produtos da Puma, que lhe patrocinava nos tempos áureos de jogador e voltou a pagá-lo para ter sua imagem atrelada a ele.

Lucrar com imagem não é uma novidade na carreira de Diego. Antes mesmo de se tornar campeão do mundo, o astro argentino era um fenômeno de marketing. Quando ainda era uma promessa, no final da década de 70, seu então empresário, Jorge Cyterszpiler, chegou a montar uma empresa, chamada “Maradona Productions”. A companhia, além de gerenciar a carreira do então jogador, negociava os seus contratos de publicidade.

  “Chuteira, refrigerante, pasta de dente, sabão, quase tudo na Argentina era vendido por Maradona no início dos anos 80. Não-fumante, ele se negou a promover uma marca de cigarros. Ele também não aceitou uma proposta para virar nome de vinho, achando que poderia ser algo ruim para sua imagem”, conta o livro “The Hand of God”, do jornalista inglês Jimmy Burns.

Divulgação
Puma lançou linha de produtos em homenagem ao argentino
Foram, justamente, problemas financeiros na “Maradona Productions” que levaram o então jogador a romper com Cyterszpiler, um amigo de infância, em 1985. Desde então, passou a trabalhar com o Guillermo Coppola, com quem brigou em 2003. “Eu trabalhava e ele ficava com 80% dos ganhos”, disse Maradona na época.

Uma das poucas, talvez a única, pessoa que não perde a confiança do astro é sua ex-mulher Claudia. Mesmo separados há oito anos, ela ainda tem a palavra final nos negócios do ex-marido.

Busca por time
Com aval de Claudia, desde fevereiro, a empresa Gestifute, do português Jorge Mendes, passou a cuidar da carreira de Maradona. O empresário, considerado o maior do mundo, que trabalha com Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Luiz Felipe Scolari, tem como missão conseguir um time para Maradona treinar.

O contrato com Mendes levou Maradona a se aproximar de Mourinho. Por mais de uma vez, o ex-jogador do Barcelona, que tem o genro jogando no Atletico de Madri, apareceu nos treinos do clube e posou para fotos com o português

“É verdade que ele vive bem com contratos de publicidade, mas o que ele quer é ser técnico. Isso é o que eu posso dizer”, afirmou ao iG um jornalista argentino, próximo ao ex-jogador, que pede para não ser identificado.

Apesar da idolatria que tem na Argentina, Maradona estuda trabalhar fora do país. Pessoas próximas do astro acreditam que ele não teria paz trabalhando em um clube no país.
Getty Images
Em novembro, Maradona esteve na China, bancado por empresa


“Nem mesmo no Boca Juniors, Maradona é unanimidade. Na briga com o Riquelme, a torcida ficou a favor do jogador”, revela o jornalista Fabio Vallejo, da rádio Continental de Buenos Aires. O atrito com o camisa 10 do Boca levou a Maradona a abandonar um hábito comum nos últimos anos: ir aos jogos do time na Bombonera. Desde a Copa do Mundo, Diego não esteve em nenhuma partida.

Isolamento e paz
“Grondona me mentiu, Bilardo me traiu”, afirmou um dia após a dispensa na seleção, se referindo ao presidente da entidade máximo do futebol na Argentina e ao seu diretor técnico. Após a explosão de raiva, Maradona passou um período recluso em sua mansão em Ezeiza, nas redondezas de Buenos Aires.

Em casa, Maradona costuma receber amigos mais próximos como o ex-jogador Mancuso, o preparador físico Fernando Signori, além das filhas Dalma e Giannina. Segundo seu médico, Alfredo Cahe, e próprio astro, ele está longe das drogas.

O silencio era interrompido por entrevistas aos veículos argentinos ainda com demonstrações de mágoa e até esperanças de voltar ao posto de técnico da seleção. “Sergio Batista não é conhecido nem no Uruguai”, disse ele, ironizando o substituto, amigo na época de jogador e que esteve na África do Sul, como auxiliar.

 

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