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Futebol
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Luxemburgo perde até a palavra final em contratações no Flamengo

Técnico não deu aval para o acerto com zagueiro González e havia vetado em dezembro Douglas, pretendido para vaga de Thiago Neves

Vicente Seda, enviado iG a Sucre |

Vanderlei Luxemburgo sempre foi conhecido pelo seu estilo centralizador. Nos clubes onde trabalhou, foi mais do que técnico. Sempre envolvido diretamente nas contratações de jogadores, com a palavra final sobre a parte técnica, intolerante com indisciplinas e interferências. No Flamengo, porém, os sinais a cada dia são mais claros de que as mãos estão atadas, a língua está contida, a autonomia que sempre norteou sua forma de comandar uma equipe deixou de existir. É combatido por inimigos que agem nos bastidores, entre eles os pares de Ronaldinho Gaúcho.

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Dirigentes na Gávea esquentam o óleo com fogo alto. O tempo de banho-maria passou. Nem mesmo sobre reforços a palavra do treinador é decisiva. Ele não deu aval para a contratação do zagueiro brasileiro naturalizado chileno Marcos González, de 31 anos, da Universidad de Chile, que chegou nesta quinta-feira ao Rio, e vê o clube tentar substituir Thiago Neves por um atleta que vetara em dezembro: Douglas, do Grêmio.

Próximo da presidente Patrícia Amorim, o vice de finanças Michel Levy conduz como acha que deve a planilha de reforços para 2012. O diretor executivo remunerado de futebol, Luiz Augusto Veloso, pouco faz além de dizer “amém”. O seu relacionamento com a comissão técnica também já está longe do ideal, embora tente dissimular no contato pessoal.

E ainda: Evo Morales entregará condecoração a Ronaldinho em Sucre

Todos esses fatores tomaram vulto quando os dirigentes notaram oportunidade única de tomar a dianteira do departamento de futebol, minando o estilo centralizador de Luxemburgo. O racha com Ronaldinho Gaúcho caiu como uma luva na insatisfação da diretoria com o treinador.

O camisa 10 já não deseja mais trabalhar com Luxemburgo e, a exemplo do que aconteceu em 1995, quando o técnico comprou briga com a estrela da companhia, Romário, o desfecho caminha para a mesma direção. Com R$ 3,75 milhões em direitos de imagem atrasados a receber e nem sinal de solução do impasse entre Flamengo e Traffic, Assis, empresário de R10, também pressiona, tomando as dores do irmão.

Nesta sexta, quando o Flamengo fará um jogo-treino de 45 minutos contra o Universitário de Sucre, Luxemburgo dará entrevista coletiva, mas a assessoria de imprensa do Flamengo avisou que só responderá perguntas sobre a partida. Sobre os problemas que o cercam, pouco tem a acrescentar.

A sua última entrevista foi sintomática. Todas as questões pendentes foram deixadas nas mãos da diretoria. O técnico alegou um novo estilo de tomar decisões, para não tornar o ambiente ainda mais desconfortável, mas o fato é que as decisões não estão mais em suas mãos. Indagado sobre como enxerga atualmente sua função no clube, respondeu de forma enigmática: “Enxergo confusa como foi a nossa pré-temporada”.

Veja também: Flamengo contrata zagueiro da ‘La U’ e fará nova proposta por Love

Já o flagra em Ronaldinho com mulher na concentração em Londrina, divulgado amplamente na mídia, foi tratado como “assunto interno”, sem que o técnico tomasse qualquer outra posição a não ser: “Tudo o que ocorreu foi passado para a diretoria”. A versão de que Luxemburgo pediu a saída do camisa 10 corre pela Gávea através da boca dos dirigentes que o minam. Gente da comissão técnica, porém, jura que em nenhum momento este pedido foi feito. Pouco importa. Fato é que a informação, verdadeira ou não, chegou aos ouvidos de Assis. Para a presidente Patrícia Amorim, perder Ronaldinho em ano de eleição pode significar perder a reeleição.

A estratégia da diretoria, ao que parece, é esperar o retorno do treinador ao Rio e o tal posicionamento que prometeu após dizer que não enxergava o comprometimento desejado nos olhos dos jogadores depois do amistoso contra o Corinthians, no dia 15, em Londrina. A expectativa é de que, ao perceber que a autonomia para gerir o departamento de futebol não será devolvida, Luxemburgo decida, por si mesmo, abandonar o barco.

Mas ele avisou, na sua última coletiva, que não pretende fazê-lo, embora tenha chegado a ventilar a possibilidade internamente em Londrina. Está ciente de que isso é justamente o que seus adversários desejam. Mais um impasse para os dirigentes na Gávea: a felicidade de Ronaldinho Gaúcho ou a multa rescisória de Vanderlei Luxemburgo, que tem contrato até o fim de 2012.

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