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Luxemburgo diz que sofreu fritura parecida com a de Zico no Fla

Técnico diz que Patrícia Amorim não teve "autoridade de presidente" e "não foi leal": 'Foi o processo mais feio que vivi"

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

O técnico Vanderlei Luxemburgo concedeu entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira para explicar a sua saída do Flamengo e não poupou críticas à maneira como, em um mês, desde iniciada a pré-temporada em Londrina, foi 'fritado' no comando da equipe.

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Ele afirmou que a relação com Ronaldinho Gaúcho sempre foi profissional, considera desgastes com atletas o processo natural do futebol, mas mostrou mágoa com a diretoria. Segundo Luxemburgo, Patrícia Amorim tomou a decisão pelas pessoas que estavam ao seu lado e, por isso, não teve "autoridade de presidente". Ele comparou a sua saída do clube a de Zico, que deixou o Flamengo chateado com falta de respaldo da presidente em 2010.

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A assessoria do técnico informou que não há multa rescisória no contrato do técnico, apenas as regras normais da legislação brasileira para contratos com duração pré-estabelecida. Desta forma, Luxemburgo tem a receber metade dos vencimentos que receberia até o fim de 2012, valor que gira em torno de R$ 3 milhões.

Confira os principais trechos da entrevista coletiva de Vanderlei Luxemburgo:

Desgaste com o elenco
"Desgaste do Luxemburgo, mas saiu eu, Isaías Tinoco, Antônio Melo e Lopes Júnior. Então não é desgaste só do Luxemburgo. O futebol sem desgaste não funciona. O importante é como você trata a relação de grupo. Na minha história no futebol, tive alguns desgastes pela frente. O desgaste existe para você se posicionar. Toda vez que dirigente que se posicionou e fez valer a hierarquia, a coisa caminhou bem. Eu não tenho de ter 30 atletas comigo. Você escala 11, estão satisfeitos. Os reservas são 7 ou 8 mais ou menos satisfeitos. O restante não está satisfeito. Então o desgaste vai existir. Tem de minimizar. Vai existir com a diretoria, com os jogadores, com a imprensa, e você tem de ser firme".

Tratamento privilegiado para Ronaldinho

Alexandre Vidal/Fla Imagem
Luxemburgo afirma que tolerou comportamento "pouco profissional" de Ronaldinho
"Às vezes tive de fechar os olhos para algum comportamento inadequado, pouco profissional. Em função das coisas do futebol e do objetivo que era a Libertadores, procurei relevar, entender aquilo pela meta. Todas as vezes que um atleta chegava fora do horário, sem condições de treinar, era tudo passado para a diretoria. Se esse elo faltou, esse respaldo, não é problema meu. Mas era passado mostrando que para frente poderia trazer problema".

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"No ano passado eu consegui, cheguei ao objetivo. Este ano eu comuniquei que seria difícil eu conviver com as coisas do ano passado. Aí não seriam desgaste com dois, três, seria com 20, 30 que não aceitariam mais privilégios para um ou outro. Se a diretoria quer jogar os problemas para debaixo do tapete, não é problema meu. Venci dessa forma, com astros, mas sendo profissional. Seu direito termina quando começa o meu. Com todos os atletas que tive desgaste tive conquistas. Nenhum deles que puni profissionalmente virou pastor e não eu exacerbei meu comando. Então estou totalmente tranquilo, porque a minha etapa profssional do Flamengo e o projeto foram concluídos. Arrisquei a minha carreira ao assumir, faltavam 11 jogos, com o Flamengo perto da zona de rebaixamento. Só aceitei porque a Patrícia tinha o projeto e é o meu clube".

Reunião para demissão
"Ontem, na conversa com ela, a senti muito sozinha, muito vulnerável. A minha saída do Flamengo não pode ser uma coisa normal do futebol, ela não é por causa disso. Vocês (jornalistas) não estão errados".

Veja os 10 motivos que levaram à saída de Luxemburgo do Flamengo

"Eu sabia de tudo o que estava acontecendo. Sabia que eu ia sair do Flamengo, porque a notícia que saiu há um mês, terminado os dois jogos contra o Potosí eu sairia. Então o que eu sabia um mês atrás, simplesmente confirmou. Poucas vezes vi um desgaste tão grande, uma fritura tão forte como fizeram comigo. Uma fritura muito bem conduzida, vazando informações preciosas, precisas, para que fosse tomando volume, para chegar aos desgastes que chegou. Fui fritado, é a palavra correta. Foi o processo mais feio que passei na minha vida profissional e aprendi muito com ele".

Relação com Ronaldinho
"Relação foi sempre profissional com o Ronaldinho. Eu não tenho de jantar, almoçar, marcar encontro com jogador. No ano passado foram cedidas algumas coisas que não eram cabíveis em função do objetivo do Flamengo. Este ano a relação não podia. Não quero o Ronaldinho para casar com a minha filha, mas para cumprir seus compromissos. A regalia é o salário do jogador. Se ele cumprir as obrigações, sem problema nenhum. O que funcionou no ano passado, funciona por um período. Depois o desgaste de grupo fica complicado".

Flamengo refém do Ronaldinho?
"Nenhum clube pode ficar refém de jogador, refém de presidente, de jogador. Mas isso você tem de perguntar à Patrícia, não posso responder por ela".

Motivo da saída
"Não sei responder. Não estou saindo pelo projeto campo. Estou saindo por um mês de problemas que não eram do campo, parte de indisciplina, contrato de jogador renovado em cima da hora, falta de reforços, pede contratação e não são contratados, vai começar uma Libertadores e você não vê a coisa preparada e artidculada".

Fritura
"Aconteceu comigo a mesma coisa que aconteceu com o Zico, e nós somos rubro-negros, pessoas que querem o bem do Flamengo. Até com o Marcos Braz, foi a mesma coisa. Desgaste que conduz ao desgaste. O clube não devia desgastar os rubro-negros da forma como está acontecendo. Se um dia tiver de voltar, voltarei. Eu nem queria mais voltar como técnico, porque achava que poderia acontecer isso. Ou você ganha, ou compõe os interesses, ou vai ter esse desgaste, como foi com o Zico, que foi muito ruim o que aconteceu. Eu fui leal o tempo todo. Acho que ela não foi leal com o técnico como fui com ela como presidente".

Deivid e suposto pedido pela não escalação contra o Potosí

Agência O Globo
Luxemburgo pediu à torcida para não chamarem Deivid de "mercenário"
"Vou falar uma coisa que não falei na época, mas já aconteceu no ano passado. Torcedores, não vaiem o Deivid, não o chamem de mercenário. Ele está sem receber porque foi contratado pelo Zico, e isso foi dito a ele. E ele se dedicou o tempo todo, foi muito profissional. Esse cara não é mercenário, é profissional. Podia estar sem jogar há um tempão. No dia do jogo contra o Potosí, como entrou com ação contra o Flamengo, perguntei a ele se estava à vontade. Ele disse que se não estivesse, já teria parado de jogar no clube faz tempo. E foi para o jogo. É um grande profissional".

Greve de jogadores
"Ano passado, em certo momento, os jogadores queriam fazer quase uma greve. Falei: 'vocês estão loucos? Briguem, cobrem. Dirigentes têm de estar preparados para uma cobrança pública'. Aí vem o dirigente e passa para a torcida que é mercenário. Esse ano, em Londrina, os jogadores queriam não treinar enquanto não fosse alguém lá conversar sobre os atrasados. Falei novamente: 'Estão loucos, vamos discutir de uma maneira diferente'. Então evitei problemas maiores do que uma declaração de um jogador que está sem receber. Isso é muito pequeno. Falta de pagamento traz problema, tem problema no Vasco agora, em qualquer empresa. Jogador é profissional de qualquer outro. Dirigente tem de estar preparado para essa cobrança".

Falta de autonomia
"Quem comanda tem de ter comando. Quem comanda o comando, tem de dar autoridade e autonomia para o comando. Se não dá, não tem comando de ninguém. Todas as vezes que tive autoridade para tomar as decisões, a coisa caminhou. Saio do Flamengo de cabeça erguida. O dirigente é que tem de saber se vale continuar colocando as coisas debaixo do tapete, não é problema meu. Eu resolvi os meus problemas".

Decisão da demissão

Alexandre Vidal/Fla Imagem
Luxemburgo criticou falta de pulso de Patrícia Amorim
"Será que ela (Patrícia) tomou a decisão por causa dela ou as pessoas que estavam do lado dela passaram informações, inflamaram, passara notícias, informações e ela ficou um pouco chateada? Por toda a história da Patrícia como atleta, como pessoa, sei que ela sabe que o Felipão, o Mano, o Telê, o Luxemburgo, o profissional de alto nível, quando é colocada uma situação desconfortável para ele, vai rebater. Ele não tem de ficar calado. Então quando ela fala alguma coisa, ela tem de saber que está falando com o Luxemburgo, Felipão, terá um eco. Profissional de alto nível vai para o debate. Então aquilo ali (declaração de que iria se posicionar após os jogos contra o Potosí) foi uma resposta à entrevista dela".

"Não, com certeza não tomou a decisão sozinha. Conversando com ele olho no olho, tenho certeza que tomou a decisão mais pelo lado do que por ela. Acho isso ruim para ela, presidente tem de ter autoridade. Nessa parte ela com certeza deixou de ter autoridade de presidente. Acho que fui totalmente desrespeitado, as coisas foram direcionadas, não gostaria que fosse assim. Foi uma relação muito feia. A palavra leal quer dizer que você etá em todas com o cara, feliz ou não. E eu fui leal o tempo todo com a Patrícia".

Relação com Michel Levy
"Cada pessoa escolhe os seus pares, quem escolheu foi a Patrícia. Ele hoje é um homem chave na administração. E as declarações deles, mesmo em off, que a gente sabe, trouxeram muito prejuízo. O desconforto maior em Londrina começou quando ele chamou os jogadores de marqueteiros".

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