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Luxemburgo diz: "Libertadores não mudará minha história"

Em entrevista ao iG, técnico minimiza torneio, foca estadual e admite reciclagem para lidar com críticas

Thales Soares, enviado iG a Londrina |

Vanderlei Luxemburgo sempre disse que um dia voltaria ao Flamengo para conquistar títulos pelo seu clube de coração. Ele voltou, num momento conturbado, conseguiu manter o clube na Série A e começa 2011 cheio de esperança, com um astro como Ronaldinho no grupo e outros jogadores de peso.

“Esse time do Flamengo tem a obrigação de chegar na final da Taça Guanabara e da Taça Rio”, avisou o treinador.

Seu projeto é de um ano e meio e inclui a Copa Libertadores de 2012. Mas, em entrevista exclusiva ao iG, ele garante que não existe uma obsessão pela competição, que ainda não conquistou em sua carreira.

“Claro que quero ganhar. Quero ganhar até cuspe à distância. Mas minha história não vai ser julgada por uma Libertadores. Tenho 40 e poucos títulos, mas criou-se aquela coisa de que o Luxemburgo é bom, mas falta isso”, disse Luxemburgo, que condiciona o seu trabalho de técnico ao de gestor do futebol.

iG: Depois de 15 anos, você está de volta ao Flamengo. O que pensou quando aceitou a missão de livrar o time do rebaixamento no ano passado?
Luxemburgo: Voltei porque era o Flamengo. Essa não era a ideia naquele momento. Eu iria ficar até o fim de 2010 sem trabalhar. Mas o Zico me ligou e depois o pessoal continuou ligando. Falei com o Isaías (Tinoco) e voltei.

iG: Mas quando você chegou já começou a planejar 2011?
Luxemburgo: Cheguei ao clube querendo pensar em coisa boa e a Sul-Americana é máximo que a gente poderia alcançar. Não queria ficar falando em rebaixamento, porque assim você esquece a coisa boa. Então, iria analisar os três meses e tocar para frente. Mas na negociação do contrato foi colocada a perspectiva de que fossem feitas algumas coisas diferentes no clube para sair daquela situação que vivia há muito tempo, mesmo tendo conquistado o título brasileiro como ganhou em 2009.

iG: Qual é o cargo que você ocupa hoje no Flamengo?
Luxemburgo: O cargo de técnico, mas que, no meu conceito, é o gestor do futebol. Sou eu, o Isaías, que é o gerente, e o (Luiz Augusto) Veloso, que é o nosso elo com a diretoria. Já faço isso há muitos anos. Mas no Brasil, todo mundo é sacana com isso. Dizem que o Luxemburgo é ladrão porque negocia com jogador. É o olhar negativo do brasileiro. Negocio com jogador como negocio com o (Eduardo) Uram o melhor para o Flamengo, como foi no caso do João Filipe (zagueiro do Figueirense que foi para o Botafogo). O Uram não é mau caráter, é correto, mas muito vivo. Como os clubes são vulneráveis, fica mais fácil pata ele. Mas o Flamengo agora está forte no mercado. Parceria agora é num modelo diferente. Se provarem algo contra mim, já disse que saio do futebol. Brigo toda hora com empresário, se fosse assim, já teria tomado uma rasteira.

iG: Qual é a sua participação na contratação de um jogador?
Luxemburgo: Na avaliação técnica. É o primeiro ponto. Toda contratação passa por mim, mas participo também na negociação em si, pois tenho experiência nisso. Digo para avançar até um ponto, vejo quanto vai custar, a proposta de salário, no bojo como um todo, estruturando. Assim como eles dão palpite na parte técnico. O Vander quem indicou foi o Veloso. Não depende só de mim, a gente coloca o nome em discussão. Posso opinar sobre a parte econômica com o Michel Levy (vice de finanças), mas eu não vou prevalecer na parte econômica.

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Luxemburgo e Ronaldinho Gaúcho, grande contratação da equipe, durante a pré-temporada em Londrina

iG: Você sempre fala em projeto de um ano e meio. É por causa da Copa Libertadores, que ainda não conquistou em sua carreira?
Luxemburgo: O meu contrato é de dois anos. Essa questão de um ano e meio é por causa das melhores competições. Se a gente ganhar a Libertadores, joga o Mundial, aí é outra história. Claro que quero ganhar. Quero ganhar até cuspe à distância. Mas minha história não vai ser julgada por uma Libertadores. Tenho 40 e poucos títulos, mas criou-se aquela coisa de que o Luxemburgo é bom, mas falta isso. Falam que estou em decadência. Mas ano passado foi meu ano ruim e ainda ganhei um título (Campeonato Mineiro com o Atlético-MG). E foi ruim, hein?

iG: Você afirmou em um programa de televisão que o Flamengo seria campeão brasileiro em 2011. Mantém essa afirmativa?
Luxemburgo: Quando entro em uma competição, eu entro para ganhar. Não posso falar outra coisa. A disputa é muito dura, mas sou otimista e acredito no trabalho. Iniciamos a temporada com desconfiança.

iG: Mas ninguém sabia quem iria chegar para reforçar o time.
Luxemburgo: Mas essa é uma postura minha. Fiz um media training para entender a imprensa. Vocês têm que correr atrás dos offs e de suas fontes. A função é especular, criticar e elogiar. O Flamengo precisa ter paciência para fazer as negociações. Foi assim com Felipe, Bottinelli e até com o Ronaldinho.

iG: Você considera o seu time pronto, com os jogadores que escolheu para essa temporada?
Luxemburgo: Não entro nesse mérito. É uma coisa complicada de falar. Vai de encontro ao meu grupo, como se eu disse que não está completo. Posso dizer que coisas vão acontecer.

iG: Mas você tem segurança de que com esse grupo o Flamengo vai disputar todos os títulos dessa temporada?
Luxemburgo: O Flamengo tem um time forte para disputar títulos. Pode não ser o ideal ainda, mas é forte. Nossa desvantagem em relação a outros clubes é estar atrasado na matéria da filosofia implantada. Fluminense, Cruzeiro, Internacional e Corinthians estão há mais tempo com uma filosofia. Até o Thiago Neves entender o Ronaldinho Gaúcho demora.

iG: Como você tomou a decisão de contratar o argentino Dario Bottinelli?
Luxemburgo: A informação vem a toda hora no futebol. Quando surgiu o nome do Bottinelli, a primeira pessoa que eu consultei foi o Fabiano (do Atlético-MG), meu genro, que jogou no México. Foi ele que indicou o Lucas Barrios quando eu estava no Palmeiras. Ninguém sabia muito sobre ele também na época em que jogava no Necaxa e hoje faz sucesso. Com o Bottinelli, eu consegui três jogos dele inteiro depois disso e mandei o (Lopes) Júnior (auxiliar) assistir a um jogo da Universidad Católica. Tivemos a confirmação de que era aquilo que a gente achava e decidimos contratar.

iG: Você foi técnico do Ronaldinho Gaúcho em seu começo de carreira. Como pretende usar o jogador em campo?
Luxemburgo: Não mudou nada daquela época para cá. Ele continua o mesmo. Só colocaram um pouco para a direita, um pouco para a esquerda. É o tipo do jogador para o qual você precisa dar liberdade em campo. Não posso tolher um jogador como o Ronaldinho.

iG: Que recado você manda para o torcedor do Flamengo, ansioso pela estreia desse novo time?
Luxemburgo: Ele pode ter certeza que esse time do Flamengo tem a obrigação de chegar na final da Taça Guanabara e da Taça Rio. Se vai ganhar ou não, é outra história, pois é um jogo só e você pode perder com um gol de bunda ou um de barriga (NR: Luxemburgo era o técnico em 1995, quando o Flamengo perdeu o Carioca para o Fluminense com um gol de barriga de Renato Gaúcho), mas a obrigação é disputar o título.

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