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Técnico afirmou que só vai se posicionar em relação à diretoria depois da pré-Libertadores e disse que classificação é obrigação

Logo após o empate do Flamengo com o Corinthians em 2 a 2 neste domingo, o técnico do Flamengo, Vanderlei Luxemburgo admitiu que o atraso no pagamento de luvas e direitos de imagem dos jogadores vem atrapalhando o psicológico dos atletas. Depois de dizer e repetir que o "Flamengo é maior do que isso tudo", foi indagado se enxergava esse comprometimento nos olhos dos atletas. E respondeu com firmeza, sem alterar o tom de voz:

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"Hoje eu não vejo isso, em função de tudo que vem acontecendo. A cabeça vai para lá e para cá e não vejo os jogadores totalmente focados. A partir do momento em que se resolverem as coisas, acho que vai direcionar", disse o treinador do time carioca.

Além dos atrasos nos pagamentos, o time carioca teve outra baixa nesta semana. O meia Thiago Neves foi negociado com o Fluminense.Luxemburgo preferiu não comentar o caso enquanto não houver um anúncio oficial. Porém, a respeito de Ronaldinho Gaúcho, que ainda é dúvida para a viagem para a aclimatação em Sucre, foi mais incisivo.

Ciente de que o camisa 10 está há cinco meses sem receber os R$ 750 mil da Traffic, referentes aos seus direitos de imagem, disse compreender a insatisfação em relação à demora na assinatura do contrato que permitirá o pagamento dos R$ 3,75 milhões devidos ao jogador, mas não deixou de alfinetar o craque, lembrando que ele não é o único do elenco com problemas. Comparou o caso ao de Deivid, que jamais tomou uma posição drástica como ameaçar não participar de uma viagem, ainda mais se tratando de Libertadores, mesmo sem receber seus direitos de imagem há 18 meses, dívida que chega a R$ 4,5 milhões e será paga de forma parcelada pelo clube.

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"Esta é uma pendência que está sendo resolvida pela diretoria. Ele pode viajar ou não, amanhã (segunda) é que isso será decidido, vamos aguardar. Da mesma forma que o Ronaldo está com problema, o Deivid e outros também estão e acho que o Flamengo é maior que tudo isso. É claro que isso atrapalha, mas não é a primeira vez que acontece", afirmou. 

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Ao ser indagado sobre a diretoria do clube, o treinador não recuou, mas disse que só falará sobre o assunto depois de decidir a pré-Libertadores contra o Real Potosí. Ele afirmou ter sido mal interpretado na entrevista coletiva da última terça-feira quando, diante das declarações do vice de finanças Michel Levy chamando os jogadores que cobravam atrasados de "marqueteiros", saiu em defesa do elenco dizendo que o dirigente "foi infeliz". A presidente Patrícia Amorim, defendida por Luxemburgo na entrevista, não lhe deu o respaldo esperado e a insatisfação do técnico é clara.

"Acho que não é o momento de discutir isso. Não me sinto confortável para falar agora. A entrevista que dei foi no sentido de acalmar, passar tranquilidade, e de repente fui mal interpretado. Quero classificar o time para a Libertadores, pois só estamos na pré. Depois, com tudo decidido, aí sim eu vou me posicionar", explicou.

O fato é que Luxemburgo se sente extremamente incomodado em ter de dividir as decisões no departamento de futebol, o que não teria sido o combinado na época de sua contratação. A maior insatisfação é com o vice de finanças Michel Levy, que tem tomado a frente das negociações e que também teria poder de veto a nomes pedidos por Luxemburgo.

O treinador finalizou sua coletiva falando sobre o desempenho superior dos reservas em relação aos titulares no amistoso deste domingo. "É normal os jovens correrem mais. Moleque entra no campo e só que saber de correr e mais nada. Os experientes já negociam mais o jogo, sabem cadenciar. Estamos pegando pesado com eles, e é natural que estejam um pouco presos", concluiu o técnico do Flamengo.