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Lucas promete futebol moleque ao lado de Neymar

Em entrevista exclusiva ao iG, meia do São Paulo fala de sua estreia como profissional, da renovação de seu contrato e do atacante do Santos, futuro companheiro na seleção sub-20

Levi Guimarães, iG São Paulo |

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Em termos de resultados, a temporada 2010 do São Paulo foi para ser esquecida. Mas se a diretoria ou os torcedores do clube forem questionados sobre o que de melhor aconteceu no ano, a resposta mais frequente provavelmente será a revelação de bons jogadores vindos das categorias de base. Principalmente do meia Lucas, já titular absoluto da equipe comandada por Paulo César Carpegiani.

Lucas começou o ano sonhando com o título da Copa São Paulo de futebol júnior e termina convocado para a seleção brasileira sub-20 que disputará o Sul-Americano da categoria em busca de uma vaga nas Olimpíadas de 2012. Um ano, em resumo, que o jogado classifica como quase perfeito.

No Sul-Americano, o são-paulino vai jogar ao lado de outra famosa revelação recente do futebol brasileiro, o atacante Neymar, do Santos. E apesar de admitir que sua personalidade tímida é oposta à do extrovertido santista, Lucas imagina uma dupla afinada dentro de campo, com estilo abusado, de ri pra cima, de futebol moleque.

A parceria com Neymar é um dos assuntos abordados por Lucas nesta entrevista exclusiva ao iG, na qual ele também agradece ao técnico interino Sérgio Baresi pelas primeiras oportunidades como titular do São Paulo, aponta os fundamentos em que precisa melhorar, diz esperar fazer mais gols em 2011 do que fez em 2010 e comenta o abandono do apelido Marcelinho para não ser comparado ao ex-ídolo corintiano.

Outro tema obrigatório é o processo de renovação do seu contrato com o São Paulo, já que ele ainda tem salário e multa rescisória de um jogador de categoria de base. Apesar de afirmar que deixa as questões de valores para serem resolvidas por seu pai, Jorge, e pelo empresário Wagner Ribeiro, Lucas tem a palavra final.

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Lucas agradece muito a Sergio Baresi por ter recebido uma oportunidade de jogar no time principal
 

A única coisa que falei pra eles é que eu quero que se resolva tudo numa boa, sem brigas, não quero conflito com ninguém, quero ficar muito tempo no São Paulo, construir a minha história no clube, ganhar títulos, dar alegrias aos torcedores, porque ainda não mostrei nada. Tenho muito que mostrar ainda pro clube, afirma o jogador. Confira abaixo a entrevista completa de Lucas:

iG: Apesar de 2010 não ter sido um ano tão bom para o São Paulo, como você avalia a sua temporada, individualmente?
Lucas: Esse ano foi quase perfeito para mim, um ano que jamais vou esquecer. No começo estava com a expectativa de ir bem na Taça São Paulo e poder aparecer. Graças a Deus deu tudo certo, a gente foi campeão, eu fui bem, fiz cinco gols, dei nove assistências. Depois fui convocado para a seleção sub-18. Nunca tinha sido convocado pra seleção de base, então fiquei muito feliz e vi que as coisas estavam acontecendo. Logo depois também tive a chance no profissional, que era um sonho e foi realizado.

iG: Como foi essa primeira passagem por uma seleção de base? Um dos jogos foi em um estádio de rúgbi, como foi isso?
Lucas: Foram dois jogos só, na África do Sul. Fiz o primeiro gol contra a África do Sul. Foi meio diferente jogar num estádio de rugby, mas foi bem legal a experiência lá, o povo africano é bem legal, ainda mais que eu estava com a camisa da seleção, estava muito feliz.

iG: Quando você chegou ao profissional, ajudou o fato de o técnico do time naquele momento ser o Sérgio Baresi, que já te conhecia da base?
Lucas: Ajudou sim. Graças a Deus deu tudo certo, eu tive essa sorte. Mas na verdade quem me subiu para o profissional foram o Ricardo Gomes e o Milton Cruz. Depois que o Sérgio Baresi assumiu e me deu oportunidade de jogar como titular. Sou muito grato a ele, talvez se não fosse por ele eu não seria tão conhecido como sou hoje. Depois que cheguei no profissional aconteceu tudo muito rápido. Fiz apenas três jogos na reserva e depois já me tornei titular da equipe e dei uma sequência boa. Era o que eu esperava que um dia fosse acontecer, não tão rápido como foi, mas esperava isso.

iG: Como foi o início de convívio com a equipe principal?
Lucas: Quando cheguei no profissional o grupo me recebeu super bem, o ambiente lá é o melhor possível. Cheguei meio acanhado, porque sou meio tímido, mas depois fui me soltando e comecei a conversar com todo mundo, o Rogério [Ceni], o Ricardo [Oliveira], e eles me deixavam à vontade e tranquilo para fazer o que eu sei. Demorou um pouco para cair a ficha que eu estava no profissional, nas primeiras vezes que as pessoas reconheciam na rua.

iG: Você falou em timidez e isso é uma coisa que dá para perceber no dia a dia do São Paulo. Agora na seleção sub-20 você vai conviver com o Neymar, que é outro jovem, mas com uma personalidade bem diferente, mais extrovertida. Você acha que vai ser uma boa parceria, vão se dar bem apesar dos estilos opostos?
Lucas: Acho que fora de campo é um pouco diferente sim a personalidade. Ele é mais extrovertido, já está mais adaptado com as entrevistas, com as câmeras, eu já sou mais tímido. Quando desliga as câmeras eu me solto um pouco mais, brinco um pouco. Mas acho que dentro de campo as personalidades são um pouco parecidas, os dois atrevidos, de pegar a bola e partir para cima do adversário. Acho que pode dar uma dupla boa isso aí e tem tudo para dar certo, com esse estilo abusado, de ir para cima, de futebol moleque como todo mundo diz. Pegar a bola e ir pra cima sem medo, acho que isso é um pouco parecido.

iG: Quando você percebeu que começou a ficar famoso?
Lucas: Depois que virei titular da equipe, comecei a dar mais entrevista coletiva lá no CT, aí percebi que o pessoal na rua começou a me olhar um pouco diferente, começavam a me reconhecer. E aí começou a mudar, o povo me parando na rua, tirando foto, e eu sempre atendi todos numa boa. É muito legal o carinho das pessoas, ser admirado, ser reconhecido nas ruas pelo seu trabalho. Mas logo fui me acostumando. Como eu disse sou tímido, então às vezes baixo a cabeça, mas aos poucos vou me soltando.

iG: E o que você costuma ouvir dos fãs?
Lucas: A maioria dos fãs que encontram falam 'você não vai sair do São Paulo não, né?', 'fica muito tempo no São Paulo'. Às vezes encontro torcedores do Palmeiras, do Corinthians e falam 'você tem que vir pro Palmeiras', me elogiam bastante e eu fico muito feliz, é muito bom ouvir esse tipo de coisa.

iG: Você fez 25 jogos desde que se tornou profissional e marcou quatro gols. Está satisfeito com esse número ou acredita que poderia ser melhor?
Lucas: Eu nunca fui de marcar muitos gols, sou mais de chegar de trás e deixar outro atacante na frente do gol, nunca tive esse cacoete de matador. Esse número podia ter sido um pouco melhor sim. No começo eu errava muitos gols, sei lá se era pela ansiedade, nervosismo, mas acredito que ano que vem esse número vai melhorar sim, vou estar mais tranquilo, mais solto e tomara que possa marcar muitos gols.

iG: Existe algum jogador em quem você se inspire?
Lucas: Eu nunca tive um ídolo específico, mas sempre gostei de ver jogadores mais abusados, mais habilidosos, como é o meu estilo. Tipo Messi, Ronaldinho Gaúcho, Robinho. Denílson também. Sempre procurei ver vídeos desses jogadores e fazer jogadas iguais. Mas também sempre procurei criar o meu próprio estilo de jogo, os meus dribles.

iG: Em que aspectos você acha que precisa melhorar para ser um jogador completo, que daqui a algum tempo possa sonhar até com a seleção principal?
Lucas: Acho que a gente tem que provar a cada dia que tem capacidade de atuar como titular, tem que matar um leão por dia. Se achar que está bom é a hora de parar. Acho que a minha finalização tem que melhorar um pouco, aprimorar o pé esquerdo, o passe. Sempre tem que estar melhorando alguma coisa, nunca está bom.

iG: Na última partida do ano, contra o Atlético-PR, o Carpegiani te deslocou para a meia esquerda. Como foi jogar em uma posição diferente da que está acostumado?
Lucas: Foi tranquilo, pra mim não tem preferência pelo lado. Eu já tinha jogado pela esquerda na base, então já estava meio que adaptado. Ele preferiu me colocar ali para testar o Ilsinho na direita e foi tranquilo, porque na verdade a função é a mesma, só muda o lado.

iG: Com a convocação para a seleção sub-20 você perdeu as férias que teria até janeiro. Mas não dá pra reclamar, dá?
Lucas: Quando se fala em seleção nem dá pra ligar pras férias, quero mesmo é chegar lá e jogar. Todo jogador tem esse sonho de vestir a camisa da seleção. A expectativa está muito boa, estou confiante, quero me apresentar bem, mostrar tudo que eu sei, me entrosar com os jogadores e concentrar nesse título que é muito importante, além da vaga nas Olimpíadas, que é um título que o Brasil não tem. Vou me preparar bastante pro meu primeiro campeonato oficial pela seleção. Estou super feliz, mas também concentrado para chegar lá e dar o meu melhor.

iG: E os são-paulinos vão se sentir em casa [o São Paulo foi o que teve mais jogadores convocados: Lucas, Lucas Gaúcho, Casemiro e Bruno Uvini, além de Oscar e Henrique, também formados na base do clube]?
Lucas: Acho que vamos ficar um pouco mais à vontade, é bom você ir com os amigos. Da primeira vez na sub-18 eu fui sozinho, não conhecia ninguém. Mas independente disso no futebol a gente conhece muitas pessoas e se entrosa rápido dentro e fora de campo. Já conheço o Neymar, o Oscar, e o entrosamento a gente vai adquirindo no dia a dia. Eu fico feliz por terem ido bastante jogadores do São Paulo, isso mostra que a base está dando bons frutos e eu fico feliz de participar dessa geração.

iG: A sua renovação de contrato é um dos assuntos bastante comentados no mercado do futebol nesse final de ano. Como você participa dessas negociações?
Lucas: Eu tenho empresário [Wagner Ribeiro] justamente pra isso, essa parte eu deixo mais com ele e com o meu pai. A única coisa que estou sabendo é que estão acontecendo reuniões com a diretoria do São Paulo, eles estão conversando, estão andando super bem as reuniões e tenho certeza que logo eles vão chegar em um acordo. Mas eu não entro em detalhes, nem com o meu pai nem com o meu empresário sobre isso, sobre valores. Só procuro jogar meu futebol dentro de campo e não me preocupo com essa parte porque sei que tudo vai se resolver da melhor maneira possível.

iG: Então o seu pai tem carta branca para cuidar desses assuntos?
Lucas: Com certeza, ele que cuida de tudo nessa parte de renovação de contrato, valores, meu pai que resolve tudo.

iG: Mas e a sua opinião, o que você passa para ele e para o Wagner Ribeiro?
Lucas: Ele e meu pai resolvem tudo, mas quem dá a palavra final sou eu e meu pai. A única coisa que falei pra eles é que eu quero que se resolva tudo numa boa, sem brigas, não quero conflito com ninguém, quero ficar muito tempo no São Paulo, construir a minha história no clube, ganhar títulos, dar alegrias aos torcedores, porque ainda não mostrei nada. Tenho muito que mostrar ainda pro clube.

iG: O Wagner Ribeiro vem afirmando que quer um novo contrato com salário e multa equivalente ao status de um jogador que já é titular do São Paulo, porque você continua com o salário de jogador de base e ganha menos que muitos reservas. Em relação a esses números você prefere não se envolver muito?
Lucas: Essa coisa de salário, de valores, eu não entendo muito bem. Não gosto de comparações com outros jogadores. Acho que o que eles tem que ver é o meu rendimento dentro de campo, aí sim eles podem avaliar o valor. Mas essa parte não entendo muito, por isso que eu tenho empresário e ele resolve essa parte, conversa com a diretoria e eles com certeza vão chegar a um acordo que vai ser bom pras duas partes. Mas graças a Deus meu pai me dá tudo, então eu me preocupo só com o meu futebol.

iG: Sobre o episódio da sua mudança de nome, de Marcelinho para Lucas. O objetivo foi mesmo não ter a imagem atrelada a um ex-ídolo do Corinthians?
Lucas: Um pouco sim. Eu não queria ser comparado a ninguém, queria ter a minha própria identidade, usar o nome que os meus pais me deram. Percebi que estava criando muita polêmica esse assunto, muitas comparações com o Marcelinho. Ele foi um grande jogador, ídolo do Corinthians, mas eu não queria ficar sendo comparado a ele. E até a minha mãe pediu pra que eu usasse o nome que ela e o meu pai me deram, então eu pensei na ideia, gostei e tomei essa decisão.

iG: Alguém te fez essa sugestão? Algum familiar ou alguém da diretoria do São Paulo?
Lucas: Da diretoria ninguém comentou nada. Torcedores que falaram pela internet, até mesmo no estádio. 'Tem que chamar Lucas, usar seu nome, Marcelinho é do Corinthians, você joga no São Paulo'. Comecei a pensar na ideia e quem tomou a decisão fui eu mesmo, porque não queria ser comparado a ninguém.

iG: Apesar da mudança, nos treinos outros jogadores ainda te chamam de Marcelinho. Isso vai demorar um pouco mais para mudar?
Lucas: É complicado você mudar de nome de repente, pras pessoas que já estavam mais adaptadas é complicado. Lá na base eu morei quatro anos e quando vou lá todo mundo chama de Marcelinho, mas aos poucos eles vão acostumando. No profissional as pessoas que eu comecei a conviver nos últimos meses, jogadores que já estavam lá como Rogério, Marlos, Cleber Santana já me chamam de Lucas. Só os que vieram da base comigo que ainda não acostumaram, mas com o tempo vão acostumar.

iG: Mas o principal objetivo, ser conhecido publicamente como Lucas, deu certo.
O objetivo principal era atingir todo mundo, imprensa, torcedores. E isso eu consegui. Os torcedores agora só me chamam de Lucas, ninguém me chama de Marcelinho na rua. Esse era o principal objetivo.

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