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Longe dos holofotes, ex-corintiano Sylvinho pode se aposentar

Após sucesso no Parque São Jorge e no futebol europeu, lateral esquerdo está sem clube

Gazeta |

Após o frenesi causado pela aposentadoria de Ronaldo no último dia 14 de fevereiro, um ex-corintiano pode trilhar o mesmo caminho, só que de um modo bem mais discreto. Sem clube desde o segundo semestre do ano passado, o politicamente correto Sylvinho, aos 36 anos, deseja encerrar a carreira no Brasil, porém não se mostra disposto a aceitar qualquer proposta. Sendo assim, o lateral esquerdo bicampeão da Liga dos Campeões da Europa pode sair do futebol "à francesa".

"Se eu tiver de abrir mão do futebol, mesmo com o desejo e muita vontade de jogar, vou abrir. Ou aparece uma reciprocidade de um clube, que me dê condição de continuar atuando no nível que eu quero, ou então não dá. O aspecto financeiro, com toda simplicidade, não é problema. Terminar em um lugar que você vai se deteriorar não vale a pena", explicou.

Dono de uma invejável carreira, sobretudo na Europa, Sylvinho - decidido em fixar raízes na terra pátria - já descartou aventuras em países alternativos da Europa. Além disso, almejando fazer jus ao currículo, também vetou propostas pouco atrativas de clubes nacionais. O desejo do jogador é um contrato com bases sólidas de, pelo menos, seis meses de duração.

"Eu avaliei muito o que foi minha carreira e, com 36 anos, sendo um cara competitivo e sem lesões, eu não quero expor tudo isso se não tiver um feedback do clube. Surgiram propostas fora do país e regionais. Mas aí eu teria de submeter minha família novamente a um giro. Preferi poupá-la disso", argumentou o bem resolvido Sylvinho - que deu seus primeiros chutes no futsal do Nacional, da Rua Comendador Souza, bairro da Barra Funda, em São Paulo-SP.

Cria do "terrão" corintiano, Silvinho (a letra "Y", com a qual foi registrado, só passou a figurar em suas camisas, no Celta de Vigo), assumiu o flanco esquerdo corintiano logo em 1995, ano em que se profissionalizou e, logo de cara, conquistou o Paulistão, sobre o Palmeiras da era Parmalat, e a Copa do Brasil, contra o Grêmio de Felipão. "Foi uma experiência ótima, uma alavancada importante na minha carreira". Desde então, caiu no gosto da Fiel, principalmente pela entrega em campo, e partiu para a Europa em 1999, após ter conquistado três Estaduais, uma Copa do Brasil e o Brasileiro de 1998.

Contratado pelo Arsenal, foi o primeiro jogador verde-amarelo no time londrino; no Celta de Vigo, levou a mediana equipe à disputa inédita da Liga dos Campeões e, no Barcelona, atingiu o auge: dois títulos da Champions League e vaga no seleto grupo de brasileiros que foram, viram e venceram no continente europeu.

No segundo semestre de 2009, após o fim do vínculo com o clube catalão, o eminente retorno do "Vitamina" (apelido recebido no Parque São Jorge por conta da disciplina militar nos treinos e jogos) ao Corinthians ganhou as manchetes dos jornais - por aqui, o presidente Andrés Sanchez afirmava que a transação estava por apenas uma assinatura. No entanto a volta à Premier League e os petrodólares do Manchester City o fizeram optar pela vida europeia, à qual sua família estava acostumada.

"Houve uma negociação. Meu contrato acabou e havia uma expectativa de voltar ao Corinthians, meu clube no Brasil. Nas duas vezes em que me reuni com diretores, deixei claro que tinha uma procuração até o dia 20 de agosto e que a prioridade, por questão familiar, era um clube europeu. Eu tinha mercado pois tinha acabado de sair do Barça ganhando um triplete. Enfim, não deixei de vir porque não quis, eu preferi a Europa, onde eu criei meus filhos, e achei também que seria uma boa oportunidade para minha carreira", esclareceu e reiterou que o relacionamento com o presidente Andrés Sanchez é bom.

"Assinei o contrato em Manchester e liguei para o Andrés: 'Presidente, quero te agradecer a oportunidade, mas assinei com o City'. Ele respondeu que eu seria um grande presente, mas que era impossível concorrer com o mercado europeu. Por fim, falou que as portas estariam abertas".

Um ano depois, Sylvinho, com os assumidos cabelos grisalhos, trouxe a família a São Paulo com um sonho em mente: terminar sua trajetória no futebol, construída sem escândalos, sem contusões e repleta de títulos e elogios. De imediato, procurou o Corinthians e se deparou com a placa de "Não há vagas". Pela idade avançada, a ideia de Sylvinho é atuar como volante pela esquerda.

"Voltei no começo de outubro, na contramão do mercado. Já tinha passado a Copa do Mundo e os times já tinham se reforçado. Cheguei e, evidentemente, procurei o Corinthians, mesmo sabendo da presença do Roberto Carlos. Eles falaram que não era o momento, que tinham outras prioridades e, mesmo no meio de campo, não dava", afirmou o atleta, que mantém a forma na academia de seu prédio.

"De férias" há quase seis meses e ausente das pautas dos grandes clubes brasileiros, Sylvinho vem curtindo a família e aproveitando o tempo livre para estudar os prós e contras de voltar a atuar ("Talvez eu já me aposentei e vocês não sabem", brinca o jogador ao final da entrevista) ou iniciar uma nova empreitada - que, segundo ele, será no universo do futebol.

"Não tenho definido ainda, mas tenho pensado. Já conversei com atletas que pararam e alguns são treinadores, outros agentes, outros trabalham em clubes... Enfim, tenho analisado tudo isso, me abastecendo de informações e decidindo as coisas que sejam mais do meu perfil. Se não pintar algo que valha a pena, eu prefiro parar e buscar algo futuro no futebol. Aprendi muito nesses 11 anos de Europa, acumulei uma boa bagagem e me sinto capaz de desempenhar tais funções", finalizou Sylvinho.

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