Marcha contra dirigente espera reunir mil pessoas, mas teme ser impedida de chegar ao local do sorteio

O sorteio das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014 , neste sábado, na Marina da Glória, não será apenas de festa. Entre 500 e mil manifestantes são esperados para compor a "Marcha por uma Copa do povo, fora Ricardo Teixeira!", protesto que começa às 10h, no Largo do Machado, bairro próximo, e seguirá até o local do evento, que começa às 14h30.

O movimento está sendo organizado pela FNT (Frente Nacional dos Torcedores), que promete uma manifestação pacífica contra o presidente da CBF, mas teme ter seu direito de ir e vir, e de protestar pacificamente, cessado por conta de mirar em um dos homens mais poderosos do país.

Apesar da figura polêmica a que se refere o protesto, o número de participantes ainda é pequeno se comparado a outras passeatas já tradicionais na cidade. A Parada do Orgulho Gay, por exemplo, realizada em novembro de 2010, em Copacabana, reuniu 250 mil pessoas, enquanto a Marcha da Maconha, em maio deste ano, contou com 5 mil participantes, com o agravante de que muitos usuários têm receio de se expor na passeata por tratar do uso de uma substância ilegal.

Porém, a expectativa supera o resultado de outras manifestações que surgiram mais recentemente, como a Marcha das Vadias, realizada no início deste mês, que contou com cerca de 300 pessoas.

As denúncias contra Teixeira pipocam na mídia internacional e repercutem no Brasil. Tiram o dirigente do sério. Nesta sexta-feira, em evento de apresentação das cidades-sede da Copa, o cartola discutiu com jornalistas ingleses . Chegou a chamá-los de corruptos.

A origem do ódio é a série de acusações feitas pela mídia britânica de que o cartola brasileiro teria recebido subornos de uma empresa suíça, a ISL, na década de 90, em troca de benesses na venda de direitos de transmissão de campeonatos, além de envolvimento em compra de votos para a escolha do Catar como sede do Mundial em 2022 e pedido de suborno para votar na Inglaterra para sede da competição em 2018.

"Esquece, isso é tudo armação. Esses ingleses estão putos porque perderam, eles não se conformam. Olha para mim e me fala se eu diria uma bobagem dessas. Que eu ia dizer que o Lula era nada. E pedir suborno em tribuna, na frente de todo mundo. Faz favor, né?", disse Teixeira, em entrevista à revista “Piauí”, sobre a rusga com os ingleses. À revista, ele também contestou o suposto suborno nos anos 90. "Eu nem era do Comitê Executivo (da Fifa) nessa época, iam me subornar para quê?".

Blatter (ao centro) em evento no Rio de Janeiro
Futura Press
Blatter (ao centro) em evento no Rio de Janeiro


Maracanã também na mira
João Hermínio Marques, presidente da FNT, deu o tom do protesto. Além da marcha contra Teixeira, o movimento que lidera conseguiu audiências no Ministério Público do Rio para contestar as obras no Maracanã. A primeira delas aconteceu na quinta-feira, teve como tema a redução de lugares no estádio e a aprovação da nova cobertura, feita de lona tensionada, sem a reconstrução da cobertura anterior, condenada pelos engenheiros que cuidam da reforma.

Haverá ainda outra audiência para questionar o custo da obra, que se aproxima de R$ 1 bilhão, além da concessão para o setor privado, como está previsto.

"Vamos do Largo do Machado em direção à Marina da Glória, até aonde der, e nosso movimento carregará a bandeira 'Fora Ricardo Teixeira'. Há uma falta de transparência e democracia na CBF, queremos uma intervenção do Ministério Público na CBF, até pelo fato dele ser presidente da CBF e também do COL. O comportamento dele não é nada democrático. Temos um país há mais de 20 anos em uma democracia e um cara que está há mais de 20 anos no comando do futebol. Ele alega que é uma entidade privada, mas é uma entidade que recebe incentivo do governo. Sozinha, a CBF não conseguiria fazer a Copa", argumenta João.

O receio do movimento é que a marcha seja interrompida pela Polícia Militar, ou que a própria segurança do evento impeça uma aproximação ao local do sorteio. "A gente não sabe se a polícia vai permitir que a marcha vá até a Marina da Glória. Esperamos que o nosso direito de ir e vir seja respeitado, mas não sabemos o que irá acontecer. De qualquer forma, será um protesto absolutamente pacífico", completou João.

O iG contatou a assessoria da PM e a resposta parece justificar o receio dos organizadores do protesto. Indagada por e-mail, conforme solicitado por telefone, a primeira resposta a respeito de haver, ou não, uma orientação no sentido de impedir a progressão da passeata até a Marina da Glória, a resposta foi: "O efetivo está no site".

Novamente, foi enviado e-mail avisando que a questão não fora respondida. O segundo retorno foi: " A PM atua sempre que existe distúrbio da ordem ou o impedimento do ir e vir dos cidadãos". No terceiro e-mail, foi feita a réplica: "De acordo com a assessoria da PM, portanto, os cidadãos que estiverem em um protesto pacífico não terão cessado o seu direito de ir e vir, correto?". Desta vez, não houve resposta. A assessoria de imprensa do COL também foi contatada por e-mail e por telefone na sexta-feira à tarde, mas não houve retorno.

Sem relação com os protestos deste sábado, foi criada na internet uma ferramenta virtual para postagem de denúncias a respeito de Teixeira. De acordo com a aferição dos autores, que pediram anonimato, o site já bateu a marca de 200 mil visitantes únicos. A página na internet vem contando com apoio de divulgação de alguns veículos de mídia e jornalistas renomados.

O site organiza um novo "megatwittaço", pedindo que seus visitantes postem na rede social Twitter com a "hashtag" #foraricardoteixeira e #caiforaricardoteixeira. O primeiro, segundo um dos autores do site, entrou no "trending topics" mundial, mas saiu rapidamente. O indivíduo consultado diz suspeitar de censura, mas admite não ter nada que comprove a suposição. Até as 20h11 de sábado, o site registrava 95.367 pessoas que postaram as "hashtags" no Twitter.

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