Jogador revela que treinador vem para ser campeão e que gostaria de encerrar a carreira nas Laranjeiras

O reencontro já tem dia e local marcados. Será no próximo 8 de junho, nas Laranjeiras. Mas Edinho não conteve a ansiedade e tratou de ligar para Abel Braga, em Abu Dhabi, para lhe dar as boas-vindas ao Fluminense . Na rápida conversa, o volante de origem, que já admite ser efetivado como zagueiro, recebeu um recado do futuro “velho” comandante: “Avisa para a rapaziada que eu estou voltando ao Fluminense para ser campeão!"

No futebol, a frase pode parecer lugar comum, mas, para quem conhece "Abelão" e conviveu com o treinador tanto tempo, como Edinho, ela não poderia soar mais verdadeira.

“Eu falei com o Abel rapidinho pelo telefone e senti que ele está empolgado e feliz demais com esse retorno. Uma das coisas que ele frisou bem para mim é que está vindo para ser campeão. Ele é um cara que não gosta de perder e, quando isso acontece, fica muito nervoso e de mau humor”, afirmou o jogador.

O moral de Edinho com o novo chefe é tanto que o jogador chegou a usar a faixa de capitão do Internacional em boa parte da temporada de 2006, quando o clube gaúcho conquistou a Libertadores e o Mundial Interclubes. Porém, acostumado com o perfil exigente do treinador, Edinho sabe que isso não lhe garante um lugar cativo na equipe titular.

“Muito pelo contrário. Com a chegada do Abel, aumenta ainda mais a responsabilidade. Sei que serei cobrado bastante por ele e pela sua comissão técnica. Mas estou muito feliz com retorno dele ao Fluminense”, disse o jogador.

A ligação com o clube das Laranjeiras não é uma exclusividade de Abel Braga. Embora tenha dado os primeiros chutes na bola pelo Barreira, modesta equipe da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, e surgido no cenário nacional com a camisa do Internacional, o Fluminense sempre esteve presente na vida de Edinho.

“Minha família toda torce pelo Fluminense. Estou muito feliz aqui. Pena que minha vinda não tenha ocorrido antes. Eu só não fico muito tempo no Flu se eles quiserem me mandar embora (risos). Até porque meu contrato é de três anos...”

Confira  os principais temas abordados na entrevista de Edinho ao iG

ABEL BRAGA
“Com a chegada dele aumenta ainda mais a cobrança e a nossa responsabilidade. Sei que serei cobrado bastante por ele e pela sua comissão técnica, pois vão exigir o máximo do grupo. Mas estou muito feliz com o retorno dele ao Fluminense. Tomara que ele seja muito feliz aqui com a gente.”

Abel Braga comanda treino do Inter em 2006. Edinho (à direita, de costas) ouve as instruções
Gazeta Press
Abel Braga comanda treino do Inter em 2006. Edinho (à direita, de costas) ouve as instruções


CRISE POLÍTICA NAS LARANJEIRAS
“Acho que o Abel é o cara ideal para esse tipo de situação. O Internacional passou por esse mesmo processo quando ele chegou, em 2006. Foi um ano de muita cobrança pela perda do título brasileiro de 2005 e ele chegou para colocar ordem na casa. Foi justamente o ano em que conquistamos tudo. Ele é um excelente treinador para qualquer momento, mas nessas circunstâncias ele cresce, pois tem um moral muito grande, é respeitado pelos torcedores e pela imprensa. Tenho certeza de que ele vai nos ajudar bastante.”


COMEÇO DA CARREIRA NO INTER
“O Inter me descobriu durante um Campeonato Brasileiro de juniores. Eu joguei pela seleção de Rio Bonito, mas nossa chave tinha o Internacional. Fiquei no Beira-Rio de 2002 a 2008. Minha base foi toda feita no Inter. Depois passei um ano no Lecce, da Itália, em 2009, e, em 2010, fui para o Palmeiras. Mas antes eu corri o Brasil e fiz testes no Cruzeiro, no Corinthians até ser aprovado pelo Flamengo. Passei um mês treinado lá e cheguei a morar na antiga concentração do clube, em São Conrado. Mas na época o Anderson Barros, que hoje está no Botafogo, era o diretor e me mandou embora”.

LIGAÇÃO COM O FLUMINENSE
“Minha família toda torce pelo Fluminense. O meu avô foi uma pessoa muito presente na minha vida e ajudou muito na minha carreira, tanto que eu tenho o mesmo nome dele. Ele já faleceu, mas sei que está feliz por eu estar jogando no Fluminense. Meu pai e meu tio também são tricolores fanáticos, então eu estou realizando um sonho de toda a família.

COBRANÇAS EM CASA
" Quando perdemos para o Libertad e fomos eliminados da Libertadores , o meu pai me ligou e meu tio também colocou uma pressão, foi complicado. Mas eu estou muito feliz aqui. Eu tenho 28 anos e ainda falta muito para pensar em me aposentar, mas seria bom demais encerrar a carreira no Fluminense."

O técnico interino Enderson Moreira lamenta a eliminação do Fluminense
Reuters
O técnico interino Enderson Moreira lamenta a eliminação do Fluminense


PRIMEIRO SEMESTRE DIFÍCIL
“Quando você ganha um título importante como aconteceu no ano passado, a tendência no futebol é que exista um relaxamento natural no ano seguinte se você não se planejar bem. Isso aconteceu com o Flamengo no ano passado e com o Internacional, em 2007. O primeiro semestre do Fluminense teve muitos altos e baixos. Chegaram alguns jogadores, sofremos com muitas lesões. Mas eu não acho que tenha faltado planejamento. A equipe fez uma pré-temporada boa, estava bem treinada e a expectativa era de um grande ano, mas acabou dando tudo errado. Isso acontece, agora temos que pensar em lutar pelo título do Campeonato Brasileiro para terminar o ano bem”.


FAVORITISMO NO BRASILEIRÃO
“Pelo elenco que tem, com grandes jogadores, e por ser o atual campeão brasileiro, eu acho que o Fluminense é um dos favoritos, sim. Nós vamos ter uma semana pra treinar e aprimorar a parte tática e física na Granja Comary. O Campeonato Brasileiro é muito difícil e o Fluminense sai na frente porque tem um elenco bom e a mesma base do ano passado. É uma competição na qual os jogadores são suspensos, se machucam e ter um bom elenco é um diferencial nosso.”


PROBLEMAS DE RELACIONAMENTO
“O grupo do Fluminense é muito bom para trabalhar. Em todos os clubes que eu joguei sempre tiveram algumas turbulências só que por aqui as coisas vazam muito pela imprensa. Coisa que nos outros clubes não acontece. O Abel também é um cara vacinado e que sabe administrar um grupo. Tem o Leomir (auxiliar técnico) ainda, que tem uma história aqui e dá um suporte legal. Tenho certeza de que vai dar tudo certo.”


COMPARAÇÃO COM EDINHO
, ÍDOLO DO FLU
“Infelizmente eu só o vi jogar no futebol de areia e não tive a honra de conhecê-lo pessoalmente. Mas meu pai disse que o Edinho foi o maior zagueiro que ele viu e que, se eu jogar 20% do que ele jogou, eu estou bem (risos). Eu digo que com 10% eu já estou satisfeito. Meu pai idolatrava o Edinho. Sei que ele foi um baita jogador e é uma pena que eu não tenho tido a chance de vê-lo jogar.”


MUDANÇA PARA A ZAGA
“Eu fiquei quatro jogos sem entrar no time, e, se o treinador me pedisse para jogar de ponta-esquerda, eu jogava. É uma situação muito ruim ficar fora. A oportunidade surgiu na zaga e eu tive que agarrar. Se fiz bons jogos na zaga, o mérito é todo do Gum porque ele me orientou muito.”


CAMPEONATO BRASILEIRO
“Com certeza é a campeonato mais difícil do mundo. Eu joguei no Lecce e quando a gente enfrentava Internazionale, Milan ou Roma, por exemplo, sabíamos que a derrota era certa. Só não sabíamos de quanto íamos perder. No Brasileirão, não. Cada jogo é uma guerra. O último colocado que está lutando contra o rebaixamento pode vencer o líder da competição.”

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