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Julio Cesar comemora aniversário e espera título para ser unânime

Corintiano faz 27 anos e sonha que taça do Brasileiro o aproxime de feitos de Marcos e Rogério Ceni

Bruno Winckler, iG São Paulo |

Julio Cesar completa 27 anos nesta quinta-feira. Seguro como titular do gol do Corinthians  desde julho de 2010, ele chega a uma idade na qual o rival Marcos, uma referência para o corintiano, já tinha atingido status de intocável no Palmeiras. Com a mesma idade, ainda com poucos anos como titular do São Paulo, Rogério Ceni também iniciava seu caminho para ser unânime entre os são-paulinos. Com bons e maus momentos, Julio Cesar quer repetir essa história no Corinthians. E, para isso, como fizeram os veteranos rivais, sabe exatamente do que precisa. “Falta um título”, disse Julio César, em entrevista ao iG.

Bruno Winckler
Júlio César retomou treinos específicos

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Com ótimas atuações contra o Palmeiras no currículo, como teve Marcos contra o Corinthians, Julio Cesar pode ser decisivo mais uma vez na última rodada do Brasileirão, quando o dérbi encerra a participação de ambos na competição. Se fechar o gol contra o rival, como fez em outras oportunidades no Pacaembu ( relembre aqui ), Julio acredita que poderá deixar de lado a desconfiança que o acompanhou neste período como titular.

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Nesta entrevista, o goleiro falou sobre a dificuldade que foi se firmar no gol corintiano. Reconheceu falhas, mas assegurou que elas o fizeram amadurecer e que está pronto para ter erro zero nesta reta final e assim colaborar decisivamente para seu primeiro título como protagonista (ele estava no elenco do título brasileiro de 2005 e foi reserva nos títulos paulista e da Copa do Brasil de 2009). Ele ainda comentou o drama que viveu com sua mãe, Carmen, que passou por sérios problemas de saúde neste ano.

Leia abaixo a entrevista exclusiva de Julio Cesar ao iG

iG: Você completa mais um aniversário como titular. Teve bons e maus momentos, mas se firmou. Você acredita que atingiu a maturidade necessária para assumir a responsabilidade de defender o Corinthians?
Julio Cesar:
Estou titular há um ano e meio aproximadamente. Foi um período em que cresci muito profissionalmente. Amadureci bastante e passei por situações tanto boas como ruins aqui dentro do clube que me ajudaram a prevalecer. Claro que há situações que não prevemos passar e nunca queremos passar, é da vida, acontece. A lesão (fratura do dedo), uma falha e a perda de um título (contra o Santos), isso são coisas que acontecem. Mas nesse período o saldo é muito positivo, pelo trabalho, pelo rendimento e agora brigando pelo título. É um sonho de moleque sendo realizado. Quando eu tinha 18 anos, meu sonho era jogar uma Taça São Paulo. Agora, com 27, sou titular do Corinthians profissional e quero ser campeão brasileiro como titular. Está próximo, tem muitas dificuldades, muitas pedras no caminho para se superar. Estou mais maduro, mais experiente, estou perto de conseguir. Uns vão falar que ainda sou novo, outros daqui três anos, quando estiver com 30, já vão falar que sou velho. Então vou seguindo meu caminho e espero seguir um caminho longo aqui no clube.

iG: Você sempre citou o Marcos como referência e por coincidência ele começou a se firmar no Palmeiras nessa idade, de 26 para 27 anos, quando teve atuações significativas, principalmente contra o Corinthians. Dá para comparar um pouco o seu início com o dele, já que você tem se destacado contra o Palmeiras também?
Julio Cesar:
O Marcos é uma pessoa pela qual tenho muita admiração, um carinho enorme, um respeito muito grande. Ele e o Rogério (Ceni) são goleiros em que me espelho muito. O Rogério certa vez, numa matéria, disse que o começo da carreira dele foi meio parecido com o meu. O (início) do Marcos também tem coisas que batem. Mas eu espero que não só o começo, mas toda uma carreira de tanto sucesso que eles fizeram eu faça aqui no Corinthians. Sei que para eu fazer isso tenho um longo caminho ainda. As carreiras deles são de muitas vitórias, de batalha, luta e conquistas. Comecei no jeito certo, num time grande e, como eles jogaram, quero jogar num time só. Isso eu quero fazer na minha carreira. Saber que eles começaram com as mesmas dificuldades que eu comecei – porque não é fácil começar num time grande – me anima cada vez mais para que eu possa continuar trabalhando e seguindo meu caminho.

iG: O que falta para que você seja unânime no Corinthians como Marcos e Rogério Ceni são nos seus clubes?
Julio Cesar:
Falta um grande título como o Campeonato Brasileiro. E, se Deus quiser, no ano que vem a Libertadores, se nos classificarmos, e eu acredito que estamos perto. Então, o que falta é um grande título, um título de expressão, como eles têm. Partidas boas eu tenho feito, graças a Deus tenho ido bem em jogos importantes, em clássicos, mas falta mesmo é levantar um caneco.

AE
Julio Cesar comemorou 100 jogos pelo Corinthians na partida contra o Botafogo, dia 12
iG: Desse período como titular, você viveu bons e maus momentos. Se pudesse escolher um momento bom e outro ruim, quais escolheria?
Julio Cesar:
Momento ruim foi a final do Paulista contra o Santos. Foi o pior momento da minha carreira. Estava bem no jogo, mas tive um erro no final que me atrapalhou bastante. Foi muito difícil retomar a confiança no trabalho novamente. Foi o pior momento. E o melhor foi um pouquinho antes, na semifinal contra o Palmeiras, quando eu fui bem e depois peguei o pênalti. Foi o momento mais especial. Tirando títulos, ou qualquer outra coisa, aquele momento foi muito especial na minha carreira. Momento que comemorei bastante com minha família e com meus colegas e foi um momento em que pude falar que honrei a camisa do Corinthians.

iG: Ao lado do Ralf e do Alessandro, você é um dos únicos que ainda são titulares em relação ao time que brigou pelo título no ano passado. O que dá para tirar de lição para que os erros cometidos em 2010 não se repitam neste ano?
Julio Cesar:
O que dá para ser evitado, não que ano passado teve, mas o que dá para ser evitado e precisa ser evitado, é o salto alto, um pouco de desprezo às equipes que não estão tão bem no campeonato. Então é isso que a gente sabe que tem de ser eliminado da nossa equipe. Isso não pode existir porque a gente sabe que vamos ter dificuldades.

iG: Que comparações você faz entre aquele time e este?
Julio Cesar:
O time do ano passado para esse time era mais experiente. Mas o desse ano é mais objetivo. É um time que sofre poucos gols (31, com a melhor defesa do Brasileiro), mas que tem feito muitos gols na frente (44). A gente sabe que se lá atrás a gente se fechar e não tomar gol estaremos muito perto de vencer as partidas. Esse time é um pouco mais forte apesar de ser mais inexperiente. A gente sabe que no ano passado a gente teve uma lição ruim, amarga, do empate contra o Vitória, que tirou a gente da liderança e nesse ano vamos ter a mesma experiência jogando contra times que brigam para não cair. Mas temos de ir lá e buscar, claro que respeitando sempre, mas brigando pelo título brasileiro.

iG: Contra o Goiás, na última rodada do ano passado, você acabou falhando. Você sente que para ser campeão você precisa ter erro zero?
Julio Cesar:
Tem que ter erro zero, mas tem de ser um erro zero de todos. Eu acredito que um goleiro não ganha jogo sozinho e também não perde. Se o goleiro e a zaga tiverem erro zero e não tomarem gol, nosso ataque é de muita qualidade para fazer gol. Como foi o campeonato inteiro, nós tomando poucos gols, sendo uma zaga muito consistente, temos que continuar assim, do mesmo jeito, porque assim o time inteiro vai se beneficiar. Na reta final todo mundo tem de estar concentrado fisicamente e tecnicamente.

AE
Julio Cesar superou fratura e voltou a ser titular da defesa menos vazada do Brasileiro

iG: Seu ano foi difícil pelo que sua mãe viveu, as internações, a rotina de hospital. Vê-la bem hoje te serve como motivação para buscar com ainda mais força esse título?
Julio Cesar:
Serve como motivação, sim. Minha mãe é uma guerreira que sempre torceu e que colaborou muito para que eu realizasse meu sonho de jogar futebol. Quando tinha 14 anos ela pediu para que eu trabalhasse porque a gente precisava. E eu pedi que ela me desse mais um ano para que eu jogasse futebol. Foi nesse ano que entrei na base do Corinthians. Então ela já colaborou desse jeito. E nesse ano, por ter fumado muito ao longo de muitos anos, ficou com problemas pulmonares, teve de usar oxigênio, ficou internada três vezes. Agora parou de fumar, graças a Deus, está muito bem, está fazendo tratamento.

IG: Isso te atrapalhou em campo?
Julio Cesar: Claro que a gente procura não deixar atrapalhar nos treinamentos. Diretamente não atrapalhava, mas indiretamente atrapalha um pouco. Muda rotina, tem de ir ao hospital todo dia e isso é triste. Graças a Deus passamos por tudo e tomara que ela possa ficar comigo por muitos e muitos anos, como meu pai (Milton) também, que é um grande incentivador. Ele até virou a casaca, era santista, virou corintiano, e sempre vai ao Pacaembu. Tomara que comemore o título com todos os corintianos no final do ano.

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