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Júlio Bueno defende nova relação com patrocinadora e quer transformar o clube em empresa

Candidato quer verticalização da sede e projetos para esporte amador com verbas de leis de incentivo. Ele prega maior autonomia para o Fluminense na parceria com a Unimed

iG São Paulo |

Apoiado pela atual diretoria e por gente de peso no esporte, como o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, e o presidente da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), Ary Graça, o candidato Júlio Bueno acredita ser possível equacionar a dívida milionária transformando o Fluminense em empresa. Quer vender cotas do clube e separar a dívida das receitas, passando a usar essas cotas como ativos.

Ele defende mudanças no formato da parceria com a Unimed, com maior autonomia para o Fluminense, e pretende buscar nas leis de incentivo a verba para renovar o esporte olímpico tricolor, em projeto elaborado por Graça. Bueno cogita também a verticalização da sede administrativa do clube, com a construção de um edifício, semelhantes ao que fizeram clubes fortes no esporte amador como Pinheiros e Minas.

Confira abaixo a entrevista de Júlio Bueno ao iG:

iG: O que o senhor fará para administrar e pagar a dívida de cerca de R$ 340 milhões? É possível reverter o quadro?
Júlio Bueno: Acho que é possível, mas precisamos transformar o modelo. Estamos apostando no clube-empresa. Com isso, o futebol saindo do clube e se tornando uma empresa, você pode vender cotas. Fica a dívida no clube e a empresa leva as receitas, com o compromisso de pagar a dívida. A dívida com o governo está razoavelmente equacionada, não está totalmente porque o clube não está pagando. A ideia é vender cotas do Fluminense para sócios, torcedores ilustres, torcida em geral e fundos internacionais. A grande questão, que é a dívida trabalhista, a gente negociará também com essas cotas, ou seja, as cotas passarão a ser um ativo que teremos também para amortizar a dívida. Tenho todo o esquema montado, tenho um banco e um escritório de advocacia comigo trabalhando nessa solução. Não acredito que no modelo atual se consiga equacionar a dívida, já que mesmo vendendo todo o patrimônio do clube, não dá para pagar.

iG: Qual o plano do senhor para os esportes olímpicos do Fluminense, visto que o Rio será sede de uma olimpíada em cinco anos, ou seja, uma data ao alcance de uma reeleição?
Júlio Bueno: O nosso projeto do esporte olímpico foi feito pela Confederação Brasileira de Vôlei. O Ary Graça e o seu superintendente fizeram inclusive uma apresentação no Fluminense. O Nuzman (Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB) também declarou apoio à candidatura. Ambos são tricolores. E os dois dizem a mesma coisa: temos de aproveitar a agenda esportiva para deixar um legado ao Fluminense. Para isso, vamos fazer duas coisas. Para o atleta de alto desempenho, centros de desenvolvimento dos atletas, usando os municípios. Tem de conjugar incentivo tributário, o município ajudando com infra-estrutura, e esportes que permitam usar essa verba, além de empresas dispostas a usar essa renúncia fiscal. Esse é o projeto. O Minas conseguiu R$ 17 milhões no ano passado, o Fluminense conseguiu zero. Por quê? Porque não há renúncia tributária. E por que não há? Porque a dívida não permite. E vamos apoiar as divisões de base. O Fluminense passará a pagar todas as inscrições nas competições, o que não faz hoje, pagará todas as passagens, compromisso meu, e a relação dos pais dos atletas com o clube será transparente, não haverá caixa 2.

iG: Como será a relação com a atual patrocinadora na eleição?
Júlio Bueno: Essa questão é fundamental. A Unimed, ou qualquer patrocinador, é super bem-vinda. Queremos uma relação profissional, como qualquer time do país. Agora, tem o seguinte: o recurso tem de entrar pelo clube, não por fora. O João Havelange critica essa simbiose que existe entre o Fluminense e a Unimed, em que parte dos atletas o clube paga, o outro é o patrocinador que paga direto, isso não existe. O Fluminense tem de ter autonomia nas decisões do futebol, a Unimed é sempre bem-vinda, daremos um retorno espetacular. No capitalismo não há ódio nem amor, só interesse. Negociaremos de todas as formas, achamos a Unimed excelente, mas o modelo atual tem de mudar. O futebol tem de estar sob domínio do Fluminense. É isso.

iG: Qual o projeto do senhor para a sede social do clube?
Júlio Bueno: Sumir com o campo, de jeito nenhum. É a nossa história. Ali vamos fazer uma arena para o Fluminense. O tamanho da arena e o uso que terá, vamos discutir. Não sei se para a base, para o profissional, mas o campo tem de ser preservado. São duas ou três hipóteses. Uma delas é fazer das Laranjeiras uma espécie de Maracanã das divisões de base. Outra, mais ousada, é fazer uma arena para 15 ou 20 mil pessoas e colocar o profissional para jogar. Aí tem de negociar com investidor, prefeitura, é um pouco mais enrolado. A capacidade da arquibancada hoje é para oito mil, o que para a base é mais do que suficiente. A gente tem de modernizar a sede social. Já conseguimos recursos, R$ 13 milhões para reformar a sede social que está cheia de cupim. Na minha avaliação, precisamos verticalizar, fazer um edifício, à semelhança de Minas e Paulistano. O Pinheiros também é assim. E isso com estacionamento, que também rende. Seria uma verdadeira transformação.

iG: O que o senhor pretende fazer para ampliar o número de associados no clube, existe algum plano como programas de fidelidade para os torcedores?
Júlio Bueno: Por vários motivos isso ainda não vingou. Precisa de um estádio. Todos esses programas de fidelização que deram certo foram vinculados  a um estádio, como Internacional, Grêmio e por aí vai. Então precisamos de uma arena, que deve ser própria, pequena, além do Maracanã. E precisa de um departamento de marketing profissional. Ainda mais se for uma empresa, porque senão tiver marketing profissional, não consegue recurso. Na minha proposta, os torcedores do Fluminense serão donos do clube.

iG: O senhor tem um projeto para a construção do Centro de Treinamento desejado pelo Muricy? Já existe algum terreno?
Júlio Bueno: Isso é prioridade zero. Tem de ter um CT. Total prioridade. Começa por aí. Tem projeto, tem discussão, tem alternativa, mas tem de ter dinheiro. Mas como faz um CT com uma dívida de R$ 320 milhões. Tem de equacionar isso e, paralelamente, fazer o CT. Não pode ser um time de Primeira Divisão, ser um time internacional, se não tiver um CT à altura dos melhores clubes do mundo. Não tenho o modelo pronto. Pode começar com um CT alugado e depois construir um. Mas tem de haver um CT. Eu sempre achei que Xerém deveria ser o CT. O pessoal diz: O jogador não vai..., mas não vai se não estiver uma estrutura direita. O CT do Real Madrid é a 50km de Madri.

iG: Apesar da força de Xerém na revelação de jogadores, muita gente reclama da falta de estrutura. O senhor pretende aumentar o investimento em Xerém, qual o plano para o CT da base?
Júlio Bueno: A estrutura de Xerém precisa ser totalmente reformada. Os campos são muito ruins a estrutura física está muito ruim. Precisa realmente de investimento. Esse aporte é viável. Por exemplo, é absolutamente factível fazer um fundo só para Xerém. Essa questão é uma prioridade. O projeto é Fluminense SA e Xerém faz parte dele.

iG: Qual o planejamento para a disputa da Libertadores de 2011? Isso já foi conversado com a patrocinadora?
Júlio Bueno: Não tive contato nenhum sobre isso nem com a patrocinadora nem com a atual diretoria, pois estou muito preocupado que isso interfira na reta final do Brasileiro. Detestaria isso, pois estamos todos nós com o coração na mão querendo ser campeões.

iG: O senhor tem algum projeto para a construção de um estádio, no embalo da Copa de 2014?
Júlio Bueno: O presidente do Fluminense agora vai ter obrigação que o legado da Copa e da Olimpíada repercuta de alguma forma no clube.  Esse é o grande desafio da nova diretoria. Utilizar essa possibilidade é a grande questão e para isso precisa de articulação política e empresarial, que eu acho que tenho.

iG: Como o senhor avalia a situação atual do Fluminense e qual é a situação mais urgente a ser resolvida?
Júlio Bueno: O Fluminense precisa equacionar sua dívida. Tudo decorre disso. Se você equaciona a dívida e tem uma boa previsão do fluxo financeiro, você consegue transformar o clube. A situação atual é de decadência, mas não demonizo ninguém. Isso vem de 25 anos. É decadência em todas as áreas e isso é o que me motiva, assegurar que o Fluminense irá até o fim do século como um time de ponta.

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