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Futebol
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Jovens do Botafogo batalham para brilhar no futebol e nos estudos

Goleiro Luis Guilherme e volante Lucas Zen, da equipe profissional, foram aprovados em universidades

Renan Rodrigues, iG Rio de Janeiro |

Ter que escolher uma profissão, estudar duro e se preparar para o vestibular já envolve uma grande dose de pressão para um jovem que está perto de completar o ensino médio. Agora, além disso, imagine ter que se destacar nas categorias de base de uma equipe, em meio a vários outros jogadores, e conquistar um espaço em um time grande do futebol brasileiro. Foi o que aconteceu com o volante Lucas Zen e com o goleiro Luis Guilherme, ambos do Botafogo.

Com passagens por várias categorias de base da seleção brasileira, as duas revelações do time carioca foram aprovadas em universidades e também subiram para a equipe profissional. Enquanto Luis Guilherme iniciará o curso de psicologia nos próximos dias, o volante Lucas Zen foi obrigado a trancar a matrícula no curso de administração, pela distância entre a faculdade e os locais de treinamento do Botafogo: o CT de General Severiano, em Botafogo, e o estádio Engenhão, no bairro de Engenho de Dentro.

Estudos e treinamentos
Abrir mão de uma vida social normal para um adolescente. Este foi o sacrifício em comum que os dois jogadores tiveram que fazer para que realizassem seus sonhos. "Eu aproveitava o intervalo das aulas para fazer alguns exercícios. Como treinava nas categorias de base, não tinha muito tempo livre. Cheguei a levar apostilas para ler em viagens de ônibus do Botafogo. Tentava reforçar o conteúdo das aulas nos momentos vagos. Chegava em casa tão cansado que praticamente só dormia", contou Lucas Zen.

Divulgação
Goleiro Luis Guilherme durante preparação para o vestibular


Situação parecida com a do goleiro Luis Guilherme, que também virou presença rara nas festas dos amigos de colégio. "Em alguns momentos é preciso fazer uma escolha. Mas sei que meus amigos e parentes entenderam o afastamento, afinal de contas estava me dedicando a um sonho, me esforçando para fazer algo que será importante para minha vida no futuro. A carreira de jogador é curta, é preciso ter uma formação para a aposentadoria", disse o goleiro.

Aprovado no final do ano passado, Luis Guilherme iniciará o curso de psicologia no próximo dia 15 de março, na universidade IBMR. Na sala de aula, ele garante que será só mais um estudante. "Ainda estou começando, acho que não terá muito assédio. Na sala de aula só quero aprender, adquirir mais conhecimento. O goleiro do Botafogo fica do lado de fora", disse Luis Guilherme.

Já Lucas Zen ainda espera a oportunidade para começar a faculdade. Aprovado na Universidade Federal Fluminense (UFF), no final de 2009, o jogador ainda treinava com os juniores em Niterói, mesma cidade onde fica a universidade, quando foi promovido ao elenco profissional do Botafogo no segundo semestre de 2010, exatamente quando iniciaria as aulas. Um momento de alegria e tristeza ao mesmo tempo.

"Fiquei feliz porque atingi meu objetivo profissional, que era subir ao time principal. Meu sonho é ser jogador de futebol, é o que quero pra minha vida, mas também fiquei um pouco chateado por não poder frequentar o curso. Quero organizar meus horários e voltar a estudar quando possível. Não vou esperar me aposentar da carreira de jogador para começar", disse Zen.

Reflexos dentro de campo
Luis Guilherme e Lucas Zen são casos raros no futebol. Segundo pesquisa realizada em 2010 pela Universidade Federal de Pernambuco, 72,4% dos jogadores não possuem o ensino fundamental completo. Para o gerente das categorias de base do Botafogo, Sidnei Loureiro, o grau de instrução dos dois atletas também representa influência dentro de campo.

"Tanto o Luis Guilherme quanto o Lucas Zen sempre foram capitães nas divisões inferiores. Eles são um exemplo para os outros atletas, têm uma conduta diferenciada. Isso também ajudou para que eles chegassem ao profissional, são jovens que tiveram foco, ambição. Os dois falam inglês, e em competições internacionais que disputamos eles atuavam como tradutores do grupo", contou o cartola.

Os atletas das categorias de base do Botafogo são obrigados a apresentar comprovante de matrícula escolar no começo de cada temporada. O clube também coloca uma assistente social à disposição para auxiliar atletas com dificuldade na rotina escolar.

Apesar de incentivar o estudo, Sidnei Loureiro acredita que a responsabilidade em manter os atletas no colégio deve ser da família. "Atuamos como cidadãos, damos palestras, explicamos a necessidade do estudo. Em um universo de 30 garotos que estouram a idade para subir ao profissional, só três ou quatro alcançarão esse objetivo. Mesmo assim, muitos pais esquecem e colocam toda a responsabilidade nas costas de um garoto. Se ele não dá certo, muitas vezes está desamparado, sem poder competir no mercado de trabalho. É uma situação muito complicada", analisou.

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