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Jorginho crê em título e diz se arrepender de atitude na seleção

No Figueirense, técnico tem time invicto há 12 rodadas e perto dos líderes do Brasileiro

Paulo Passos, iG São Paulo |

AE
Jorginho está desde março no Figueirense. Time ainda sonha com título e vaga na Libertadores
Com a fala pausada, a voz baixa, mas empolgada, Jorginho tenta explicar em entrevista ao iG o sucesso do Figueirense no Campeonato Brasileiro . O técnico do clube catarinense, há 12 rodadas invicto e que enfrenta o Atlético-MG neste sábado, parece bem diferente do auxiliar-técnico da seleção brasileira no último Mundial. O mesmo que pregava de forma inflamada aos jornalistas no anúncio da convocação para a Copa, em maio de 2010, que parassem de criticar a equipe e torcessem pelo Brasil.

“Me arrependo daquilo. Fiquei com a imagem de explosivo, o que não é verdade. Mas foi um erro meu”, diz, com a sinceridade de quem hoje aponta Neymar como o melhor jogador do mundo, à frente de Messi. “Antes da Copa nem cogitamos levá-lo. A filosofia era não levar ninguém que não tivesse sido testado. Ele evoluiu muito desde então”, explica.

Figueirense é o sexto no Campeonato Brasileiro; Veja a classificação

O que Jorginho gosta mesmo de falar é sobre sucesso do Figueirense no Brasileiro. Há oito meses no clube, ele chega na reta final do torneio em ascensão, na sexta posição e com apenas cinco pontos a menos que o líder.

“Ser campeão é possível. Para alguns é utopia, não para nós. Nossa filosofia é como a dos alcoólicos anônimos, sabe? Um passo de cada vez”, diz Jorginho.

Confira a entrevista exclusiva:

iG: Qual o segredo da boa campanha do Figueirense no Campeonato Brasileiro?
Jorginho: Primeiro, nós tivemos tempo para trabalhar. Estou desde março no clube. É até engraçado porque caímos nas semifinais do Catarinense e, com isso, conseguimos fazer uma preparação mais longa para o Brasileiro. A eliminação acabou ajudando. Temos bons jogadores que entenderam a filosofia de trabalho. Acho que a nossa equipe não perde para nenhuma do campeonato em termos de organização em campo. Com as vitórias, fomos ganhando confiança.

iG: Você acha que ainda dá para ser campeão?
Jorginho: Sim. Para alguns pode parecer utopia, mas para a gente é possível. Nossa filosofia é como a dos alcoólicos anônimos, sabe? Um passo de cada vez. Uma vaga na Libertadores já seria muito bom. Nossa diferença para o líder era de 10 pontos há algumas rodadas. Hoje é de cinco. Como esta muito equilibrado o campeonato, tudo pode acontecer.

iG: O Figueirense tem menos verba que todos os outros times da ponta para contratações. Como vocês formaram um time competitivo?
Jorginho: Acho que fizemos boas escolhas para o Brasileiro. O Julio Cesar e o Elias foram reforços para o Brasileiro. Quando eu cheguei, o time tinha 40 jogadores. Hoje estamos com 22 jogadores de linha. É um número limitado, mas usamos jogadores da base também. Temos um time competitivo.

Getty Images
Durante quatro anos, Jorginho foi auxiliar de Dunga na seleção
iG: O que ficou de lembrança da sua passagem como auxiliar técnico na seleção? Se arrepende de algo?
Jorginho: Fizemos um trabalho muito bom. Não foi melhor porque não ganhamos a Copa. Trabalhamos com planejamento e conquistamos tudo antes da Copa. Só me arrependo do relacionamento com a imprensa, que acho que se perdeu um pouco no caminho e isso refletiu na imagem. Não houve interferência disso no resultado, mas foi algo desnecessário. Vi as coletivas e acho que fiquei com a imagem de explosivo. Eu sempre tentei apaziguar o Dunga, mas vi alguns comentários que envolvia a família dele e não achava isso certo. Mas me arrependo de ter ido nas coletivas, de ter dito algumas coisas. Hoje vejo e me sinto um pouco papagaio de pirata na cena da convocação, quando pedi para que os jornalistas torcerem para a seleção.

iG: Você ainda mantém contato com o Dunga?
Jorginho: Sim, ficou uma amizade muito grande. Falamos por telefone. Ele vai voltar a treinar logo, acho. É engraçado porque na época de jogador, não éramos da mesma turma na seleção. Ele era do grupo do Romário, do Ricardo Rocha, do Branco. Eu era do grupo do Bebeto e do Leonardo. Nessa última passagem na seleção é que nos aproximamos mais. Hoje o tenho como um irmão.

iG: Vendo o Neymar hoje não bate um arrependimento de não ter levado para a Copa?
Jorginho: Uma coisa é o Neymar de hoje, outra é o de 2010 antes da Copa. Em 2009, ele tinha até sido colocado na reserva em alguns jogos pelo Vanderlei Luxemburgo. Hoje o Neymar é o melhor do mundo, à frente do Messi inclusive. Mas nem discutimos o nome dele antes da Copa. Era muito inexperiente. Não levamos ninguém que não foi testado antes. O Dunga tinha isso claro. E não acho que foi um erro.

iG: E por que você o vê à frente do Messi?
Jorginho: O Messi tem os melhores do mundo com ele no Barcelona. O Neymar faz o que faz no Santos com companheiros piores. Outra, o Barcelona não seria o que é no Brasil. Primeiro porque não ia conseguir tocar a bola do mesmo jeito nos gramados daqui. No Engenhão, na própria Vila Belmiro. Os campos ruins iriam atrapalhar o Barcelona e o Messi. Seria uma equipe de alto nível, mas não a mesma coisa que na Europa.

Gazeta Press
"Nem discutimos o nome do Neymar antes da Copa. Era muito inexperiente.Hoje é outro jogador, vejo à frente do Messi", diz Jorginho

 

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