No Figueirense, técnico tem time invicto há 12 rodadas e perto dos líderes do Brasileiro

Jorginho está desde março no Figueirense. Time ainda sonha com título e vaga na Libertadores
AE
Jorginho está desde março no Figueirense. Time ainda sonha com título e vaga na Libertadores
Com a fala pausada, a voz baixa, mas empolgada, Jorginho tenta explicar em entrevista ao iG o sucesso do Figueirense no Campeonato Brasileiro . O técnico do clube catarinense, há 12 rodadas invicto e que enfrenta o Atlético-MG neste sábado, parece bem diferente do auxiliar-técnico da seleção brasileira no último Mundial. O mesmo que pregava de forma inflamada aos jornalistas no anúncio da convocação para a Copa, em maio de 2010, que parassem de criticar a equipe e torcessem pelo Brasil.

“Me arrependo daquilo. Fiquei com a imagem de explosivo, o que não é verdade. Mas foi um erro meu”, diz, com a sinceridade de quem hoje aponta Neymar como o melhor jogador do mundo, à frente de Messi. “Antes da Copa nem cogitamos levá-lo. A filosofia era não levar ninguém que não tivesse sido testado. Ele evoluiu muito desde então”, explica.

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O que Jorginho gosta mesmo de falar é sobre sucesso do Figueirense no Brasileiro. Há oito meses no clube, ele chega na reta final do torneio em ascensão, na sexta posição e com apenas cinco pontos a menos que o líder.

“Ser campeão é possível. Para alguns é utopia, não para nós. Nossa filosofia é como a dos alcoólicos anônimos, sabe? Um passo de cada vez”, diz Jorginho.

Confira a entrevista exclusiva:

iG: Qual o segredo da boa campanha do Figueirense no Campeonato Brasileiro?
Jorginho: Primeiro, nós tivemos tempo para trabalhar. Estou desde março no clube. É até engraçado porque caímos nas semifinais do Catarinense e, com isso, conseguimos fazer uma preparação mais longa para o Brasileiro. A eliminação acabou ajudando. Temos bons jogadores que entenderam a filosofia de trabalho. Acho que a nossa equipe não perde para nenhuma do campeonato em termos de organização em campo. Com as vitórias, fomos ganhando confiança.

iG: Você acha que ainda dá para ser campeão?
Jorginho: Sim. Para alguns pode parecer utopia, mas para a gente é possível. Nossa filosofia é como a dos alcoólicos anônimos, sabe? Um passo de cada vez. Uma vaga na Libertadores já seria muito bom. Nossa diferença para o líder era de 10 pontos há algumas rodadas. Hoje é de cinco. Como esta muito equilibrado o campeonato, tudo pode acontecer.

iG: O Figueirense tem menos verba que todos os outros times da ponta para contratações. Como vocês formaram um time competitivo?
Jorginho: Acho que fizemos boas escolhas para o Brasileiro. O Julio Cesar e o Elias foram reforços para o Brasileiro. Quando eu cheguei, o time tinha 40 jogadores. Hoje estamos com 22 jogadores de linha. É um número limitado, mas usamos jogadores da base também. Temos um time competitivo.

Durante quatro anos, Jorginho foi auxiliar de Dunga na seleção
Getty Images
Durante quatro anos, Jorginho foi auxiliar de Dunga na seleção
iG: O que ficou de lembrança da sua passagem como auxiliar técnico na seleção? Se arrepende de algo?
Jorginho: Fizemos um trabalho muito bom. Não foi melhor porque não ganhamos a Copa. Trabalhamos com planejamento e conquistamos tudo antes da Copa. Só me arrependo do relacionamento com a imprensa, que acho que se perdeu um pouco no caminho e isso refletiu na imagem. Não houve interferência disso no resultado, mas foi algo desnecessário. Vi as coletivas e acho que fiquei com a imagem de explosivo. Eu sempre tentei apaziguar o Dunga, mas vi alguns comentários que envolvia a família dele e não achava isso certo. Mas me arrependo de ter ido nas coletivas, de ter dito algumas coisas. Hoje vejo e me sinto um pouco papagaio de pirata na cena da convocação, quando pedi para que os jornalistas torcerem para a seleção.

iG: Você ainda mantém contato com o Dunga?
Jorginho: Sim, ficou uma amizade muito grande. Falamos por telefone. Ele vai voltar a treinar logo, acho. É engraçado porque na época de jogador, não éramos da mesma turma na seleção. Ele era do grupo do Romário, do Ricardo Rocha, do Branco. Eu era do grupo do Bebeto e do Leonardo. Nessa última passagem na seleção é que nos aproximamos mais. Hoje o tenho como um irmão.

iG: Vendo o Neymar hoje não bate um arrependimento de não ter levado para a Copa?
Jorginho: Uma coisa é o Neymar de hoje, outra é o de 2010 antes da Copa. Em 2009, ele tinha até sido colocado na reserva em alguns jogos pelo Vanderlei Luxemburgo. Hoje o Neymar é o melhor do mundo, à frente do Messi inclusive. Mas nem discutimos o nome dele antes da Copa. Era muito inexperiente. Não levamos ninguém que não foi testado antes. O Dunga tinha isso claro. E não acho que foi um erro.

iG: E por que você o vê à frente do Messi?
Jorginho: O Messi tem os melhores do mundo com ele no Barcelona. O Neymar faz o que faz no Santos com companheiros piores. Outra, o Barcelona não seria o que é no Brasil. Primeiro porque não ia conseguir tocar a bola do mesmo jeito nos gramados daqui. No Engenhão, na própria Vila Belmiro. Os campos ruins iriam atrapalhar o Barcelona e o Messi. Seria uma equipe de alto nível, mas não a mesma coisa que na Europa.

Gazeta Press
"Nem discutimos o nome do Neymar antes da Copa. Era muito inexperiente.Hoje é outro jogador, vejo à frente do Messi", diz Jorginho

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