Declarações polêmicas, briga política, erros técnicos e falta de dinheiro são exemplos que atrapalham Felipão

Sem ganhar um título desde 2008, quando conquistou o Campeonato Paulista, e sem uma taça que tenha relevância no cenário do futebol desde 1999, quando foi campeão da Libertadores, o Palmeiras esbarra quase sempre nos mesmos erros na hora de voltar a dar alegria a seus torcedores.

Por isso, o iG fez um levantamento de sete problemas que incomodam o clube desde o início deste ano e que atrapalham Felipão na busca por títulos e recolocar sua equipe na rota em que ele mesmo deixou em 2000, após somar os títulos da Copa do Brasil, da Mercosul, da Libertadores, do Rio-São Paulo e da Copa dos Campeões.

Siga o Twitter do iG Palmeiras e receba as notícias do seu time em tempo real

Pelo menos por enquanto, o treinador consegue ir contra todos esses detalhes e mantém seu time entre os melhores do Brasileirão e com apenas quatro derrotas na temporada inteira.

Tirone comparou caos político com filme da Máfia Italiana
Reprodução
Tirone comparou caos político com filme da Máfia Italiana

“O Poderoso Chefão”

O próprio presidente do Palmeiras, Arnaldo Tirone, já definiu a situação política do seu clube como “O Poderoso Chefão”. Ele relacionou o filme que retrata a máfia italiana com seus companheiros de Conselho Deliberativo. O último exemplo da tumultuada vida política da agremiação foi o rompimento de Mustafá Contursi . Se há seis meses o ex-presidente comandou aliança para voltar ao poder, hoje, ele já engrossa a lista de opositores. Não é difícil ver Felipão reclamar dos constantes problemas e, apesar de não ver reflexo diretamente nos jogadores, é fácil notar que todas as brigas refletem na comissão técnica e no cotidiano de futebol. O bilhete alertando para a aproximação de Gilto Avalone que o diga .

Jogadores envolvidos em polêmicas

No fim do ano passado, Valdivia colocou a boca no trombone para criticar Felipão e o então diretor de futebol, Wlademir Pescarmona. Reclamou do tratamento e até de ser forçado a jogar. Depois, foi a vez de Lincoln ficar afastado por causa da opção do treinador. Nos bastidores, cogitava-se que o meia não era escalado por ter reclamado da dívida que o clube tem com o jogador. Outra turbulência veio das mãos de Kleber. Ele tuitou que Felipão nunca defendia seus jogadores e reclamou das constantes críticas . O capítulo, no entanto, parece ter tido seu já capítulo encerrado.

Recentemente, a polêmica foi entre treinador e DIS . A empresa, que detém direitos de Tinga, Gabriel Silva e Vinícius e outros vários atletas da base, foi acusada de roubar os atletas. Depois, foi a vez de Wellington Paulista declarar que estava insatisfeito com a falta de espaço e chegou até a acertar salários com o Internacional. A sua escalação como titular nos últimos dois jogos, no entanto, parece ter acalmado camisa 9.

Valdivia ficou mais no chão do que de pé neste ano
AE
Valdivia ficou mais no chão do que de pé neste ano

Falta um meio-campo criativo

O Palmeiras tem três boas opções para armar jogadas. Valdivia, no entanto, mal consegue uma sequência produtiva. Com seguidas lesões na coxa, o chileno ainda fica longe de render perto do que conseguiu na sua primeira passagem. Este ano, ele não conseguiu atuar nem por dez vezes. Agora, ele se recupera na seleção do Chile e deve voltar só após a Copa América. Lincoln é outro que sofre com lesões. Substituto imediato do estrangeiro, ele tem tentado enfrentar o cansaço, mas sai perdendo na maioria delas. Ele também ficou afastado por opção de Felipão por cerca de dois meses. Patrik é a terceira opção. A lesão voltou a atrapalhar. Quando ele estava em boa fase, sofreu com uma contusão na coxa e ficou cerca de um mês parado. Depois, quando voltou, sofreu com o excesso de peso e não emplacou desde então.

Coloque seu time em 1º no ranking da Torcida Virtual do iG Esporte

O escanteio

Se há um caminho de furar a defesa do Palmeiras, esse é a jogada aérea, principalmente a bola que vem do córner. Um terço, ou seja, oito dos 24 gols sofridos aconteceram após jogadas de escanteio, sem contar um outro que veio pelo alto, mas foi apenas cruzamento vindo das laterais. O estranho é que Felipão não cansa de treinar a defesa para esse tipo de jogada, os jogadores reclamam constantemente dos erros, e mesmo assim as bolas continuam entrar. Contra o Inter e o Cruzeiro, por exemplo, quatro pontos foram perdidos por causa desse tipo de falha.

Falta de pontaria

Não é novidade que os jogadores do Palmeiras sofrem com a falta de pontaria. No ano passado, inclusive, esse era o motivo apontado pela maioria dos atletas por causa das poucas vitórias. Em 2011, esse quesito melhorou um pouco, mas ainda não é o ideal. O Footstats indica que, só no Brasileirão, o time já finalizou 106 vezes. Foram 12 gols marcados, o que significa uma média de mais de oito chutes para conseguir apenas um gol. Além disso, cerca de 63% das finalizações não atingem o gol.

Paulo Henrique não sorriu nem para os fotógrafos na sua apresentação
AE
Paulo Henrique não sorriu nem para os fotógrafos na sua apresentação

Falta dinheiro

A atual administração assumiu com a política de conter gastos e ainda reclama muito do caixa deixado pela gestão passada. Por isso, sofre para contratar reforços de peso e não consegue competir com outros clubes brasileiros que, ou têm mais dinheiro, ou menos preocupação com o seu orçamento. Felipão já declarou várias vezes que concorda com a opção de seus dirigentes e já deu exemplos de atletas que não vieram por causa do alto salário: o lateral Junior César, hoje no Flamengo, é um desses exemplos. O zagueiro Henrique, que tem os direitos presos ao Barcelona, é outro. Isso também acarreta na contratação de outros que são pouco aproveitados, como o caso de Paulo Henrique (foto) e Max Pardalzinho.

Falta revelar talentos

Um problema que não atinge só o Palmeiras é a exploração das categorias de base. Mas no Palestra Itália, esse detalhe incomoda faz tempo. Os últimos jogadores revelados são Gabriel Silva, que não consegue emplacar uma sequência que convença Felipão de que ele é melhor do que Rivaldo, e Patrik, que foi bem no início deste ano, mas já voltou a cair. Outras várias tentativas já foram descartadas ou são pouco aproveitadas. São os casos dos atacantes Miguel e Vinícius, do lateral Luís Felipe e do meia Patrick Vieira. Eles já passaram pela categoria de base e não agradaram. Vinícius e Patrick ainda treinam no time principal e ainda tentam uma chance.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.