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No entanto, ministro Roberto Maroni diz que não pretende acabar com o sistema de apostas legais

O governo italiano atendeu o pedido do ministro do Interior Roberto Maroni e criou nesta sexta-feira uma força-tarefa para investigar as suspeitas de manipulação de resultados e apostas ilegais envolvendo jogos da segunda e da terceira divisões do futebol nacional.

A força-tarefa será formada por representantes do Ministério do Interior, do Ministério da Economia e de federações esportivas, mas ainda não estabeleceu um plano para regularizar as apostas que ameaçam causar um novo escândalo no esporte italiano.

O grupo atuará de forma conjunta com os presidentes do Comitê Olímpico Italiano, Giovanni Petrucci, e da FIGC (Federação Italiana de Futebol), Giancarlo Abete. A força-tarefa fará sua primeira reunião na próxima semana.

"Junto de Petrucci e Abete, nós analisamos esta nova suspeita de combinação de resultados e estamos tentando tomar decisões que impeçam novos casos", afirmou Maroni. "O passo seguinte será criar uma unidade de investigação com o objetivo de coletar informações e analisar as apostas".

Abete (esq.), presidente da FIGC, conversa com o ministro Maroni na reunião que criou a força-tarefa
AP
Abete (esq.), presidente da FIGC, conversa com o ministro Maroni na reunião que criou a força-tarefa
O ministro, contudo, destacou que não pretende acabar com o sistema de apostas legais. "O futebol e outros esportes atraem muitas apostas e nós não estamos interessados em impedir ou limitar isso, mas sim em regular", disse Maroni, que poderá contar com a polícia em suas ações. "Não podemos negar o fato de que, por trás da atividade ilícita, está a mão do crime organizado".

Dezesseis pessoas foram presas na Itália na semana passada por suposta participação em manipulação de resultados e apostas ilegais. Cerca de 18 jogos, principalmente da segunda e terceira divisão italianas, estão sendo investigados pelo Ministério Público em Cremona, onde a investigação está baseada. Partidas da primeira divisão também podem estar sob suspeita.

Jogos envolvendo Atalanta e Siena estão entre os investigados, o que poderia colocar o acesso à elite italiana dos dois clubes em risco. Ex-capitão da Lazio, Giuseppe Signori foi um dos presos .

O escândalo acontece apenas cinco anos após a última grande investigação envolvendo manipulação de resultados no país, quando a Juventus acabou tendo dois títulos nacionais retirados e sendo rebaixada à segunda divisão italiana.