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Irmão de Damião joga na várzea, mas trabalha com telemarketing

Edimar abandonou o profissionalismo e torce pelo Corinthians até contra o Inter. Ele diz onde sonha em ver Leandro atuar

Gabriel Cardoso, iG Porto Alegre |

Arquivo Pessoal/ Divulgação
Edimar atropela os zagueiros e divide a bola com o goleiro
Atacante, 23 anos, bom de bola. Essa poderia ser a história de um grande craque do futebol brasileiro. Quase isso. Na verdade, é irmão de um goleador. Edimar faz parte da grande maioria dos brasileiros. Aqueles que tentaram sem sucesso uma carreira no futebol. O Interessante é que ele é irmão de um atacante da seleção brasileira. Ou ainda mais. Assegura que quando criança jogava melhor do que Leandro Damião, irmão mais novo do Edimar.

“Eu era melhor. Até o pessoal me vê hoje na rua e pergunta: Como você tá aqui e o seu irmão tá lá? No começo ele era bem mais fraquinho. Mas com o tempo ele foi adquirindo experiência, proteção de bola, cabeceio, que ele é muito bom”, afirma.

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O iG traz uma entrevista exclusiva com Edimar dos Santos (ou Edimar Damião, embora esse não seja o sobrenome, e sim segundo nome de Leandro). Ele é um ano mais velho que o goleador do Internacional. Após algumas tentativas frustradas, desistiu de jogar profissionalmente, mas ainda se destaca nos campos de várzea em São Paulo. Poderia ser uma celebridade, mas acabou ficando no anonimato. Um brasileiro comum, que trabalha desde cedo para ajudar a família.

“Acho que você não me ligou numa boa hora”, responde Edimar do outro lado da linha. O repórter logo imagina que o rapaz é avesso às entrevistas. Mas Edimar completa: “É que estou aqui no ônibus, está muito lotado. Você pode me ligar depois das 21h30, pois já estarei em casa”, explicou.

Eram 18h30, ele voltava pra casa depois de mais um dia de trabalho. Deixava o centro de São Paulo em direção à zona sul. Edimar ainda mora com o pai, Natalino, ou o Sr. Bigode, como é chamado pelos jogadores do Inter, e característica pela qual já foi homenageado por Damião, mostrando um bigode, após marcar um dos seus 35 gols em 2011.

Veja: Leandro Damião avisa que tem irmão goleador

Desde pequenos se arriscaram no futebol. Edimar e Damião jogavam juntos. Mal dava tempo pra ir aos jogos do Corinthians, time escolhido por boa parte da família. Ambos jogaram na várzea. Edimar chegou a fazer teste no Corinthians, mas não passou. O irmão mais velho tinha como responsabilidade buscar um trabalho. Leandro só queria saber de jogar bola. O presente mostra que a persistência adiantou. Após ser artilheiro do catarinense de 2009 pelo Atlético de Ibirama, Damião veio parar no Inter.

Em 2007, o XV de Outubro, de Indaial-SC, resolveu investir em Leandro Damião. Meses depois, chegaria Edimar. Nesse momento os rumos começavam a se afastar. Damião foi bem, acabou no Atlético de Ibirama. Edimar conseguiu ajuda de custo por três meses, mas acabou dispensado por falta de lugar no alojamento.

“Aí desisti de jogar bola. Foi em 2007. Aí fui trabalhar, fui perdendo preparo físico. Eu sempre deixei o futebol em segundo plano. Comecei a trabalhar com 16 anos, numa pizzaria aqui perto de casa. O Leandro não trabalhou, sempre correu atrás do futebol. Eu preferi largar a bola mesmo”, argumenta Edimar.

E ainda: Damião também jogou na várzea. Recebia R$ 30,00 na época do Nós Travamos FC

Ele ainda tentaria jogar pelo Sumaré-SP, outra vez sem sucesso. Ainda tem idade para jogar bola (23), mas anda desanimado. Perguntado sobre a hipótese de voltar a jogar profissionalmente, descartou.

“Hoje, com 23 anos, acho que não. Estou bem cabisbaixo com o futebol. Também estou com alguma dor no pé, então preciso tratar. Acho que quem tentar investir em mim vai se dar mal”, tratou de avisar.

O futebol ainda é muito presente na vida da família dos Santos. O sucesso de Leandro já assegura uma melhor condição de vida pra ele e pro Sr. Bigode, que abandonou o trabalho e faz companhia ao filho. Edimar mudou de emprego recentemente, cumpre uma jornada de seis horas de trabalho como operador de telemarketing. No caminho entre zona sul e centro, pega um ônibus e um metrô.

Arquivo Pessoal/ Divulgação
Edimar atropela os zagueiros e divide a bola com o goleiro

Aos domingos, a bola rola nos campos de várzea em São Paulo. Edimar veste a camisa do Ajax do Jardim São Jorge.

“Disputamos o melhor campeonato de várzea aqui. A Copa Kaiser. É dividido por zona. Aí saem dois de cada zona pra fazer as oitavas de final. Meu time estava entre os quatro da zona sul, mas fomos eliminados. Os jogos são sempre aos domingos”, conta.

O ex-camisa 10, agora aproveita para jogar como centroavante. Posto que era ocupado pelo irmão quando jogavam juntos. E se promove.

“Olha na foto aí. Eu vou mais alto que o goleiro. Quase atropelo ele. Nosso time é bem forte, mas pegamos o campeão do ano passado na nossa chave. Eles até recebem pra jogar. É bem organizado. Nós jogamos como hobby, com os amigos”, diz.

Arquivo Pessoal/ Divulgação
Edimar atropela os zagueiros e divide a bola com o goleiro

O Ajax é um bom time. Chegou até a quinta fase da Copa Kaiser. Acabou eliminado no domingo passado. Resta para o Edimar torcer para o Corinthians. O time do coração mexe com ele. E nem adianta dizer que o irmão joga em outro time. Se for Inter x Corinthians, ele espera por gol do Damião, mas pela vitória do Timão.

“O que mudou na nossa família foi que começamos a torcer pro Inter. Mas seguimos torcendo pro Corinthians. De vez em quando a gente fica em dúvida se assiste o Inter ou o Corinthians. A família agora se reúne quando tem jogo do Inter. Se tem Inter x Corinthians, a torcida é do Damião. Quem sabe ele faz três gols e o Corinthians faz quatro. Ainda torço pro Corinthians. Aqui em São Paulo é triste de largar o Corinthians”, argumenta.

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O sonho é ver o irmão brilhando nas grandes potências do futebol mundial. Edimar anda muito contente com o que Damião tem feito no Inter, mas sabe que hora ou outra ele acabará jogando na Europa.

Edimar já indica até quem poderia ser um possível interessado: o Real Madrid. Nada de Barcelona. Ele acha que o estilo da equipe catalã não se adapta ao do centroavante grandalhão. Ele projeta assistir o irmão brilhando no gramado do Santiago Bernabéu, na capital espanhola.

“Acho que ele se daria bem no Real Madrid. Acho que se identifica mais com ele. Tem cruzamento de área, jogadores fortes no ataque. Já no Barcelona eu acho que não, pois é um futebol mais de toque, não tem jogadores pra alçar bola na área, não tem muito contato físico. Então acho que o Real Madrid seria uma boa”, completa.

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