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Invasão de campo completa um ano: é o 11 de setembro do Coritiba

Tumulto fez do clube o primeiro do Brasil a romper com facções organizadas, mas as feridas causadas pelo distúrbio no Couto Pereira continuam abertas

Altair Santos, especial para o iG |

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Na próxima segunda-feira, completará um ano do dia em que a torcida do Coritiba invadiu o gramado do Couto Pereira após o empatou por 1 a 1 com o Fluminense, resultado que rebaixou o time paranaense para a Série B do Brasileiro. O quebra-quebra resultou na maior pena já imposta pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva): dez perdas de mando de campo, além da interdição do estádio por quase oito meses.

Por isso, a data de 6 de dezembro é uma espécie de 11 de setembro para o Coritiba. E, como nos Estados Unidos, traumatizados pelos ataques terroristas de 2001, as feridas do clube também não cicatrizaram. Desde então, torcida e diretoria nunca mais falaram a mesma linguagem.

A ponto de, no encerramento da Série B deste ano, a principal facção organizada do Coritiba, a Império Alviverde, ter realizado um protesto para vaiar o acesso do clube. Com faixas de luto e gritos de ordem contra a diretoria, a torcida acabou apupada pelos demais torcedores que estavam no estádio.

Para o vice-presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, a ruptura é um caminho sem volta. O dirigente é quem liderou o banimento da facção das entranhas do clube e, amparado legalmente, veta qualquer ação da torcida no estádio. Se quiserem voltar a frequentar o estádio, farão como torcedores comuns, diz o dirigente.

Os demais torcedores do clube demonstram estar do lado da diretoria. Tanto é que amplificaram a fidelidade ao fazer o número de sócios bater na casa dos 18 mil, número que não existia quando as organizadas tinham lugar cativo no Couto Pereira. Enfraquecida, a facção tem recorrido ao Ministério Público do Paraná para ingressar no estádio com bandeiras, uniforme, bateria e faixas que exaltam sua marca. O Coritiba contragolpeia com liminares que impedem o acesso.

O presidente da facção, Luiz Fernando Corrêa, alega perseguição. Em nota, ele dá sua versão para o caso. Durante o ano de 2010, participei de diversas reuniões com o Ministério Público e cumpri todos os acordos firmados no TAC (Termo de Ajustamento de Conduta). Desde o inicio, condenei a invasão de campo. Buscarei, também dentro da lei, garantir o direito dos sócios e simpatizantes da entidade. Invoco o artigo 5º da Constituição, pois todo o cidadão tem o direito de ir e vir, bem como o direito a livre associação, diz.

O fato é que, passado um ano, o Coritiba está reinventando seus aficionados. Saiu o torcedor, entrou o sócio. E por ser o primeiro do Brasil a romper definitivamente com facções organizadas, o clube fará parte de um projeto-piloto que o Ministério dos Esportes lança no ano que vem, com o objetivo de preparar as torcidas para a Copa do Mundo de 2014. Trata-se do Torcida Legal.

Todos os torcedores de clube que frequentam o estádio, sócios ou não, serão cadastrados, e as catracas do Couto Pereira terão um sistema de identificação biométrica. Significa que, se algum torcedor tiver ficha criminal, será automaticamente detido na porta do estádio. O Coritiba se sente honrado por ser o primeiro clube a ter coragem de tomar essa medida, diz o vice do clube. A Império, no entanto, não se dá por vencida. E, um ano depois, as feridas seguem abertas.

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