Clube catalão investe na formação de jogadores na periferia de Buenos Aires

Entrada da escola do Barcelona na Argentina, em San Justo, periferia da capital Buenos Aires
Paulo Passos
Entrada da escola do Barcelona na Argentina, em San Justo, periferia da capital Buenos Aires
Promessa aos 12 anos, fenômeno aos 17 e craque aos 24, Lionel Messi é um caso raro no futebol mundial. Dificilmente surgirá outro jogador como o atacante argentino, melhor do mundo na atualidade. Acreditando no “quase-impossível”, o Barcelona crê que o raio pode cair duas vezes no mesmo lugar. E a esperança do clube parece ser que agora ele caia na rua Triunvirato, número 4473, em San Justo, na periferia de Buenos Aires.

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É lá que desde 2007 existe o FC Barcelona Junior Luján, uma escola do time catalão na Argentina . Cerca de 200 garotos treinam diariamente no local, com instalações que chamam a atenção: campos perfeitos, de grama natural e artificial, e uma estrutura que inclui academia, salas de aula e alojamento para 60 pessoas. Atualmente, cerca de 40 jovens moram na escola. O restante dos atletas vive em Buenos Aires ou nas redondezas.

Cercada por muros, a escola do Barça remete a uma paisagem européia, com jardim de grama bem cortada e arbustos aparados, além de prédios de dois andares com telhado. A imagem contrasta com o que se vê do lado de fora. O centro de treinamento é cercado por conjuntos habitacionais e residências humildes. Umas das ruas ao lado da escola ainda não foi asfaltada. Uma realidade comum em La Cadela, uma das regiões mais pobres de San Justo, na periferia de Buenos Aires.

O terreno da escola do Barcelona chegou a pertencer ao Boca Juniors . Lá havia um centro de treinamento do clube. Reza a lenda que Diego Armando Maradona dormiu no local, quando ainda era usado como concentração do Boca. O time de Buenos Aires teve que se desfazer do terreno no final da década de 90, durante a crise econômica da Argentina. Foi então que o ex-jogador Jorge Raffo, com passagem pelo próprio Boca, criou ali o Cefar (Centro de Treinamento para Futebolistas de Alto Rendimento), onde formava jogadores para vender aos clubes argentinos.

Rua ao lado da escola do Barcelona Junior Luján, na periferia de Buenos Aires, não tem asfalto
Paulo Passos
Rua ao lado da escola do Barcelona Junior Luján, na periferia de Buenos Aires, não tem asfalto
Em 2007, o projeto foi encampado pelo Barcelona, que já vem ameaçando fechar a escola . No cargo de diretor esportivo, Raffo nega que o objetivo único seja buscar novos Messis. “Seria genial formar um craque aqui como ele, mas a ideia não é essa. Queremos reproduzir aqui o modelo de formação do Barcelona, aproveitando o talento argentino. Se formarmos um craque, estupendo”, diz Raffo. “Nos preocupamos com a formação dos jogadores, com a educação, a saúde e a disciplina”, completa.

Cerca de 40 adolescentes moram na escola
Paulo Passos
Cerca de 40 adolescentes moram na escola
Todos os adolescentes que frequentam a escola tem que estar estudando. Além disso, o Barcelona não aceita promessas que já estejam vinculadas a agentes. Alguns jogadores locais já foram para Barcelona serem testados. O clube, entretanto, não divulga quantos. O certo é que nenhum conseguiu ainda chegar ao time principal. Segundo Raffo, a prioridade é emprestar atletas para o futebol local.

Na última quarta-feira, a reportagem do iG acompanhou um jogo-treino de uma das equipes do projeto. Jogadores de até 18 anos enfrentaram os juniores do Deportivo Liniers, da terceira divisão argentina.

“Ali não tem nada bom, não”, disse um dos garotos do Liniers após a partida, apontando para o prédio da escola. “Só eu fiz dois gols”, contou o atacante, apelidado de “El Negro”. O Barcelona argentino perdeu por 3 a 0. Realmente, não é todo dia que se encontra um Messi.

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