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Futebol
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Ídolo da torcida do Grêmio, Renato Gaúcho trabalhou como padeiro

Primeiro time do técnico, Esportivo de Bento Gonçalves tenta se recuperar na segunda divisão estadual

Gabriel Cardoso, iG Porto Alegre |

Gabriel Cardoso
Esportivo tem boa estrutura e um estádio para 13 mil torcedores
Hoje técnico do Grêmio, Renato Gaúcho ainda é muito falado na cidade de Bento Gonçalves. Foi na Serra Gaúcha que ele passou a infância e onde iniciou a carreira como jogador de futebol. O iG esteve no local e recuperou um pouco das histórias de Renato, durante sua passagem em Bento Gonçalves.

O herói do título mundial do Grêmio, em 1983, poderia ter escolhido outra profissão. Nascido na cidade de Guaporé, em 1962, ele mudou-se logo cedo para Bento. Aos 12 anos, Renato já trabalhava para ajudar a família. Azir Favaretto, dono de uma padaria na cidade, foi o primeiro chefe de Renato. Ele trabalhou lá por 2 anos, mas sempre que tinha uma folga, ia para os campinhos jogar uma pelada.

Um dia, Renato resolveu abandonar a profissão de padeiro. O problema é que na padaria do Sr Favaretto ele precisava trabalhar inclusive nos fins de semana, e então não podia participar dos campeonatos de futebol da cidade. Virou empregado de uma empresa de móveis e então uniu o útil ao agradável: Trabalhava durante a semana para ajudar a família, e tinha o fim de semana livre para participar dos campeonatos de futebol entre empresas.

Foi em uma dessas competições que o futuro craque foi descoberto. Em 1978 um olheiro do Esportivo, clube de Bento Gonçalves, observou Renato e resolveu levá-lo para as categorias de base. Começava ali a trajetória de Portaluppi.

Ex-colega de time virou cabeleireiro
No time de jovens do Esportivo, outros vários garotos alimentavam o mesmo sonho de se profissionalizar no futebol. Joãozinho, era o meia-direita do time, tinha 16 anos. Mas não conseguiu ficar muito tempo no clube.

“Era muito difícil. A maioria dos garotos pagava para jogar no time juvenil. Eu estava fazendo curso de enfermagem, surgiu uma oportunidade de emprego, e resolvi largar o futebol”, revela o ex-colega de time.

Hoje com 47 anos, Joãozinho também não seguiu a carreira de enfermeiro. Ele é cabeleireiro em um salão de beleza da cidade. Entre um cliente e outro ele relembra como era o jovem Renato, na época com 16 anos.

“O Renato era meio na dele, não falava com muita gente. Mas dentro de campo ele chamava a responsabilidade. Hoje posso ter orgulho de dizer que joguei com um craque do futebol”, conta.

Gabriel Cardoso
Renato (na esquerda, agachado)com a faixa de vice-campeão gaúcho de 1979 pelo Esportivo

 

Mesmo sendo reserva, Renato foi parar no Grêmio
Quem conviveu mais tempo com Renato foi Leopoldo Benatti, o Raquete. Zagueiro típico do interior gaúcho. 10 anos mais velho que o atacante, ele já estava na parte final da carreira quando o garoto surgia no time da Serra Gaúcha.

“Ele era bem tranquilo, um gurizão brincalhão. Agora tem aquele jeito marrento”, brinca Raquete, que jogou entre 1973 e 1985. Neste período, mais de 10 anos ele dedicou ao Esportivo.

Em 1979, o clube foi vice-campeão gaúcho, perdendo para o Grêmio. Foi o melhor resultado da história do Esportivo e Raquete fazia parte do time. Renato aparece na foto com a faixa de vice-campeão, mas ainda tinha poucas oportunidades.

“Ele jogou pouquíssimas partidas no Esportivo. Era muito jovem e era reserva. Ele entrou em um jogo contra o Grêmio em Porto Alegre e acabou indo bem. Aí no fim de 1979 o Grêmio contratou o nosso técnico, o Valdir Espinosa, e aí ele resolveu levar o Renato junto para as categorias e base do Grêmio ”, relembra.

Ali Renato deu um pulo na carreira. Ele ainda levou 2 anos para se firmar de vez no time. Foi em 1982 que Espinosa o efetivou entre os titulares. E daí pra frente construiu a história conhecida por todos, que teve seu auge naquele dia 11 de dezembro de 1983: Dois gols contra o Hamburgo e o título Mundial para o Grêmio.

“O Renato tem estrela. Tudo parecia dar certo para ele. E continua assim, pegou o Grêmio na zona de rebiaxamento em 2010 e colocou na Libertadores”, analisa Raquete.

Gabriel Cardoso
Raquete (na direita) e o filho Renato na sala de conquistas do Esportivo

 Filho do zagueiro recebeu o nome de Renato

Portaluppi já havia deixado o Esportivo, Raquete seguia no clube. Em 1981 nasceu o primeiro filho do zagueiro e ele resolveu homenagear o ex-companheiro de clube.

“Coloquei o nome do meu filho de Renato, por causa do Portaluppi. Hoje ele tem 29 anos e joga como zagueiro”, explica Raquete.

Renato Benatti também seguiu carreira no futebol. Recebeu o nome do atacante, mas preferiu repetir a posição do pai. É zagueiro, e já rodou o mundo como atleta.

“Comecei no Juventude de Caxias do Sul, eu era volante, aí disseram que eu era muito alto e me baixaram para a defesa. E desde então comecei a atuar como zagueiro. Cheguei a jogar pela seleção brasileira pré-olímpica em 2003”, revela o zagueiro do Esportivo, que já passou por Almería da Espanha, Criciúma, Brasiliense, Naval de Portugal, CSA-AL, Botafogo de Ribeirão Preto, Chunnan Dragons da Coréia do Sul, e Cianorte-PR.

Gabrie Cardoso
Volante Lauro, ex-Juventude, joga no Esportivo

Esportivo busca se recuperar
2010 foi um dos piores anos para o primeiro time de Renato. O Esportivo foi rebaixado para a segunda divisão estadual, depois de quase 30 anos de permanência na elite gaúcha. A última vez que o clube não havia disputado o Gauchão havia sido em 1981.

Em 2011 o clube disputará a Segundona e buscará o retorno à elite estadual. Raquete será participante direto na campanha, ele é o vice-presidente de futebol do clube.

O desafio não será nada fácil. Sem visibilidade o clube perde dinheiro. Não existe cota de televisão, atrair os patrocinadores é mais difícil....

"Antes podíamos pagar até 10 mil reais de salário para um jogador de ponta, agora o teto salarial é de 3 mil. Temos uma folha salarial de 75 mil para 35 pessoas, incluindo jogadores e comissão técnica", explica Luiz da Veiga, o Luzinho, gerente de futebol do Esportivo e que foi contratado para tentar profissionalizar ainda mais a gestão do clube.

Mesmo com as dificuldades, a diretoria conseguiu montar um bom grupo. São 28 jogadores, que a partir do fim do mês começam a campanha na tentativa de voltar ao Campeonato Gaúcho. O volante Lauro, 37 anos, e que jogou mais de 500 partidas pelo Juventude é o grande reforço. O experiente jogador foi campeão da Série B em 1994 e da Copa do Brasil em 1999 pelo clube de Caxias do Sul.

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