Meia que "venceu" dois jogos para o Palmeiras no ano admitiu que precisa aprender a lidar com a fama

Primeiro o susto. Quando Patrik deixou a sala de desembarque do aeroporto de Congonhas, na tarde desta quinta-feira, um batalhão de cinegrafistas partiram para cima do meia de apenas 20 anos. Herói da vitória sobre o Mirassol, no 1 a 0 que colocou o Palmeiras na liderança do Campeonato Paulista, era normal que o jogador fosse o mais assediado no retorno a São Paulo. Normal, menos para Patrik.

A expressão do rosto do garoto quando o primeiro microfone se aproximou era de pavor. Dois seguranças o cercaram, o puxando em direção à saída. Mas o garoto parou, olhou para o lado e resolveu falar. Depois do susto, a vergonha. As palavras saíam monossilábicas. Não é fácil ser herói.

“Você acha que merece ser titular do Palmeiras?”, perguntou o repórter.

“Não, ainda não. Estou tendo sorte”, respondeu Patrik.

“Mas você está gostando de seu rendimento?”, questionou outro.

“Sim”, responde Patrik, que neste momento já andava, empurrado pelos seguranças, e continuava sua série de respostas curtas.

Patrik comemora gol contra o Mirassol, aos 32 do segundo tempo, seu quarto pelo Palmeiras em 28 jogos
Futura Press
Patrik comemora gol contra o Mirassol, aos 32 do segundo tempo, seu quarto pelo Palmeiras em 28 jogos

Com 20 anos, o camisa 40 foi o “salvador da pátria” em dois jogos no Campeonato Paulista: contra o Oeste, marcou no final da partida, feito repetido contra o Mirassol. Duas vitórias por 1 a 0, dois gols de Patrik, seis pontos que ajudaram o Palmeiras a chegar aos 16 e liderar o Paulistão após seis rodadas.

O jogador se transformou em espécie de talismã do técnico Luiz Felipe Scolari, que gosta de ter jogadores no banco em quem confia e que podem mudar o destino de uma partida. “Qual orientação que o Felipão te deu antes de entrar em campo em Mirassol”, foi uma das últimas perguntas feitas antes de Patrik entrar no ônibus. “Vai para cima”, respondeu o garoto, que até esboçava um sorriso no canto da boca.

Prata da casa?
No site oficial do Palmeiras aparece que Patrik foi criado na categoria de base do clube. Não é bem assim. Ele foi contratado em 2009, com 18 anos, depois de ser formado no São Caetano. Machucado, fez tratamento na Academia de Futebol por ter boa relação com um dos médicos do clube e depois, recomendado, acabou sendo integrado ao Palmeiras B, no qual fez boas partidas e acabou promovido ao profissional em 2010.

Com característica diferente de Lincoln ou Valdivia, titulares que estão machucados e têm um futebol mais cadenciado, Patrik é um meia que chega à frente com velocidade e habilidade. Pode também, em caso de emergência, até jogar como segundo atacante.

“Mas prefiro a meia mesmo”, disse o jogador, na declaração mais longa do dia.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.