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Em reportagem da revista "Piauí", João Havelange justifica tese com amizade de Ricardo Teixeira com Aécio Neves

A última edição da revista "Piauí" traz um longo perfil do presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do COL (Comitê Organizador Local), Ricardo Teixeira, no qual o dirigente faz suas críticas costumeiras à imprensa e mostrou tranquilidade em relação às denúncias de corrupção feitas por dirigentes ingleses . Mas a informação mais relevante sobre a Copa do Mundo de 2014, marcada para o Brasil,  acabou sendo passada pelo ex-sogro e padrinho político de Teixeira, o ex-presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), João Havelgange. Para o cartola, ainda com bom trânsito na entidade, os laços de amizade entre Teixeira e o senador mineiro Aécio Neves deverão levar a abertura da Copa de 2014 para Belo Horizonte.

 Ao descrever um pouco da personalidade e modo de atuação de Teixeira, Havelange definiu o presidente da CBF como uma pessoa "de inteligência acima da média, observador, calado, como um bom mineiro". Ao lembrar que o cartola da CBF tem "capacidade de aguentar desaforos e planejar o troco mais para frente", Havelange afirmou: "O Ricardo é o quê? Mineiro, não é? O Aécio é amigo dele, não é? Onde você acha que vai ser a abertura da Copa do Mundo?" perguntou Havelange. Ao receber a resposta da repórter da revista que seria em Belo Horizonte, o ex-presidente da Fifa completou. "Isso é o Ricardo, nós é que somos bobos".

A reportagem da "Piauí" ainda trouxe várias opiniões de Teixeira a respeito de sua relação com a imprensa, sempre conflituosa. O presidente da CBF mostrou que não está muito preocupado com o que é publicado. "Você acredita em tudo o que sai na imprensa? Esquece. Isso é tudo armação", desdenhou Teixeira, que diz não acompanhar mais a mídia. "Parei de ver televisão e internet. Não leio mais p... nenhuma. A vida ficou leve pra cacete", completou.

Da mesma forma, Ricardo Teixeira não se preocupa com as denúncias feitas pelo inglês David Triesman, que o presidente da CBF lhe pedira dinheiro para votar na Inglaterra na disputa pela sede da Copa de 2018. "Não ligo. Aliás, caguei. Caguei de montão [sobre as denúncias em que está envolvido]", afirmou Teixeira. "Só vou ficar preocupado quando as acusações saírem no Jornal Nacional [telejornal da TV Globo]".

Teixeira também demonstrou que, graças ao poder que possuí por conta da organização do próximo Mundial, pretende se vingar de seus desafetos. "Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mas maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por que? Porque eu saio em 2015. E aí, acabou."

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