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Grêmio cometeu erros na negociação com Ronaldinho

Ignorar Milan, confiar em Assis e tratar do caso publicamente prejudicaram clube

Hector Werlang, iG Porto Alegre |

É verdade que Roberto de Assis Moreira negociou com, no mínimo, outros dois clubes. Não dá para esquecer que o negócio, por envolver um grande jogado do futebol mundial, era complexo. Sem falar da dificuldade em repatriar um brasileiro da Europa.

Porém... o Grêmio cometeu equívocos na fracassada tentativa de contratar Ronaldinho Gaúcho. O iG repassou o processo de negociação e os aponta nesta reportagem. O principal deles foi ignorar a força do Milan em definir o futuro do atleta.

Gazeta Press
Odone ficou irritado com Assis e Ronaldinho

Desde 23 de dezembro de 2010 no Rio de Janeiro, o vice-presidente do clube italiano, Adriano Galliani, nunca foi procurado por algum representante gremista. O Grêmio acreditou na promessa a de Assis em conseguir a liberação.

“Isto sempre ficou a cargo dele, nunca uma responsabilidade nossa. Assis disse que conseguiria. Não estávamos disputando um craque e, sim, repatriando alguém que falava ter vontade de atuar no Grêmio”, alegou o presidente Paulo Odone.

Este foi o segundo erro: confiar numa pessoa com histórico de problemas com o Grêmio. Em 2001, Assis teve papel decisivo na traumática saída de Ronaldinho para o PSG. O clube francês só pagou indenização, anos mais tarde, após a interferência da Fifa.

“Não tivemos escolha. Ele nos procurou, disse que Ronaldinho queria voltar e que iria resolver o necessário com o Milan”, justificou o diretor de futebol, Antônio Vicente Martins.

Aliás, a ideia inicial da direção era esperar o término do contrato do astro com o Milan, em 30 de junho. Assim, não haveria a necessidade de tratar com os cartolas italianos. Assis, porém, convenceu os gremistas a contratar o irmão de forma imediata.

O primeiro contato de Assis com o Grêmio, então, foi em 20 de setembro de 2010. As negociações evoluíram ao ponto de, em 19 de dezembro, o acerto ser sacramentado com um brinde na casa do vice-presidente gremista, Ricardo Vontobel.

A demora na assinatura de contrato, que teve sete versões, todas, de acordo com o Grêmio, solicitadas por Assis, indicava o terceiro erro. Após a entrevista coletiva de Ronaldinho, no Rio, Vontobel pensou em encerrar as tratativas.

 

AFP
Dirigentes gremistas não gostaram do comportamento de Ronaldinho em entrevista no Rio

“O projeto só teria sentido com o sentimento de gremista do Ronaldinho. Quando ele nivelou o Grêmio ao Palmeiras do Felipão e à torcida do Flamengo, não havia mais o que fazer”, disse Vontobel.

Porém, o Grêmio continuou a carga. E, confiante no acerto, preparou a festa de apresentação, o que revelou uma estratégia perigosa: tratar publicamente do negócio gerou uma expectativa não concretizada. Na sexta-feira, caixas de som foram colocadas no gramado do Olímpico. Odone, irritado, mandou retirá-las. Acertou, afinal, Ronaldinho não apareceu.

Antes, em todas as manifestações, os dirigentes, apesar de alertar a falta de assinatura do acordo, mostravam-se otimistas e davam prazo para o anúncio. No sábado, após anunciar a desistência, o presidente se disse aliviado.

“Seriam quatro anos de preocupações...”
 

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