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Gobbi rechaça favoritismo e brinca. “Se eu perder, sumo de novo"

Depois de “ano sabático”, favorito à presidênciado Corinthians promete sumir se não for eleito sábado

Bruno Winckler, iG São Paulo |

O legado de Andrés Sanchez no Corinthians dá a Mário Gobbi, o candidato indicado por ele para sucedê-lo, o favoritismo natural nas eleições à presidência do clube neste sábado. O delegado de 51 anos, porém, reforça no discurso que nada está ganho e que Paulo Garcia, seu opositor, merece respeito. Mesmo assim, o diretor de futebol entre dezembro de 2007 e dezembro de 2010 e que fez questão de sumir dos holofotes em 2011 disse que fará a mesma coisa caso não consiga ser eleito pelos sócios do clube no sábado. “Se eu perder, sumo de novo”, brincou. “Eu não tinha porque aparecer nesse ano. Me retirei e acompanhei tudo à distância. Foi melhor assim”, disse Gobbi em entrevista ao iG.

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Bruno Winckler
Carta de apoio de Andrés a Gobbi. Candidato diz que falará com "padrinho" todos os dias
Na sua sala já esvaziada na Demacro (Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo), Gobbi recebeu o iG para falar dos seus planos para os próximos três anos. Ele rebateu as críticas de Garcia – que o chama de fantoche de Andrés Sanchez – e valorizou sua experiência de três anos a frente do departamento de futebol para manter a conduta administrativa do seu padrinho. “É impossível me desassociar do Andrés. Ele foi o melhor presidente do Corinthians na história e vou falar com ele sempre que achar conveniente”.

Leia a entrevista de Mário Gobbi ao iG

iG: Quais são suas propostas para manter o Corinthians no caminho deixado pelo Andrés?
Mário Gobbi:
As principais propostas são: primeiro, a manutenção de um time sempre competitivo e que dispute títulos. Segundo: concluir a Arena Corinthians. Terceiro: construir o CT das categorias de base. Quarto: o aprimoramento e a manutenção sempre em dia das condições do CT profissional. E priorizar a formação de jogadores da base. Essa é a parte do futebol. Para o clube é melhorar a condição de lazer do associado fazendo melhorias e alternativas novas na sede do Parque São Jorge. Segundo: criar dentro do departamento de marketing um setor voltado aos esportes amadores tendo como carros-chefe e âncoras o futsal e a natação. E por último a elaboração de um plano diretor para os próximos 10 anos a fim de que o Corinthians possa crescer organizadamente. Esse plano diretor será elaborado e discutido e submetido à aprovação do conselho deliberativo do clube.

iG: Por que o senhor se considera mais apto a exercer o cargo que seu opositor Paulo Garcia?
Gobbi:
Eu não me considero melhor do que o Paulo Garcia e do que ninguém. Eu pertenço a um grupo político, nós traçamos um projeto de gestão para o Corinthians e esse projeto está sendo feito por um grupo, por uma equipe de profissionais, de sócios, de conselheiros e que tem compromisso com o Corinthians. Sozinho ninguém faz nada. Eu sou parte desse grupo e fui escolhido com muita honra pra ser o candidato a presidente, como poderiam ter sido tantos outros nomes do nosso grupo. O compromisso, o projeto desse grupo é o mesmo. Não muda nada. Não importa as pessoas, mas sim os compromissos traçados pelo grupo.

Bruno Winckler
Carta de apoio de Andrés a Gobbi. Candidato diz que falará com "padrinho" todos os dias

Leia também: Garcia chama Andrés de "diabo" e e vê Gobbi como seu "fantoche"

iG: O senhor acredita que será o primeiro de uma legião de sucessores do Andrés? O projeto do seu grupo prevê pelo menos 20 anos seguidos no poder, elegendo, claro, candidatos apoiados pelo Andrés...
Gobbi:
O projeto do nosso grupo para o Corinthians é muito grande. Você não faz todo ele em quatro anos. Digamos que o Andrés fez as principais e as grandes obras, mas muito ainda se tem para ser feito. Primeiro sedimentar uma mentalidade nova, uma filosofia nova e tantas outras. Isso vai passar depois, se eu for eleito, para o subseqüente e para o subseqüente. O Barcelona não foi feito em cinco anos, dez anos. Não se faz nada do dia para noite e muito menos em três anos.

iG: Para ficar igual o Barcelona a ideia é mudar a linha de contratação dos últimos anos? O clube contratou muito e aproveitou pouco os jogadores da base.
Gobbi:
Primeiro que o Corinthians não contratou muito. Nos três anos que estive no futebol, 2008, 2009 e 2010, o Corinthians contratou 47 jogadores e emprestou 13. Em 2011 comprou 12 e emprestou um. Segundo que muitos jogadores subiram das categorias de base para o Corinthians. Apenas não vingaram. Marcelinho, Luiz Fernando, centroavante, Bruno Bertucci, Dodô, Jadson, Xuxa, Cássio, Caju, William Morais... e tantos outros. Apenas não se tornaram grandes estrelas. Todos tiveram oportunidades. Ganhamos muitos títulos na base e não conseguimos ter um jogador com consistência. Ao contrário do Santos, que ganhou a última Copa São Paulo em 1984, mas revelou uma série de jogadores que vingaram. Nós queremos formar jogadores que vinguem, joguem e rendam no time de cima.

iG: Falta então qualidade ao jogador formado no Corinthians?
Gobbi:
Não tem explicação. É futebol. Qual explicação do Edno não jogar no Corinthians? O Acosta não ser artilheiro que foi no Náutico. O Morais, que é um jogador excepcional, também não deu certo.

iG: O senhor sempre disse que nada é mais difícil do que conquistar um título. Não há fórmula e que mesmo tendo feito tudo da forma mais correta, não há garantia...
Gobbi:
É mais fácil um camelo passar no buraco de uma agulha do que você fazer um time ser campeão. Por exemplo a cabeçada do Ronaldo no jogo contra o Flamengo (nas oitavas de final da Libertadores de 2010) fosse dois centímetros mais para baixo, bateria na trave e entrava e nós seguiríamos para as finais da Libertadores. O futebol depende do componente sorte e de uma série de coisas. É um cristal. Difícil de administrar e por isso é um desafio grande ser campeão.

iG: Por que o senhor não fez um debate com o Paulo Garcia? Ele insiste em convidá-lo e diz que o senhor foge...
Gobbi:
Não tenho problema em debater com qualquer que seja. A minha história de vida dentro do conselho deliberativo do Corinthians é feita de debates. Eu ocupo a tribuna do conselho em todas as reuniões.

iG: Porque então não houve esse debate?Teria alguma condição específica? Porque vocês não debatem na TV Corinthians??
Gobbi:
Estou à disposição. É uma questão de conciliar agendas, é falar com as assessorias, a minha e a do Paulo. Não tem nada. Pode ser em qualquer lugar. O debate é feito da inteligência e do saber que cada um tem. E o meu saber e o que o Paulo tem em qualquer lugar vai ser o mesmo. O local é indiferente. Eu sempre fui um homem de debates no Corinthians. (Nota da redação: Garcia enviou um convite para debate, mas Gobbi disse que não havia espaço na sua agenda)

iG: Paulo Garcia tem dito que o senhor não tem história no Corinthians e que o senhor seria apenas um fantoche, um ventríloquo do Andrés. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Gobbi:
Muita coisa. Eu tenho uma história no clube de 12 anos vividos intensamente. Uma história marcante onde eu em 12 anos eu me tornei conselheiro vitalício, fui escolhido pelo grupo a ser candidato do presidente do conselho deliberativo, perdi por dois votos, fui vice-presidente de futebol e agora, para orgulho e honra minha fui escolhido para ser o candidato a presidente. Isso é sinal que alguma coisa de bom eu devo ter. Ninguém é chamado a tudo isso em tão pouco tempo se não tiver o seu valor.

iG: Por ter vivido três anos como diretor de futebol (entre 2008 e 2010) o senhor se considera mais preparado para ser presidente?
Gobbi:
Eu não me considero mais apto. Eu me considero preparado porque eu trabalho há 34 anos. Também sou formado na escola da vida. Tenho 51 anos de idade e os três anos no futebol me fizeram ter um conhecimento sobre futebol que poucas pessoas têm exceto aquelas que trabalham no futebol. O futebol é um mundo apartado dos demais. Isso me deu uma experiência muito grande para conhecer o que no Corinthians o mais rico. A galinha dos ovos de ouro do Corinthians é o futebol. Então aceitei ser vice-presidente de futebol sabendo que eu podia morrer ou sair sem nenhum ferimento. Graças a Deus saímos com um saldo positivo. Fizemos um trabalho e isso foi um amadurecimento grande. Mas o meu currículo de vida não são só três anos no futebol. É muito mais que isso.

iG: O senhor vai se afastar da delegacia em que data?
Gobbi:
Nem deveria estar aqui. Já estou em licença Premium e vou tirar licença Premium e férias, todas autorizadas, até maio de 2013, aí já são 50% da minha gestão se eleito for.

iG: Sobre os cargos. Já está definido quem fica com cada diretoria? Vai ter mudança ou a ideia é manter os atuais diretores?
Gobbi:
Primeiro vamos vencer, vamos trabalhar. Vencer uma eleição no Corinthians não é fácil. Vamos trabalhar para ganhar as eleições. Aí sim, eu tenho o poder e o dever de dizer o que vai acontecer. E aí todos saberão no momento certo. Não se antecipa etapas. Em respeito ao meu colega Paulo Garcia e em respeito ao eleitorado.

iG: Antes dessas eleições, qual era sua relação com o Paulo Garcia?
Gobbi:
Uma relação muito boa em que pese nós estarmos sempre em lados opostos. Uma relação de muito respeito. Quando nós fundamos esse grupo “Renovação e Transparência” nós o convidamos insistentemente para que ele fizesse parte. Eu liguei muito para ele, o Andrés ligou para ele, mas ele tem os motivos dele. Nós respeitamos, é muito legítimo e ele preferiu seguir um outro grupo o que eu acho que ele está prestando um grande serviço ao Corinthians. A democracia só se completa com ponto e contraponto. E isso nós estamos fazendo. Quem vai sair forte é o Corinthians.

iG: A situação fez campanha pelo modelo de eleição automática de 200 conselheiros fechados com a chapa vencedora. Isso é democrático?
Gobbi:
Acontece que o ex-presidente Waldemar Pires (que apoia Garcia) fez uma emenda ao estatuto com uma redação que se o sócio quisesse escrever 200 nomes na cabine de votação tinha de respeitar e isso ia tornar a eleição inviável. Há um ano e pouco atrás foi nomeada a mesma comissão pra corrigir a redação do artigo. A proposta era para votar em até 5 nomes e voto proporcional. Cada chapa fazia xis por cento. Só que o presidente do conselho (Carlos Senger) não colocou em votação. Segurou por um ano. Quando chegou em dezembro agora ou o Andrés convocava uma reunião do conselho para fazer uma mudança ou o Corinthians ia ter uma eleição inviável. Então foi a contragosto nosso. O conselho entendeu que mudar essa cultura um mês antes das eleições ia estabelecer uma confusão dentro do clube. Então a grande maioria do conselho, inclusive com voto do Paulo Garcia, votou no chapão para ficar nos 200. Mudar uma cultura há anos, na véspera, não é salutar. Mas tão logo as eleições passem nós vamos constituir uma comissão (se eu for eleito, compromisso meu) para que corrija essa parte estatutária e volte a votar a questão do proporcional que é o processo mais democrático que tem.

 

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