"Adriano precisa de acompanhamento de um psicólogo ou de um psiquiatra", disse o ex-agente do jogador

Foi na zona Oeste de São Paulo, em um escritório ainda decorado com um boneco e um livro sobre Adriano , que o empresário Gilmar Rinaldi anunciou o rompimento de sua relação profissional com o “Imperador”, novo atacante do Corinthians . Antes mesmo da entrevista coletiva começar, um ato falho o entregou. Questionado quantos atletas ele ainda empresariava, respondeu “doze”, para depois corrigir: “onze”, anunciando a exclusão de Adriano da sua lista.

Com câmeras e microfones ligados, ele confirmou: “A partir de hoje, não vou mais trabalhar com o Adriano. Não fui comunicado por ele disso, mas resolvi”. Aliás, Gilmar contou que não conversa com Adriano desde que foi assinada a rescisão com a Roma , negociação da qual não participou. Desde então, Adriano veio para o Brasil, acertou a ida para o Corinthians também sem consultar Gilmar Rinaldi e não conversou mais com seu ex-empresário. Tudo isso culminou na decisão de Gilmar, anunciada publicamente nesta segunda-feira.

“O Adriano não foi um cliente para mim, foi como um filho”. Com essa frase, repetida três vezes posteriormente, Gilmar começou a explicar porque não vai mais agenciar o jogador. A intenção do empresário, com isso, é fazer um alerta: “Adriano precisa de acompanhamento de um psicólogo ou de um psiquiatra”, contou, com outra frase que foi constantemente repetida durante a entrevista.

Com psiquiatra, Adriano teve uma passagem rápida, mas de sucesso pelo São Paulo
Gazeta Press
Com psiquiatra, Adriano teve uma passagem rápida, mas de sucesso pelo São Paulo
Gilmar Rinaldi citou o primeiro retorno de Adriano ao Brasil como o modelo ideal para recuperá-lo. De acordo com o empresário, enquanto esteve no São Paulo , em 2008, o “Imperador” foi constantemente consultado por um psiquiatra e isso foi decisivo para que ele jogasse bem.

“Na época eu consegui a liberação da Internazionale , que só aceitou ele vir com acompanhamento de um médico psiquiatra. A Inter e eu achávamos que ele precisava disso. Ele aceitou, o São Paulo me ajudou nisso e ele fez as consultas. Depois, quando ele estava muito bem, parou de ir”, revelou Gilmar.

O modelo de acompanhamento médico que Gilmar queria para Adriano era a exigência do empresário para qualquer time que tentasse o contratar. O empresário revelou inclusive que técnicos e dirigentes de Botafogo , Vasco , Fluminense , Atlético-MG , Cruzeiro , Grêmio , Palmeiras e Corinthians o procuraram no começo do ano para saber como estava a situação do “Imperador”. A resposta foi sempre a mesma: “Eu disse que o Adriano não estava bem e só voltaria com um plano pra recuperar a carreira dele”, repetiu Gilmar.

Com o acerto feito diretamente entre Adriano e Corinthians, Gilmar Rinaldi entendeu automaticamente que não trabalhava mais com o atacante, já que, segundo ele, a negociação foi feita de forma "irresponsável e inconseqüente" por Ronaldo, ex-jogador que participou das negociações e cuja empresa, a 9nine, pode passar a gerenciar a carreira de Adriano. Mesmo assim, Gilmar diz que não guarda qualquer mágoa de nenhum dos envolvidos.

“Estou defendendo o Adriano da minha forma, do meu jeito. Confio muito na recuperação física, técnica e humana do Adriano. Mas com acompanhamento. Mesmo assim, vou estar torcendo pro Corinthians, pro Adriano e pro Ronaldo. Que ele volte a se superar e volte a ser o jogador que pode ser, um grande ídolo de todas torcidas”, declarou Gilmar.

Os bastidores da contratação de Adriano foram contados por Gilmar Rinaldi. Ele disse que o Corinthians chegou a procurá-lo por um tempo, mas depois passou a tratar diretamente com o jogador. A história começou ainda em 2010. "No final do ano passado, fui ao CT do Corinthians e lá encontrei muitos amigos, como o Joaquim Grava e o Ronaldo, que falou: 'vamos trazer o menino pra cá'. Eu disse que tudo bem, mas naquele momento o Adriano não quis voltar", contou.

De acordo com Gilmar, no começo do ano, o Corinthians insistiu em contratar Adriano. Ele contou que recebeu o presidente Andrés Sanchez em seu escritório, deixou as negociações avançadas e até fez o time paulista desistir de apresentar uma proposta para a Roma , já que seria possível conseguir uma liberação sem custos.

Mesmo assim, Gilmar reclama que passou a ser ignorado nas negociações. "Depois não tive mais contatos e até liguei pro Duílio (Monteiro Alves, diretor de futebol do Corinthians) após a rescisão. Tentei falar com ele e com o presidente, mas ninguém me atendeu", disse, antes de repetir mais uma vez e reforçar seu pedido: "A única coisa que peço agora é pedir ao presidente, ao Ronaldo e ao Joaquim que cuidem dele. Não só na parte física, como jogador, porque nisso ele é um monstro".

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